OPINIÃO
19/06/2014 10:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:44 -02

Afonso Maurício Linhares: um guerreiro não morre

Estava ouvindo o Canto das três raças quando soube que o Afonso Maurício Linhares morreu ali em Manguinhos, uma comunidade que fica um pouco mais de cinco quilômetros de um dos palcos principais da maior festa de futebol do mundo, a Copa do Mundo, de todo mundo.

Estava ouvindo o Canto das três raças quando soube que o Afonso Maurício Linhares morreu ali em Manguinhos, uma comunidade que fica um pouco mais de cinco quilômetros de um dos palcos principais da maior festa de futebol do mundo, a Copa do Mundo, de todo mundo. Ali, bem pertinho do Maracanã.

Lá se foi Afonso Mauricio, 25 anos: jovem, preto, trabalhador, favelado. Vai entrar para o número de jovens negros mortos pela polícia. Vai ser noticiado como "confundido com traficante". Não existe justiça para preto, mas a gente vai lembrar, a gente vai falar.

Afonso estava num jogo de futebol minutos antes de levar um tiro. Teve protesto. Favela não se cala, favela não engole injustiça.

A gente nunca sabe quem vai ser o próximo, mas sabe que vai ser próximo. É histórico, é atual, é agora. Todo dia a gente tem uma cidade menos nossa com um projeto de segurança pública que mata. Atravessar a cidade, jogar futebol, dar um rolezinho na cidade com medo de morrer por quem deveria nos proteger.

Uma polícia que não preza pela vida não deve existir. No mais, não é despreparo. A gente sabe qual o nome disso.

Força para toda a família de Afonso Maurício.

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