OPINIÃO
18/02/2015 15:51 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

O colapso do capital (ou, quero morrer rica e famosa!)

Jill Chen via Getty Images

Depois do meu último imbróglio amoroso, percebi quão classe média era toda essa dedicação aos relacionamentos e aos meus próprios sentimentos. Tive tempo para esta reflexão depois de ser demitida por passar horas demais stalking meus pretês no Facebook e assistindo aos tutoriais da Camila Coelho durante o expediente (a vergonha! Por que ninguém me avisou que os computadores eram monitorados? Esses porcos capitalistas podem comprar as minhas horas, mas jamais os meus pensamentos mais profundos!)

Como ativista anticapital me convenci, talvez egoísticamente (mas o que importa se é por um bem maior?), de que mais potente (e divertido) do que ocupar o Zuccotti Park em Wall Street ( um tédio!) era levar um grupo de brasileiros desempregados para dar um rolê pela Broadway com uma meta: gastar, gastar e gastar. Sem jamais pagar a conta, claro. Sim, a implosão do sistema capitalista só pode se dar quando se luta com as armas do próprio capital.

Sem máscaras brancas e disfarçados com nossas camisetas do Mickey Mouse, parecíamos inocentes - se não débeis - consumidores da Bloomingdales, munidos da nossa alegria afetada por gritinhos idiotas, que se ouviam cada vez que uma sale era atacada.

Além dos que estavam sem trabalho, participaram da manifestação muitos artistas, com o objetivo de transformar nosso ativismo em performance - e instalação como subproduto (estamos muito animados!).

A jogada é simples. Cada um de nós raspou suas contas bancárias e cheque especial e 'emprestou' R$50 mil de crédito pessoal em instituições financeiras. Cartões de crédito desembainhados, estávamos prontos para a ação. Nossa pegada era, na minha opinião, bem mais ousada que a do Enric Durán (que, admito, foi uma inspiração). Enquanto ele distribuiu os milhares de libras emprestadas para instituições anticapital, nós acumulamos toda sorte de coisas que não precisávamos (comprei dezessete potes de dramatically different moisturizing lotion da Clinique, cosméticos à base de caviar e ouro que aplico em quantidades grotescas, trinta tubinhos pretos da Chanel, quarenta itbags e a loja toda da Apple) para nos refestelar num evento live streaming que culminará com o momento do nosso suicídio coletivo e o colapso das instituições financeiras. Aguarde! Mais informações em breve. Estamos pegando agora o avião de volta para o Brasil.

Que loucura! Transformamos a 1a classe da American num bailinho de carnaval regado a Dom Perignon! Estou filmando tudo com uma das câmeras 7D que comprei - acho que vou morrer artista!