OPINIÃO
25/03/2016 21:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Síndrome do pânico: perigo real e imediato

Andrea Zanchi via Getty Images
Man desperate and alone in the dark

Júlio Ferraz, um atleta, campeão mundial de halterofilismo, relata um caso aterrorizante para ele.

A ansiedade do dia intenso da sua prática desportiva provocou, segundo ele, a pior crise da síndrome do pânico que ele já teve.

Após o evento, logo no início da viagem de ônibus que o levaria de São Paulo para Curitiba, foi acometido pelo transtorno. Ao perceber a crise se manifestando, uma mulher - aparentando ter aproximadamente 60 anos - por ter passado por experiências parecidas, não hesitou em ajudá-lo. Se não fosse a intervenção daquela passageira, a situação ficaria ainda mais crítica.

Este mesmo atleta teve outras experiências nada agradáveis da manifestação do transtorno. Em um show da banda de rock Barão Vermelho no Rio de Janeiro, ao aproximar-se da multidão, o prazer de ouvir a sua música preferida, deu lugar ao desespero e ao medo.

Medo de gente, medo de tudo.

Sua única alternativa foi, abruptamente, empurrar todo mundo que via pela frente e correr em direção ao nada. Vontade de sumir. Ficou em um local ermo e escuro. Se apoiou em um poste até que a crise passasse. Mais calmo, caminhou alguns quilômetros e depois pegou um ônibus que o levaria direto para casa.

A síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade, cujo sintoma principal é a de um falso alerta para uma possível situação de que algo extremamente ruim está para acontecer, mesmo que não haja qualquer ocorrência alarmante. É o medo realimentado que gera ainda mais medo.

Uma série de sintomas identifica que o transtorno está a caminho em ritmo galopante, tais como: dificuldade para respirar, taquicardia, dores no peito, palpitações, sudorese, sensação de formigamento nas mãos e nas pernas, náuseas, dores abdominais, tonturas e calafrios. Tais ocorrências podem evoluir para um desmaio momentâneo.

A manifestação da síndrome do pânico são sinais evidentes de que você está constantemente tentando se manter forte o bastante diante das agruras da vida, mas um dia este eixo de equilíbrio se rompe, ocasionando uma súbita desorientação.

A síndrome do pânico, além de embaraçoso, pode afetar a vida profissional e social, caso não seja tratada a tempo.

A ciência ainda não encontrou uma resposta plausível para as causas da síndrome do pânico, mas sugere que fatores hereditários (genéticos) possam desencadear o transtorno.

Estudos também apontam o estresse como o principal causador do transtorno. Indivíduos de temperamento forte e com dificuldades para administrar situações inesperadas que possam ocorrer fora de um eixo de rotina são mais propensos a adquirir a síndrome.

É na idade adulta que começam os sintomas, principalmente em pessoas do sexo feminino que são impactadas por um histórico de agressões familiares, abusos sexuais constantes, situações traumáticas e até mesmo a perda de um ente querido.

Quem sofre com o transtorno nunca sabe quando será a próxima a crise. Em qualquer lugar, em qualquer hora. Os ataques duram em torno de 10 minutos a meia hora.

A síndrome do pânico pode bloquear até mesmo as atividades mais corriqueiras da vida a ponto da pessoa não mais se sentir segura fora de casa, desenvolvendo a chamada "agorafobia" (medo de lugares abertos).

Mesmo que a síndrome se manifeste esporadicamente, o melhor a fazer é procurar uma orientação médica que irá realizar uma bateria de exames (exame de sangue, hipertireoidismo, coração, etc.), para verificar se há causas orgânicas no transtorno.

Acompanhe três estratégias emergenciais que irão combater o transtorno em seu processo inicial:

1- Quando a síndrome começar a se manifestar é importante pedir para que alguém faça companhia para você por alguns minutos. Estar na presença de uma outra pessoa faz com que o paciente se distraia e se sinta mais seguro.

2- Faça análise regularmente. O analista investiga e detecta os possíveis conflitos que geram a ansiedade e consequentemente desencadeia o transtorno. Comprovadamente, em alguns casos, após as sessões de análise, a síndrome não se manifesta novamente, podendo o paciente ter uma vida normal.

3- Faça um exercício de respiração. Inspire e expire bem devagar. Como a taquicardia é um dos principais sintomas da manifestação do transtorno, o exercício respiratório normaliza os batimentos cardíacos e, consequentemente, elimina a falta de ar.

Willy Schumann é jornalista, psicanalista e palestrante

willyschumann@hotmail.com

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