OPINIÃO
29/07/2014 10:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Conversamos com Adore, Bianca e Courtney - as três finalistas de RuPaul's Drag Race (VÍDEO)

Apesar do tempo corrido, pois a agenda delas é tão ocupada quanto a das popstars mais famosas do momento, elas falaram sobre detalhes da competição, identidade e gênero, Spice Girls, e, claro, não faltaram bons momentos de shade.

Divulgação

Depois de nossa exclusiva com Dita Von Teese, conversamos essa semana com as três finalistas da última temporada de RuPaul's Drag Race: Adore Delano, Bianca Del Rio (que ganhou a edição) e Courtney Act. A entrevista foi feita enquanto se arrumavam em um rápido intervalo entre eventos. Apesar do tempo corrido, pois a agenda delas é tão ocupada quanto a das popstars mais famosas do momento, elas falaram sobre detalhes da competição, identidade e gênero, Spice Girls, e, claro, não faltaram bons momentos de shade (incluindo em mim quando perguntei para elas qual seria meu nome de drag queen). Para assistir a entrevista completa, basta clicar no vídeo abaixo:

O reality show é um fenômeno. O programa que coloca drag queens para competirem em busca do título de "America's Next Drag Superstar" e 100 mil dólares, já caminha para sua sétima temporada - fora uma edição "All-Stars", com competidoras que não conseguiram levar a coroa em temporadas anteriores. Apesar de passar no canal a cabo americano Logo, o programa estourou mundialmente. Seja pelo Netflix, exibições em canais pagos de outros países (como a VH1 exibiu por aqui com o nome de "RuPaul e Corrida das Loucas"), ou por downloads ilegais mesmo.

"[Fazer] drag é libertador. Eu me lembro quando era mais jovem e usava maquiagem na escola, porque eu sofria bullying, e era como se eu fosse um super-herói" diz Adore, que já competiu no American Idol, antes de fazer drag profissionalmente, como Danny Noriega. Recentemente ela fez história sendo a drag queen que conseguiu a posição mais alta nas paradas da Billboard com seu álbum de estréia "'Till Death Do Us Party".

Ao ser questionada sobre a primeira vez que fez drag, Bianca disse: "Eu estava na escola, e tive a oportunidade de participar de um show de talentos, e eu queria ser o Boy George porque ele usava maquiagem. Aí eu percebi que era apenas um palhaço vestindo uma camisola, e estava arrasando. (...) O que eu descobri sobre drag é que o objetivo não é conseguir a atenção [das pessoas], mas conseguir essa atenção, mantê-la, e fazer isso funcionar." Além de ter vencido essa edição, Bianca que se descreve como um "palhaço erótico", começa no segundo semestre sua turnê de stand-up "Rolodex of Hate" - que já está com ingressos esgotados. Além disso, ela continua a terminar de arrecadar fundos para produzir o filme "Hurricane Bianca".

Courtney Act que recentemente lançou seu single "Mean Gays" e atualmente trabalha no seu álbum de estréia com produções do Jake Shears do Scissor Sisters, também já era um dos rostos mais conhecidos do público pois tinha participado do Australian Idol. Quando ela resolveu fazer a audição do programa, foi primeiramente fora de drag, mas não passou. Voltou no dia seguinte, em drag, e se tornou uma finalista no reality show musical. "Eu recebi um e-mail de um garoto que disse que me assistia no Idol, e estava pensando em acabar com sua própria vida. Ele não sabia se era gay ou hétero, mas sabia que era diferente e ele me via na televisão sendo diferente. Como era ok para eu ser diferente, era ok para ele também ser. Então ele decidiu continuar seguindo em frente. (...) Uma das coisas mais legais agora, é quando as pessoas te dizem que você impactou a vida delas de alguma forma positiva só porque você está fazendo o que ama fazer".

Um dos vários pontos positivos do programa é que ele ajuda a valorizar para o grande público a arte de se fazer drag. Em "RuPaul's Drag Race", elas precisam fazer figurinos, cantar, dançar, atuar, desfilar, e até comédia. Uma mistura de talentos e habilidades que vão muito além do que outros reality shows costumam mostrar no ar e como audiência, podemos conhecer diversas possibilidades de trabalhar essa forma de expressão. Além disso, existe um foco dentro do programa de conscientização. São ressaltadas questões de aceitação, identidade, gênero e amor próprio. Afinal, como diria RuPaul: "Se você não consegue amar a sí próprio, como diabos você vai amar outra pessoa?".

Nota: o colaborador do Brasil Post, Denis Pacheco, escreveu um artigo muito bacana sobre a série chamado "Quando assistir RuPaul se torna um ato político". Vale a pena ler.

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