OPINIÃO
28/03/2014 07:05 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Periferia em cena e a potência nas músicas de Marcão Baixada (VÍDEO)

Reprodução/Youtube

Influenciado por Mos Def, Wu-Tang Clan, Nas, Jay Z, Pharrel e Kanye West, Parteum, Black Alien, BNegão, Marcelo D2, Átomo, Dudu de Morro Agudo e Léo Da XIII e inspirado por Miles Davis, Nina Simone e Seu Jorge, Marcão Baixada, rapper, músico e produtor, de 20 anos, acabou de lançar o seu clipe Baixada em Cena e está trabalhando a todo vapor no "Geração 90, o Bug do Milênio", seu álbum de estreia, que vai fazer um comparativo com o rap e a tecnologia; retratando a sonoridade do rap dos anos 90 e a transformação que essa sonoridade sofreu com os anos 2000.

Marcão conheceu o rap aos 8 anos, mas seu contato com o gênero era muito superficial. Com 9 pra 10, fez aulas de guitarra e começou a escrever poesias e participar de festivais da escola. Aos 13, iniciou a vida no basquete e foi nessa época que teve um maior contato com o Hip-Hop. "Vi que o rap era uma forma de expressar as minhas poesias em forma de música, além de ser um instrumento de afirmação pessoal para mim, enquanto negro de classe média baixa e enquanto ser humano", disse.

Além do rap, ele toca guitarra e faz beats. "Aprendi a dominar um pouco da arte do DJ e me arrisco em discotecar em algumas festas; e atualmente também tenho me dedicado à mixagem e masterização de músicas", disse Marcão que, além dos sons, também é professor de montagem e manutenção de computadores. "Estou dando aula em um projeto que visa trabalhar com o reaproveitamento de peças que ainda funcionam de computadores defeituosos", contou.

No cinema, Marcão se prepara para compor a trilha para um longa-metragem e já tem uma música junto com o Léo Da XIII como trilha sonora do curta "Sorriso de Farmácia", do Cinema de Guerrilha da Baixada. "E esse mês ainda sai o disco do grupo Cartel MCs, onde tem uma faixa deles com o D2 e eu assino a produção".

Antes do rap, ele tocava pop rock e fazia parte de um ministério na Igreja Católica. O Rap entrou em sua vida e Marcão logo se identificou com estilo de vida do mundo Hip-Hop. "Vi que era algo que eu tinha que fazer, pois reforçava o meu pensamento, o meu comportamento", disse ele que, em seu trabalho solo, já lançou dois singles e um EP. "Não sei quantas músicas escrevi ao certo, tô sempre escrevendo, mas nem tudo eu gravo. Colaborei com 4 álbuns do Movimento Enraizados e lancei um álbum com o grupo #ComboIO. Já fiz participação com o grupo U-Sal, com os rappers Ricky B, Uzy Down, Tazer e Timal Still, todos da França, entre outros artistas".

O trabalho com maior visibilidade atualmente é o seu clip "Baixada em Cena", feito pela produtora Pitanga Audiovisual, fundada por Higor Cabral e Camila Guimarães. Marcão disse que eles tiveram a ideia e fizeram, levando 2 dias pra filmar, um dia em Setembro e outro em Outubro. Escolheu o BNH, em Mesquita, por ter sido criado lá e carregar na memória lembranças de todos os tipos. "Isso foi essencial pra saber o que sou, aonde estou e o que quero. A nossa meta era filmar em uma plataforma de trem da SuperVia, mas a empresa não teve muita abertura para negociar com a gente. A pessoa que me contactou parece não ter entendido que se tratava de uma produção independente, onde não rolou nenhuma grana e os equipamentos foram emprestados. Então o Calçadão de Nova Iguaçu caiu como uma luva, por ser um local emblemático da região, foi um plano B que virou Plano A. Os resultados do clipe são a mini tour #BaixadaEmCena e a boa repercussão que ele está tendo na mídia dentro e fora do Hip-Hop, além de alcançar pessoas que não conheciam meu trabalho e até mesmo as que não tem contato com o Rap", contou.

Quem o acompanha, sabe que ele sempre utiliza a Baixada Fluminense como cenário principal de suas canções. Segundo Marcão, essa motivação existe porque ele acredita no potencial de cada pessoa que vive na Baixada. "Faço minha arte aqui porque é o meu lugar de origem, não posso renegar isso e sem contar que Baixada remete o cenário onde a cultura Hip-Hop surgiu, o Bronx. Um lugar que sofre com o descaso, com o extermínio da juventude negra, com a pobreza, longe da capital mas serve de mão-de-obra pra ela, mas ao mesmo tempo é um lugar repleto de potencial, só basta que as pessoas saibam disso e tenham acesso aos equipamentos certos para exercer suas potencialidades".

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8/5 @ Cineclube Digital | SESC Nova Iguaçu