OPINIÃO
23/04/2014 15:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:28 -02

Neurose no feriadão

Para o neurótico, não existe feriado. O superego ou superegos, dependendo do caso, não descansam jamais. Portanto, enquanto o fim de semana prolongado por dois feriados pode ser puro êxtase para alguns, para o neurótico significa mais tempo para sofrer. Além das horas vagas, há também que se lidar com as ideias de diversão e prazer, coisas que nenhum neurótico que se preza sofre incólume.

O bom neurótico sabe que em algum momento, que não tarda, vai pagar pela felicidade a que se permitiu e a que a ele foi estranhamente concedida: como disse sabiamente Schoppenhauer, "a montanha russa sobe, mas logo desce". O momento de deleite costuma ser seguido pela culpa e certeza de que a punição está à espreita. E não é por menos que muitos neuróticos - até mesmo os educados em Oxford e elegantemente vestidos em tweed - preferem o prazer que já vem acompanhado da punição (idas ao teatro, relacionamentos amorosos e outros favoritos do masoquista). Aliás, você conhece algum praticante de sadomasoquismo que deixou de sê-lo? Claro que não, pois o que pode ser melhor do que o alívio de já ter pago (em boa moeda) pelo prazer recebido?

Os meus superegos continuam exigindo a yoga como punição (por drinques a mais ou mesmo um singelo bolinho de fubá), mas há estudos (não saberia dizer as fontes) que pregam o sadomasoquismo como a nova yoga - e no melhor dos sentidos: pode ser uma experiência meditativa e até nos levar a um estado elevado de autoconsciência. Ainda não experimentei, mas #ficaadica.