OPINIÃO
14/11/2014 16:52 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Amar é... perigoso

Patrick Matte via Getty Images

Viver e amar, você sabe, é muito perigoso. Principalmente para neuróticos básicos com acesso à internet (mesmo que não tão) rápida, como eu e talvez você.

Sim, companheiro (a), há perigo na esquina digital.

No que diz respeito ao mundo emocional, os perigos da vida virtual são da mesma natureza dos da dita "real"; são, porém, exponencializados.

Dentre os perigos, o isolamento como padrão para as relações humanas pode não te afetar em grande escala, se você, como eu, já tiver se isolado por conta própria, como defesa de qualquer possível abandono. Mas, a esperança (que, como dizia Nietzsche, é o pior dos males, já que prolonga o teu tormento) não morre. Nem para os neuróticos. Eu e você, no fundo, acreditamos na possibilidade, por mais remota, de alguma salvação.

E munido (a) dessa esperança, você se apaixona (sempre). Mas por um ser que você inventou: um holograma que projeta os teus desejos. E como essa pessoa/holograma também se inventa para existir (sem o forjamento de si próprio e um tanto de autoengano é impossível viver), o espetáculo está montado. É só ir trocando o ator coadjuvante e o cenário (no meu caso: L.Z e a Paulista; Mazen Muhammad e a Palestina; Publicitário Yuppie (um pleonasmo obvio) e a Vila Madalena; Estudante Profissional e a edícula dos pais etc etc etc)

Com o advento das redes sociais, como se o enredo precisasse de mais reviravoltas, você se depara com sujeitos que se autocriam em cima do que já estava construído; sujeitos que só existem, em toda sua glória, naquele universo paralelo (para além das máscaras que ele já usa no dia a dia a fim de suportar a existência)e você aproveita o surto total de irrealidade para, por que não?, projetar a tua própria ficção. Percebe a problemática, companheiro (a)?

No fim do dia, é preciso optar: você quer amar ou ser feliz? A escolha é de cada um. Continuo acreditando que para amar no duro é preciso abrir mão da autoestima. E, vamos e venhamos: para ser feliz, também.

"Óbvio que não!", bradou uma colega dos Neuróticos Anônimos - que frequento ocasionalmente - "sem autoestima você se deixaria atropelar ao cruzar a ciclovia por um carrinho de chica-bom que por ali trafega sem saber da infração. Sem ela, você não tomaria banho, não se depilaria e nem acordaria para mais um dia de trabalho com a esperança (ela, de novo) de que o reconhecimento da sociedade te espera num cruzamento da Avenida Rebouças.

E, aliás, nada é tão óbvio. O mundo é das probabilidades e tanto eu quanto você, mesmo parados em frente ao computador neste momento, nos movemos no bonde do tempo, sem muitas certezas. A não ser uma: a de que viver e amar é muito perigoso.

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