OPINIÃO
16/01/2015 18:58 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:44 -02

'Meu marido e eu temos um casamento aberto'

Eu tinha 17 anos quando a minha educação sexual começou.

"Você é responsável pelo seu próprio orgasmo," o meu namorado disse. Ele era o cara com quem perdi minha virgindade, o cara com quem eu tive o meu primeiro orgasmo e o cara cujas palavras um dia se tornariam meu mantra: eu sou responsável pelo meu próprio orgasmo. Eu acredito nisso literalmente e figurativamente. Na cama, eu desempenho um papel ativo e obtenho o que eu quero. Mas eu também sou responsável por conseguir o que quero ao longo da minha vida sexual.

É por isso que, juntamente com meu marido, que adoro, eu tenho amantes. Meu marido e eu temos um casamento aberto. Eu sei que pode parecer decadente ou como um retrocesso ao "amor livre" dos anos 60. Mas, realmente, além de toda a modinha que existe por aí, um "casamento aberto" é apenas uma das muitas maneiras de negociar amor, sexo e casamento. Nós não fazemos isso há muito tempo, mas agora parece tão óbvio. Tipo, "Por que não pensamos nisso antes?"

Sexo e amor são totalmente diferentes

Eu sempre gostei de sexo. Quero dizer, gostava mesmo de sexo. Na verdade, já fui até acusada de "pensar como um homem." Ou seja, de ver o sexo como algo totalmente diferente do amor. Quando meu marido e eu começamos a namorar era óbvio - até mesmo nessa época - que nossas vontades eram bem diferentes. Por mais que ele gostasse de sexo, ele não precisava ou não queria tantas vezes quanto eu. Mas eu me apaixonei tão loucamente por ele que eu pensei que isso não importaria.

Eu tinha me enganado redondamente.

Após três anos de casamento, eu comecei a sentir uma vontade irresistível. Daí, eu tive um caso.

Ela era linda, uma artista que conheci através de um amigo em comum. Eu deliberadamente optei por ter um caso com uma mulher, a lógica era que isso não seria tão ruim quanto dormir com outro homem. (Simplesmente em virtude do gênero, meu marido nunca poderia ser para mim o que ela poderia ser.)

Ela não foi a primeira mulher com quem eu fiquei. Quando meu marido e eu começamos a namorar, eu lhe disse que era bissexual. "Eu não me importo com quem você ficava antes", ele me disse. "Mas enquanto formos só você e eu, seremos só você e eu." E é por isso - adorável e doce como foi o meu caso com a garota artista, que foi também horrível. Eu me sentia muito mal por mentir ao meu marido, mal por sentir o desejo de querer estar com ela, mal por não terminar - ou por não ter evitado isso logo no começo.

Eu pensei muito sobre como tinha chegado lá. No início, eu percebi que ficar com ela realmente era algo relacionado a minha bissexualidade, sobre uma parte de mim que eu simplesmente não podia deixar de lado. Mas, quanto mais eu pensava no assunto, mais eu percebia que isso não era verdade: era sobre querer mais sexo do que meu marido podia oferecer, e sexo diferente do que uma só pessoa poderia oferecer.

Meu relacionamento com a garota artista terminou muito, muito mal. Uma noite, enquanto ela estava na cama com o seu marido ela contou pra ele sobre a gente, pensando tolamente que isso iria "excitá-lo". Isso não aconteceu. Ele ficou furioso e ameaçou contar para o meu marido. Eu sabia que eu mesma teria que contar. Quando eu confessei ele ficou devastado, mais por eu ter mentido para ele do que por eu ter dormido com ela. Eu chorei e chorei, me perguntava se eu tinha destruído o meu casamento, se ele iria me deixar, mas eu também queria saber se eu voltaria a ser feliz sem estar satisfeita sexualmente e como eu encontraria uma forma de fazer isto dar certo.

Tentei apimentar as coisas em casa

Nós não falamos muito sobre isso por muitos anos. Ele não podia. Eu perguntava de vez em quando se ele estava "OK" e ele me dizia que estava bem. Eventualmente acabei acreditando nele. Eu estava me mantendo limpa e nós estávamos nos dando bem - encontrando alguns obstáculos pelo caminho, mas continuando mesmo assim. Tínhamos uma vida sexual adequada; provavelmente muito boa de acordo com certos padrões. Mas, havia sempre coisas que eu queria que simplesmente não poderia conseguir com ele.

