OPINIÃO
27/07/2015 14:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

O promissor lançamento do The Huffington Post Árabe

O Huffington Post finalmente está lançando sua edição em árabe, e tenho esperanças de que ela vá trazer valor e qualidade para os leitores árabes em meio a um oceano de sites, blogs e serviços de mídias sociais que ocupam o nosso universo de notícias.

Nos meus últimos três anos como executivo da Al Jazeera, minha mente estava preocupada com o desafio que as chamadas "novas mídias" representavam para a mídia tradicional. Embora seja um desafio multifacetado, ele se caracteriza pela flexibilidade, rapidez, interatividade e pelos processos de baixo custo dessas novas mídias. Essa vantagens aumentam o apelo da nova mídia para uma ampla gama de telespectadores e leitores, especialmente os mais jovens.

Eu não era o único a me preocupar com o impacto da mídia interativa. Este tópico domina as discussões em fóruns e conferências globais. A mídia interativa abalou a confiança de muitas empresas de mídia e gerou pânico em seus diretores. O modelo hierárquico dessas companhias se viu repentinamente vulnerável diante de um novo modelo igualitário e participativo, que não carrega o peso de burocracias caras e centralizadas. Além disso, o mercado publicitário rapidamente se voltou para a internet, causando perdas de receita e de empregos significativas para as redes de TV globais. No começo, executivos e editores veteranos acolheram a novidade com relutância. Eu costumava sorrir quando ouvia editores-sênior atacando a mídia interativa, chamando-a de infantil, uma moda que seria abandonada pelos leitores e telespectadores uma vez que eles descobrissem a superficialidade e a falta de autenticidade e valor profissional desse novo segmento.

Sendo sincero, fiquei empolgado com a mídia interativa. A vi como uma progressão natural, que só se tornaria mais forte e mais relevante. O que me atraía era a sensação de estar diante de um movimento inexorável, que criaria oportunidades para que pessoas comuns pudessem produzir conteúdo jornalístico. Esse movimento reforçaria a participação democrática na mídia e acabaria com os monopólios corporativos da imprensa, que só se preocupam em acumular mais dinheiro e influência.

Mas também vi na mídia interativa falhas que são parte de sua natureza, especialmente a falta de prioridades editoriais, a disseminação de informações imprecisas e a incapacidade de alguns veículos de contextualizar os eventos. Decidi desenvolver o conceito de "mídia integral", que é combinar as melhores partes da mídia interativa - participação, descentralização, velocidade e variedade - com as melhores partes da mídia tradicional - clareza, prioridades editoriais, profissionalismo e contextualização do noticiário.

Em 2012, participei de um seminário sobre os desafios da mídia tradicional e conheci Arianna Huffington, co-fundadora e editora-chefe do The Huffington Post. Compartilhamos muitas ideias e valores, pois o Huffington Post há muito vem mantendo os padrões da mídia, combinando as mídias tradicional e interativa. Outra distinção do site é ser um produto da internet - não um complemento online de uma empresa de mídia tradicional. Sua forma e seu conteúdo se orientam pelo espírito de participação do público.

Quando Arianna falou sobre sua estratégia de alcance global, oferecendo conteúdo em várias línguas, vi em sua abordagem uma maneira de atingir um objetivo antigo: a população mundial conversando entre si dentro de uma estrutura de diversidade social e cultural, na qual cada país contribui com suas experiências e valores. Dentro dessa estrutura, temos de entender as civilizações como rios únicos, todos desaguando num oceano coletivo de humanidade, pois é essa diversidade que vai nos impedir de cair na armadilha do unilateralismo político e cultural.

Em reuniões nas redações do Huffington Post em Washington e Nova York, além de conversas com os editores do HuffPost ao redor do mundo, senti que somos parte de um projeto que mantém os princípios da mídia integral. Portanto, equilibrando as vantagens tanto da mídia tradicional como da interativa, estamos lançando o Huffington Post Árabe.

O Huffington Post Árabe está sendo lançado em meio a circunstâncias tremendamente complexas, um momento de transição histórico acompanhado por muitas emoções, tensões e enfrentamentos. Apesar de o mundo árabe de hoje não corresponder ao sonho de suas populações, especialmente as mais jovens, temos esperanças de atravessar esse período de incertezas. Não podemos destruir o tecido de nossas sociedades nem plantar a desesperança no coração da juventude. Temos de enfrentar a realidade presente dessa transição, olhando para o futuro.

O objetivo do site é ser uma janela para o futuro, fortalecendo a esperança nos corações dos jovens, o setor mais promissor das sociedades árabes. Para isso, o site será um lugar livre e equilibrado para a troca de opiniões, sem exclusões nem polarização.

A mídia árabe precisa muito de credibilidade e diversidade. Estamos comprometidos com esses princípios por meio de nossas políticas editoriais, implementadas por uma equipe de profissionais que tem experiências e históricos diversos. Eles se unem em torno de uma visão básica: as pessoas são o ponto central de nossa política editorial. Não nos dobramos aos poderosos em detrimento das massas. Abrimos nossas portas a todos que quiserem participar e transformar essa visão em realidade, sejam eles intelectuais, ativistas ou jornalistas. Queremos um diálogo árabe construtivo.

O Huffington Post Árabe não é só um site de notícias, mas uma fonte para uma ampla gama de reportagens sociais, pessoais e científicas, além de um portal para a mídia global. Por ocasião do lançamento do Huffington Post Árabe, espero que busquemos novos horizontes. Espero que construamos essa história, de mãos dadas com nossa audiência árabe e que o site seja uma porta aberta para comunicação, esperança e conteúdo empolgante e valioso.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.