OPINIÃO
29/05/2014 10:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

A verdade surpreendente sobre por que os casais felizes são felizes

Eles fazem com que pareça fácil, não?

Sabe do que estou falando: aqueles casais bem-humorados que você vê batendo papo na fila do supermercado, de mãos dadas no cinema -as pessoas que estão casadas desde sempre e ainda conservam aquele brilho no olhar.

Você já se perguntou como é que eles conseguem? O que eles sabem que eu não sei?

Na época em que eu estava passando por tempos difíceis no meu casamento, todo o mundo me parecia mais feliz que meu marido e eu. Em cada esquina, em cada café havia um casal que parecia estar emanando arco-íris. Era difícil imaginar esses casais discutindo sobre as coisinhas idiotas que causavam problemas constantes entre meu marido e eu: quanto detergente colocar na máquina de lavar louça, como arrancar mato do jardim. Discutindo sobre quem começou a discussão.

Talvez os casais mais felizes fossem compatíveis desde o primeiro momento, pensei. Ou então fossem mais inteligentes ou tivessem tido mais sorte na escolha do cônjuge. Talvez seus casamentos tivessem vindo com manual de instruções. Talvez eles fossem melhores em seguir as instruções.

Ou talvez não.

Embora seja verdade que alguns casais tenham descoberto ou entendido algumas coisas sobre como parar de discutir ou sobre não criar um caso federal em torno de cada coisinha tola, enquanto alguns são capazes de falar de questões altamente delicadas sem explodir, a verdade é que aquilo que faz os casais felizes é algo que nunca tinha passado por minha cabeça.

A verdade surpreendente sobre os casais felizes é que...

Eles não são felizes sempre.

Não, pelo menos, felizes 24 horas por dia, aquela felicidade de fazer a pessoa pular de alegria. Na realidade, a maioria dos casais bem-sucedidos que conheço admite abertamente que um deixa o outro maluco.

E não um pouco maluco - muito.

Estou falando de fantasiar em viver em duas casas separadas ou que o cônjuge aceitou um emprego na Sibéria ou foi sequestrado por extraterrestres.

Algumas das pessoas já fantasiaram com opções até mais sinistras que essas.

E tem mais: elas se dispõem a falar disso de uma maneira que não faz nenhum dos dois querer esconder as facas de cozinha.

As pessoas que vivem felizes com seu par não vivem dizendo "eu te amo", nem iniciam cada discussão com uma expressão de gratidão. Não sentem a terra tremer cada vez que fazem amor, nem esperam que isso aconteça.

Às vezes, trocam palavras iradas, saem batendo portas ou fazem expressões de frustração. Às vezes, vão dormir com raiva ou uma delas dorme no sofá.

Às vezes, se parecem exatamente com os casais infelizes, pelo menos por fora.

A diferença, conforme descobri, é o que elas fazem por dentro.

Os casais felizes:

1. Não se assustam com os obstáculos. Quando se veem diante das dificuldades inevitáveis, os casais felizes não se assustam. Não dizem "nosso relacionamento está difícil demais", "somos incompatíveis" ou "vamos nos divorciar".

Em vez de fugir de suas dificuldades ou protestar contra a existência delas, eles adotam uma postura do tipo "enrolar as mangas e pôr mãos à obra", cientes de que estão juntos para o longo prazo, que não há como fugir de problemas no relacionamento e que os problemas não vão desaparecer sem que se faça algum esforço para isso.

2. Aceitam que decepções são inevitáveis. Como casais, precisamos encontrar um ponto de equilíbrio entre as ideias aparentemente contraditórias de que devemos tentar ter o que queremos em nosso relacionamento, ao mesmo tempo em que sabemos muito bem que não é possível ter tudo. Tudo bem ter altas expectativas para nós mesmos e também lembrar que mesmo o melhor parceiro do mundo de vez em quando nos decepciona. Não gostamos de sofrer decepções, mas precisamos aprender a encará-las sem nos abalarmos.

3. Protegem seu relacionamento. Se você pensar em seu relacionamento como algo precioso, que acontece apenas uma vez na vida, faz sentido comportar-se de maneiras que alimentam e protegem o relacionamento.

Os casais felizes sabem que suas palavras e seus atos têm impacto, então tomam cuidado antes de falar ou agir. Sabem, por exemplo, que numa briga podem levantar a voz, mas não xingar; que podem resmungar e ficar tão mal-humorados quanto quiserem, mas, se forem verbalmente agressivos, isso já transgride a linha do que é aceitável.

Se eu uso a palavra teimoso, meu marido se sente criticado. Mas ele não se incomoda nem um pouco se eu digo que ele está sendo persistente. Quanto a mim, ele sabe que, a não ser que a casa esteja pegando fogo, não quero falar de nada que me deixe chateada ou triste antes de ir para a cama.

Sermos guardiões de nosso relacionamento não significa pisar sobre cascas de ovos ao tratar de questões importantes, nem concordar com coisas a contragosto apenas para evitar discussões. Significa ter a intenção de ser o mais gentil e respeitoso possível, ciente de que isso fomenta a confiança e a boa vontade.

4. Brigam sem ódio. Uma coisa é se aborrecer com seu marido ou sua mulher por algo que ele ou ela fez. Outra coisa inteiramente é expressar sua irritação com desprezo. Algumas pessoas podem ter dificuldade em separar as duas coisas - em condenar a ação sem condenar o ator.

Se você tem um o hábito de entrar em brigas para lutar até a morte, se você parte para cima de seu parceiro com a intenção de ferir, saiba que essa guerra de vocês deixará baixas, que podem ser um de vocês, vocês dois ou possivelmente o próprio casamento.

5. Sabem consertar quando é preciso. Nenhum relacionamento é livre de dificuldades ou conflitos. Por mais que possamos ter boas intenções como parceiros, nenhum de nós é candidato a santo. Em vista disso, aprender a consertar as coisas é essencial.

Não existe receita que sirva para todos os casos, mas um conserto começa com uma pessoa buscando aproximar-se da outra com a intenção de curar feridas. Nos casais que dão certo, as pessoas conseguem pedir desculpas, conseguem perdoar e reconhecem sua participação nos problemas.

6. Reconhecem que algumas diferenças nunca serão resolvidas, por mais que eles se esforcem para isso. Pesquisas revelam que 69% dos conflitos conjugais são insolúveis, não importa como os abordamos, não importa com quanta delicadeza pedimos.

Quando eu soube disso, a primeira coisa que pensei foi "que alívio!". Depois pensei: "Isso quer dizer que nunca vou convencer meu marido a pendurar o casaco dele?"

Todo casal tem seus conflitos perpétuos, baseados nas diferenças fundamentais que existem entre as duas pessoas - diferenças entre suas personalidades, suas preferências e seu jeito de encarar o mundo. São diferenças que, infelizmente, nunca vão deixar de existir.

Em lugar de ter uma atitude tipo "oh, não!" quando surgem problemas recorrentes, os casais felizes têm uma atitude "oh, isto daqui de novo". Em vez de repetidas vezes tentar e não conseguir chegar a um acordo, eles reconhecem que o problema é insolúvel e o abordam com aceitação, e, melhor ainda, com bom humor.

Se você estiver tendo dificuldades em seu casamento, anime-se. Mesmo que as coisas estejam péssimas entre vocês dois, mesmo que a relação esteja periclitante, se você quiser ter um casamento mais satisfatório, experimente. A diferença entre os casais infelizes e os felizes pode não ser tão tremenda quanto você pensa.

Por que não escolher um item desta lista? Por que não começar hoje?

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