"Eu quero que você fale sujo para mim", eu dizia. "Quero que você me amarre, que me ataque no meio do dia no chão da cozinha."

"Eu não consigo, baby", ele dizia, me segurando em seus braços. "Eu te amo."

E aos poucos eu comecei a entender. Para o meu marido, o sexo comigo significava me amar. E me amar significava cuidar de mim e me respeitar. Embora existam pessoas que possam lidar com essa dualidade (ou pluralidade), meu marido simplesmente não podia. E eu não tinha certeza se ele deveria. Mas eu também não tinha certeza de que eu deveria ter que ficar sem . Um dia, por capricho, eu perguntei ao meu marido sobre uma amiga minha, de longa data. Ela tinha sido uma estudante de graduação na universidade onde eu ensinava. Eu a tinha ajudado com trabalhos de pesquisa, exames, e em seus primeiros trabalhos de ensino. Ela passou longas noites e tardes de fim de semana em nossa casa durante esses dois anos, e nós nos tornamos amigas íntimas. Mesmo após terminar a faculdade, ela ainda passava muito tempo em casa.

"Você já pensou em dormir com ela?", perguntei.

"Não", ele disse. Meu marido não sabe fingir. "OK, sim, mas ..."

"Mas o quê?" perguntei.

"Bem, em primeiro lugar, ela nunca iria querer dormir comigo. Ela é 10 anos mais jovem que eu. E em segundo lugar, eu não quero estar com mais ninguém. "

"É mesmo?" perguntei.

"Bem", ele disse, "Quero dizer que eu não preciso."

"Mas você quer?" Eu não precisava que ele me respondesse. Ficou claro que, na sua cabeça, ele já estava pensando nisso.

"Ela é gostosa", ele disse.

"Eu sei," disse rindo. "E então ...?"

"Então, é claro que eu gostaria de dormir com ela. Mas e você?"

"É claro", respondi. "Eu gostaria de transar com ela também, seu bobo."

"Não foi isso que eu quis dizer", ele disse.

"Eu sei. Eu sei. Então ...? "

"Então, traga-a", ele provocou.

"Ela está morrendo de vontade de ficar com você, sabia?"

Um ménage à trois com meu marido

Era verdade - eu sabia que ela estava interessada. Nós tínhamos brincado sobre isso várias vezes antes.

"Quando é que você vai me deixar ficar com o seu marido gostoso?" ela me perguntava. "Sempre que você quiser," eu dizia. Comecei a provocar meu marido sobre isso de vez em quando. Às vezes, quando nós fazíamos sexo eu falava sobre ela, como se ela estivesse lá.

Finalmente, decidi que estava na hora.

"Vamos fazer isso", eu disse a ela uma noite quando estávamos na minha casa assistindo a um desses filmes terríveis, feitos para a TV. Ela sabia exatamente do que eu estava falando.

"Tem certeza?" ela perguntou.

"E você?" eu perguntei de volta.

"Sim", ela disse. "Contanto que você tenha certeza que não irá estragar tudo."

"Eu não acho que vai", eu disse. "Mas você sabe que eu não posso prometer isso."

"Eu sei", ela disse. "Mas me prometa mesmo assim."

"OK," eu lhe disse. "Eu prometo."

Poucas horas depois, meu marido chegou em casa. Ele se enfiou no sofá, próximo de mim, colocando sua mão na minha coxa direita, embaixo do cobertor. A mão dela já estava na minha esquerda. Poucos segundos depois, senti suas mãos acidentalmente se tocarem e eu os vi olhando um para o outro. Tenho certeza de que esse foi o momento exato em que meu marido percebeu o que estava acontecendo.

"Estou acabado", ele disse um pouco mais tarde. "Estou indo para a cama."

"Nós subiremos em breve", eu disse. Ele me beijou e começou a se afastar.

"E eu?" ela perguntou. Ele olhou para mim e então a beijou forte e longamente. Rindo, ele balançou a cabeça.

