OPINIÃO
08/05/2015 12:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Em defesa dos estudantes sem tempo para dormir

Em muitos dos colégios de ensino secundário no país, as aulas começam às 7h30 ou até mais cedo. Para os alunos, isso implica em terem que acordar mais cedo que a maioria dos adultos precisa acordar para ir ao trabalho. E, para teens ainda em idade de crescimento, essa provação diária não é um mero fator de irritação passageira. Inúmeros estudos e especialistas médicos avisam: o sono insuficiente é uma ameaça à saúde e ao aprendizado de nossos estudantes.

Shutterstock / racorn

Não é segredo para ninguém que os adolescentes dormem muito. Um colegial ainda entorpecido de sono apertando o botão "soneca" do celular é um ritual matinal em minha casa e em muitas outras em todo o país.

Outra coisa comum e corriqueira: em muitos dos colégios de ensino secundário no país, as aulas começam às 7h30 ou até mais cedo. Para os alunos, isso implica em terem que acordar mais cedo que a maioria dos adultos precisa acordar para ir ao trabalho. E, para teens ainda em idade de crescimento, essa provação diária não é um mero fator de irritação passageira. Inúmeros estudos e especialistas médicos avisam: o sono insuficiente é uma ameaça à saúde e ao aprendizado de nossos estudantes.

No mês passado a Associação Nacional de Enfermeiras de Escolas e a Sociedade de Enfermeiras Pediátricas uniu-se à Academia Americana de Pediatria para lançar uma recomendação crucial: que as aulas das escolas secundárias comecem não antes das 8h30, para adaptar-se ao ciclo natural de sono (os adolescentes são programados biologicamente para ficarem acordados até mais tarde e acordar mais tarde).

Elas observaram que 87% dos alunos do ensino secundário sofrem de privação crônica de sono, e isso expõe nossos filhos a riscos maiores de depressão, ansiedade e obesidade, além de acidentes e lesões decorrentes da fadiga. A privação de sono também prejudica sua concentração e performance na escola.

A Academia Americana de Pediatria sugeriu que as razões da privação de sono dos adolescentes são complexas. O fato é que, para a maioria dos estudantes, o "dia letivo" não termina às 15h. Muitos deles fazem atividades extracurriculares patrocinadas pela escola, têm empregos à tarde e enfrentam pilhas de lição de casa que os obrigam a ficar acordados até tarde. Meus filhos teens terminam seu "dia de trabalho" muito depois de meu marido e eu terminarmos o nosso.

Por isso tudo, resolver o problema da exaustão dos estudantes é complicado. Precisamos rever as exigências que nosso sistema de ensino impõe aos estudantes - desde a carga de lição de casa até as obrigações extracurriculares.

Mas mudar o horário do início das aulas seria um bom ponto de partida, porque os benefícios potenciais da medida são fartamente documentados. Por exemplo, um estudo feito ao longo de três anos mostrou que, nas escolas que adiaram o horário do início das aulas diárias, o desempenho e o comparecimento dos alunos às aulas subiram, enquanto os atrasos dos alunos, seus índices de uso de drogas ou álcool e seus sintomas de depressão diminuíram.

Não são apenas profissionais de saúde que estão recomendando a mudança no horário letivo. Políticos também estão dando ouvidos à recomendação. Em março deste ano a deputada Zoe Lofgren apresentou um projeto de lei que pretende determinar que o secretário da Educação estude os efeitos do adiamento do horário do início das aulas sobre a saúde e o desempenho acadêmico dos estudantes secundaristas e que apresente suas conclusões ao Congresso.

É um passo positivo, mas acredito que o impacto maior vai vir das pessoas que conhecem melhor nossos teens sonolentos: os pais e as comunidades escolares. Eu já pude assistir em primeira mão ao potencial das mudanças que partem das bases. Depois que meu primeiro filme, Race to Nowhere, trouxe à tona como nossa cultura educacional de alta intensidade tem efeitos negativos sobre o bem-estar dos estudantes, várias comunidades o usaram como plataforma para reivindicar políticas escolares que priorizem a saúde dos alunos, incluindo práticas mais saudáveis em relação à lição de casa e reformas do horário escolar.

Queremos ver essas modificações adotadas em nível nacional nos EUA. Por isso a equipe que criou Race to Nowhere lançou uma nova Campanha do Sono.

A campanha é acompanhada de um kit de ferramentas, uma folha com informações adicionais e outros dados para ajudar as pessoas a reivindicar o adiamento do horário do início das aulas escolares e difundir os benefícios dessa medida em termos da saúde e do aprendizado dos alunos. Pela primeira vez, também estamos disponibilizando Race To Nowhere instantaneamente no iTunes para ajudar as famílias a ampliar a discussão sobre os horários escolares (e a saúde e o aprendizado dos estudantes) em suas casas e comunidades.

Os adolescentes gostam de dormir e precisam disso. Nós amamos nossos filhos. Vamos nos mobilizar para defender aquilo que eles merecem: uma boa noite de sono.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.