OPINIÃO
09/04/2014 16:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Nossos filhos, a rua, o trânsito...

Getty Images

Na semana passada vi uma matéria no SPTV dizendo que das 1.188 mortes em acidentes de trânsito no ano de 2012 na capital, 45% foram por atropelamentos. Ou seja, os pedestres são as principais vítimas de acidentes de trânsito na cidade de São Paulo. A matéria usava como factual a morte por atropelamento de uma mulher e seu filho que completava 1 ano naquele mesmo dia. Além do enorme pesar por estas mortes, fiquei pensando na rotina da minha casa, com dois filhos pequenos, e vi intensificados meu temor e responsabilidade.

Se tem duas coisas das quais me orgulho são da independência e autonomia do meu filho mais velho (12) para andar sozinho em nossas imediações. Pode parecer pouco ou tolo para alguns, mas considerando a apreensão diuturna que sentimos (tanto a gente quanto eles) com nossos filhos andando desacompanhados nas ruas, me sinto bem feliz com a liberdade e autoconfiança com que ele transita pela vizinhança.

Já há mais de um ano ele vai e volta sozinho da escola, busca o caçula (5) no colégio - compartilhando com a gente a responsabilidade por essa tarefa diária -, passeia com o cachorro, vai com os amigos pra pista de skate. Sei que nossa bolha de classe média nos dá a (falsa?) sensação de salvaguardo, especialmente porque tudo está relativamente perto da nossa casa. Mas, ao mesmo tempo, fico com a sensação que estou contribuindo para o amadurecimento de uma pessoa que vai se apropriando, entendendo e respeitando a dinâmica da rua, por exemplo.

Dia desses, ele comentou, irritado e baseado em sua própria experiência rotineira (atenção, mãe ficando paranoica no recinto!), o quanto os motoristas não respeitam o pedestre e o quanto é importante mais ações de conscientização, comprometimento e educação. E que as pessoas precisam andar mais, deixar o carro em casa, etc e tal. Achei muito maduro, sensível e promissor.

Obviamente, quando junto a percepção elaborada pelo meu filho com a informação divulgada pelo SPTV parece que vou entrar em parafuso e minha primeira vontade é dizer que não é nada disso e que ele vai voltar a colar na barra da minha saia. Mal vai sair de casa, aliás!

Claro que isso não é possível. Nem saudável. E quando penso que, além de pedestre, ele provavelmente também será motorista na vida adulta, invisto na aposta que a maturidade e consciência que ele já desenvolveu vão persistir e se intensificar, fortalecendo sua responsabilidade na condução de um carro e ajudando, assim, a diminuir a ocorrência de tragédias diárias como a dessa mulher e seu filhinho.