"Vocês meninas", ele disse, enquanto subia para o quarto. Quando o filme acabou, nós subimos. Entramos na cama com meu marido lá, como se tivéssemos feito isso uma centena de vezes antes, uma de cada lado dele.

Tudo que aconteceu em seguida pareceu igualmente natural.

Foi incrível vê-los juntos. Foi intenso, mas também foi muito doce. Ela estava tão perdida nele e ele nela. Eu era capaz de vê-lo como um ser humano, se é que você entende o que eu quero dizer. Não como meu marido ou o pai da minha filha, mas como um homem, um ser sexual, uma pessoa que quer ser desejada, que precisa ser desejada.

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Eu sei que assistir a ela e a mim juntas foi uma experiência incrível para ele também. Ela até ensinou meu marido a me dar um orgasmo no ponto G, algo que nunca antes ele tinha conseguido. Soa como algo tão depravado, eu sei. Mas era encantador, mesmo. Ele segurou seus cabelos longos em suas mãos e a observava. Ele também roubava olhares para mim. "Eu te amo", ele murmurou. "Eu também te amo", eu consegui responder. E quando eu tive um orgasmo, eu não pude deixar de notar os olhares que os dois se trocavam. "Nada mal", o dele parecia dizer. "Viu, eu poderia ensinar você uma ou duas coisas", o dela parecia insinuar. Foi estranho. Mas era também algo normal.

Desistir da "propriedade" do seu cônjuge

Meu marido e eu tivemos um caso de seis meses com minha melhor amiga. Nós três tínhamos relações sexuais. Ele e ela transavam. Ela e eu também. E, claro, ele e eu continuávamos a ter relações sexuais, só entre nós. O arranjo eventualmente desapareceu, e todos nós voltamos aos nossos relacionamentos anteriores. Mas meu casamento mudou para sempre. A nossa experiência com ela foi o catalisador que nos levou a explorar o casamento aberto.

Tem sido interessante, difícil, maravilhoso e confuso. Tem levado a alguns momentos extremamente tristes e outros incrivelmente alegres. Os tristes sempre resultam de uma combinação de ego, insegurança e falta de comunicação.

Os maravilhosos resultam do amor, confiança e compreensão. Mas, na verdade, é absurdamente simples. Nós damos um ao outro o que precisamos, incluindo liberdade e espaço. Nós respeitamos um ao outro. E nós temos autoconhecimento suficiente para saber que estamos interessados, e somos capazes de explorar o sexo, seja lá qual for o significado disso pra nós e para qualquer outra pessoa. (Isto é, claro, com pessoas que não se envolvem sexualmente com a gente.) Isso trouxe a meu marido e a mim muito mais proximidade, muito mais do que jamais eu poderia imaginar.

Nós nos comunicamos de maneira que jamais sonhamos, ficamos até tarde conversando sobre a natureza da monogamia, da sexualidade, do casamento e da vida em geral. Suponho que o casamento aberto funciona para nós precisamente por essa razão: porque falamos sobre ele, porque isso nos abriu um ao outro. A curva de aprendizagem tem sido certamente íngreme. Nós, com certeza, não temos nenhum modelo para o que estamos fazendo. Nós somos realmente apenas um casal típico. (É sério!) Acabamos de perceber que "possuir" um ao outro sexualmente não ajuda o nosso casamento.

Só machuca.

É impressionante, no entanto, o quanto as pessoas têm problemas com casamentos abertos. Uma pessoa me disse como é triste que eu precise de "conquistas" e de outras pessoas para me sentir sexualmente atraente e satisfeita, e ela espera que um dia eu tenha sucesso suficiente em outros lugares para superar isso. Outra pessoa me disse que ela acha que eu sou uma lésbica que não quer desistir do conforto que meu casamento proporciona. Ainda outra pessoa disse que teme o que pode acontecer comigo e com meu relacionamento, já que preciso de tais "fogos de artifício". Mas cada uma dessas declarações, disse mais sobre quem falava do que sobre mim.

