OPINIÃO
12/02/2014 15:12 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Praça Seca está em guerra (VÍDEOS)

Reprodução/YouTube

Ontem às 21h meu pai me ligou e disse:

"Filha, não vem para casa. A Praça Seca está em guerra."

Bairro relativamente pequeno, localizado em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro. Uma das regiões que será contemplada pelo corredor expresso que liga a Barra da Tijuca até o Aeroporto Internacional Tom Jobim. Mais uma obra que visa "melhorar a cidade". Mais um projeto da Copa. Nesses últimos dias, dois jovens negros daqui do bairro morreram. A favela desceu. Sei que esse projeto que citei não visa melhorar a segurança, mas os projetos de segurança pública que acompanham esse "desenvolvimento" da cidade, como a UPP e outros, também não.

Já não é de ontem e nem de anteontem que essa violência acontece na Praça Seca. Vim morar aqui em 2011 e, desde então, vejo isso acontecer: tiros, mortes, desigualdades. Aliás, em que lugar do Rio de Janeiro não tem desigualdade? Em que lugar do Rio, essa cidade que não é nada maravilhosa, não tem morte, violência?

Depois que dois jovens do bairro, que não tinham nenhuma passagem pela polícia, foram assassinados pela polícia, o morro desceu querendo justiça. O morro desceu porque não dá mais para viver com tanta violência. E o pior: violência de quem deveria nos proteger, a Polícia Militar. Infelizmente, desde muito tempo, não temos mais um corpo público que zela pela nossa segurança. Temos um corpo que coloca a nossa segurança em risco, que é exatamente o que sentimos quando estamos diante da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Seja onde for: na favela, no asfalto. Nunca estamos seguros com a polícia.

Sabemos que o problema de segurança pública do Estado do Rio, principalmente na grande cidade que sediará a Copa do Mundo ainda este ano, está diretamente ligado a questão da desigualdade social. Quando a segurança de uma pessoa está ameaçada, a segurança de todas as outras pessoas está em perigo. Enquanto trabalharmos mais para o capital girar e menos para que a democracia aconteça de fato, que tenhamos direitos básicos distribuídos igualmente para todos, justiça para todos, o problema de segurança e desigualdade só vai ficando cada vez pior.

O jornal O Globo noticiou: "tumulto". Não é tumulto. É revolta!

Aproveito para fazer um convite. Amanhã, quinta-feira, às 15h, acontece na Maré, no Observatório de Favelas, um encontro organizado pelo coletivo Igualdade Racial e Gênero.

O tema é: qual o lugar do corpo negro?

Um pouco do que aconteceu esses dias por aqui. Vídeos que moradores e imprensa divulgaram:

- Bradesco quebrado:

Agora veja essa matéria até o fim, escute as versões de moradores e família e tire sua conclusão:

- Uma pessoa morre e outra fica em estado grave em protesto na Praça Seca:

Desde o ano passado, os moradores da Praça Seca reclamam da crescente violência na região.

- Tiroteiro na Praça Seca/Ipase e Chacrinha - 17/11/2013:

- Tiroteio na Praça Seca deixa moradores em pânico

- Tiroteio no Batô / Chacrinha - 16/11/2013:

- Tiroteiro dia 30 de dezembro de 2013

- Tiroteiro dia 22 de janeiro:

- Tiroteio 4 de fevereiro de 2014-02-12:

- Tiroteiro 3 de fevereiro: