OPINIÃO
02/10/2014 16:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

A enfadonha programação da TV por assinatura

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channel surfing with remote...

Na língua portuguesa, o pleonasmo é uma figura de linguagem que identifica uma repetição desnecessária de uma palavra ou até mesmo para enfatizar uma ideia já expressa. Etimologicamente a palavra "pleonasmu" é originária do latim e significa redundância.

Os "vícios da linguagem" acontecem também nos canais de TV por assinatura. A repetição de sons e imagens, sistematicamente, estão inviabilizando o ato de assistir a televisão.

Nos intervalos comerciais ocorre uma exacerbada repetição de chamadas da programação, além dos filmes que teimam em ficar em cartaz por meses seguidos.

O caso se agrava no canal Investigação Discovery. É praticamente impossível assistir a um programa sem causar náuseas no telespectador, uma espécie de consciência subjetiva que identifica um desconforto do organismo ao assistir atrações intercaladas por constantes intervenções de chamadas repetitivas. Um verdadeiro tormento para o assinante.

O foco principal do canal são os documentários sobre crimes e dramatizações do lado obscuro do ser humano. Apesar da qualidade indiscutível destes programas, o canal peca pela massificação de chamadas e comerciais que estão inseridos na programação. Fica impossível acompanhar qualquer atração proposta pelo canal da família Discovery.

Um dos quadros mais repetitivos e entediantes da programação é o "Stupid Suspects", série de vídeos curtos, captados por câmeras instaladas em carros de polícia, circuitos internos de lojas de departamentos e conveniências que mostram a estupidez e trapalhadas de transgressores da lei estadunidense. Esses vídeos não inéditos são exibidos à exaustão durante o intervalo da programação, ocasionando uma espécie de tortura psicológica e imagética no perseverante assinante.

Entre velhinhas assassinas, vigaristas e gêmeos perversos, a agressão maior é para com o telespectador, refém da repetição, falta de respeito e, acima de tudo, falta de bom senso.

Uma programação repetitiva e enfadonha subestima a capacidade de absorção audiovisual do telespectador. A imagem é um produto de consumo vertiginoso e aquilo que já foi consumido ontem, com certeza, não será bem digerido no dia seguinte. É como requentar o que sobrou do almoço vários dias consecutivos. O gosto e o tempero não serão mais os mesmos e, com o tempo, a refeição ficará imprópria para o consumo.

Enquanto os gestores dos canais de televisão por assinatura não apresentam soluções, o melhor a fazer é se apropriar do efeito zapping. Bendito seja o controle remoto.

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