A verdade é que eu sou igual a todo mundo. Eu só estou tentando descobrir todas essas coisas da vida. É difícil. Existe este plano que estamos todos obrigados a seguir, este modelo único, heterossexual, monogâmico, de criar filhos, que todos supostamente devemos acompanhar. Mas eu não consigo. Na verdade, eu tenho uma responsabilidade de não fazer isso. Eu sou responsável pelo meu próprio orgasmo - e a minha própria felicidade. E eu não preciso que outras pessoas gostem de mim ou que me aprovem. E eu não preciso que os outros vivam da mesma maneira que eu. Eu só preciso fazer o que é preciso fazer, sem me machucar ou machucar os outros. Por enquanto, pelo menos, isso significa ter relações sexuais fora do meu casamento.

Comunicando ... e fazendo isso direito

Meu marido não tem buscado outra pessoa desde a nossa experiência com minha amiga. Ele diz que é tímido demais para ir atrás de garotas e que, realmente, não sente necessidade. Às vezes eu percebo que o fato de eu fazer isso o machuca.

"Intelectualmente", ele explica: "Eu entendo totalmente. Mas, às vezes, emocionalmente, é difícil. "

"Eu sei," digo a ele. "Você quer que eu pare?"

"Não", ele diz. "Eu não sou esse tipo de homem. Mas você tem que ter paciência comigo. Eu ainda estou tentando entender tudo isso. "

"Ei," respondo. "Eu também."

E é verdade. Nenhum de nós realmente sabe como nos sentimos ou o que vai ou não vai funcionar até que o testemos. Por exemplo, o meu marido continua a lutar sobre o quanto ele quer ou não quer saber. Se eu estiver com outra mulher, ele quer todos os mínimos detalhes. Mas quando estou com outro homem, às vezes, ele prefere não saber o que aconteceu. Geralmente, porém, ele gosta de saber com quem e quando. Quando ele pede detalhes, eu respondo. Às vezes, no entanto, é difícil saber se ele realmente quer essa informação, e eu me sinto triste quando erro.

Como quando eu não digo alguma coisa e isso vem à tona mais tarde, fazendo-o sentir-se por fora, algo que eu tento desesperadamente evitar. Tudo se resume a uma comunicação eficaz - sem ela, não há casamento, aberto ou não, que tenha chance de ser bem-sucedido.

Manter um segredo, mentir, ou ficar dando uma escapadinha - seriam maneiras infalíveis de destruir nosso casamento. Mas o sexo em si não é uma ameaça. Eu penso nisso como um "efeito cercadinho": você mantém uma criança trancada em uma daquelas coisas e tudo o que ela pensa é como sair, o quanto ela vai adorar tudo o que está no outro quarto. Mas deixá-la sair livremente e ver tudo que existe é uma grande chance dela acabar em seus próprios pés, brincando com um quebra-cabeças. Existe também uma chance de que ela ame o outro quarto e fique lá em vez disso? Claro que sim. Assim como há sempre uma chance de que um de nós se apaixone por outra pessoa e decida terminar o casamento. Mas eu não acho que o sexo fora do casamento aumente esse risco. De fato, eu acredito que isso diminui o risco porque remove toda a fantasia.

Eu não fico obcecada com outras pessoas. Se eu quiser alguém (e essa pessoa me quiser) então eu fico com ela. Até agora, ninguém chegou nem perto de me fazer querer pular do barco. Mas eu vou confessar algo: antes de experimentarmos essa coisa de casamento aberto eu definitivamente tinha curiosidade sobre a qualidade da grama em outros gramados.

Esta não é, de maneira alguma, uma receita para qualquer outra pessoa. Tudo o que eu sei é o que eu sinto, que é ser amada, querida e segura - graças ao meu marido. Eu quero isso. Mas eu não vejo nada de errado em querer mais. E, para mim, esse "mais" é desejo. Mistério. Tensão sexual. Um desejo profundo de - e sentir gostos de - coisas que eu nunca inteiramente possuo.

Então por que eu estou casada? Várias pessoas têm me feito essa pergunta. Então, eu vou contar pra você exatamente o que eu digo pra elas. É excitante quando uma nova conquista sussurra algo escandaloso no meu ouvido, mas nada me emociona mais do que o som da voz do meu marido quando eu ouço: "Ei, baby, eu estou em casa."

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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