OPINIÃO
23/10/2014 15:13 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

O bom moço da cozinha britânica

reprodução

O chef britânico Jamie Oliver continua fazendo o maior sucesso. Seus livros e programas de TV estão na lista dos mais vendidos no mundo todo. Sua ascensão começou em 1996 quando ele fez uma rápida aparição em um programa de TV da Inglaterra falando de um prato que estava preparando no bistrô onde trabalhava. A produtora do documentário pode observar o extraordinário potencial do desconhecido Oliver em frente às câmeras, a partir daí ele não parou mais. Foram dezenas de livros e programas de TV apreciados no mundo todo pelo seu jeito carismático e criativo de cozinhar. O auge da carreira veio com o programa "Oliver's Twist", com uma série de reportagens para a BBC de Londres onde desvendou a culinária italiana.O badalado chef esteve à frente de uma campanha para uma alimentação mais saudável nas escolas da Grã-Bretanha e Estados Unidos no combate à obesidade infantil que repercutiu positivamente para compor a sua imagem de bom moço da cozinha britânica. "As pessoas perderam a noção de que a comida é algo importante. As crianças deveriam poder sair da escola e saber preparar um prato simples", afirmou ele. As suas preocupações sociais lhe conferiram a indicação como Membro do Império Britânico pela rainha Elizabeth II em 2003. Durante uma coletiva de imprensa no País de Gales, Oliver polemizou ao afirmar que as mulheres deveriam fazer greve de sexo para obrigar seus parceiros a irem para a cozinha. "Os homens são muito simples. Eles fazem tudo por sexo. Por isso, a melhor maneira de fazer os homens entrar na cozinha é se recusar a fazer sexo até que eles comecem a cozinhar", afirmou o chef.

Enquanto o chef alerta a Europa e os Estados Unidos para os problemas da obesidade infantil, no Brasil a corrupção ainda é um fator de risco para que as escolas públicas tenham uma alimentação saudável. Em meados dos anos 50 o Governo Federal criou o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), responsável pela distribuição de recursos financeiros para levar uma alimentação adequada para os alunos da educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, que estivessem devidamente matriculados em escolas públicas e entidades filantrópicas ligadas à educação em todos os cantos do país. O programa que hoje é gerenciado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), visa atender as necessidades nutricionais básicas dos alunos durante sua permanência na escola e tem como meta principal contribuir para o crescimento, desenvolvimento, aprendizagem e o rendimento escolar. Apesar dos esforços do Governo Federal em promover uma reeducação alimentar criando hábitos alimentares saudáveis, o repasse de verbas destinadas à merenda escolar para as escolas públicas sofrem com a ação inescrupulosa de administradores corruptos que desviam grande parte das verbas e repassam apenas as migalhas, resultando em uma alimentação de má qualidade, com baixo valor nutricional.

Recentemente o Ministério Público Federal (MPF), solicitou que um grupo de fiscais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), fosse até Roraima para monitorar e fiscalizar a merenda servida nas escolas estaduais. A investigação foi motivada em função de uma série de denúncias da imprensa local sobre a má qualidade da alimentação servida nas escolas que passam longe de um padrão de qualidade nutricional aceitável, visto que os alunos recebiam como alimento biscoitos com suco e na semana subsequente biscoitos com bebida láctea. Para piorar a situação verificou-se que as condições de higiene eram precárias e os alimentos estavam com o prazo de validade vencido. Nos últimos anos, o Ministério Público do Estado de São Paulo desmantelou organizações criminosas que há mais de 10 anos atuavam em 57 cidades do estado promovendo o superfaturamento de contratos e recebimento de propinas que envolviam fornecedores de merenda escolares, prefeitos e secretários municipais. As ações das quadrilhas resultavam em uma alimentação insuficiente e de baixa qualidade para os alunos da rede pública de ensino. As investigações do Ministério Público revelaram que outras quadrilhas agiam também no Maranhão, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

Não é só nas escolas públicas que a questão da alimentação saudável e a obesidade infantil estão sendo debatidas. Recentemente Jamie Olivier denunciou uma rede americana de fast food, cujos hambúrgueres eram produzidos pelas partes mais gordurosas da carne de boi e processadas em hidróxido de amônia convertendo-as em recheio do hambúrguer, o que torna o alimento impróprio para o consumo humano. O caso teve grande repercussão e fez com que a rede mudasse a sua forma de produzir os hambúrgueres.

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