OPINIÃO
29/07/2014 18:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

No armário da insegurança

A partir de hoje, eu e mais umas outras mulheres incríveis, super talentosas e criativas, estaremos na Flip perguntando em praça pública: como podemos contribuir e nos apoiar mutuamente para que esses talentos floresçam?

Senta que lá vem post confessional!

Fui uma criança precoce. Ao menos, pra época em que fui criança. Falei muito cedo, por exemplo. Segundo a minha mãe, comecei a soltar frases completas e complexas antes dos 2 anos de idade. "E nunca mais parou!". Ai, ai. Adoro quando ela faz esse complemento. #SQN

Mas, sim. Eu falo muito mesmo.

Aprendi a ler e a escrever sozinha, ao redor dos 4. Hoje em dia, isso já nem é tão incrível assim, mas há quase 40 anos, foi tipo "oh, minha filha é um gênio!" Sabem de nada, inocentes! Bom, o caso é que, com isso, me interessei por tudo o que envolvesse leitura e escrita desde muito novinha. E por volta dos 5 anos de idade escrevi minha primeira poesia, assim, meio densa, sem rima, sem métrica, mas enfim, uma poesia. Minha. Linda! ;-)

Virei uma mini celebridade na família! O que não é tão trivial quanto parece porque a minha família materna é bem grande, com 30 tios espalhados pelo Brasil (mas, isso é outra historia...). Minha plateia era robusta, senhoras e senhores!

No colégio, virei a "menina das redações e dos textos bonitos," e que fazia "parte" em todas as apresentações, recitando seus rabiscos. Uma exibida, enfim. Tímida que só nos relacionamentos pessoais, mas que transava bem um palco.

Cresci sabendo que queria viver de escrever. Queria ser escritora. Queria ser jornalista. Queria escrever livros, peças de teatro, roteiros de cinema e poesia, muita poesia. Mas, acabou não sendo bem assim. Quer dizer, fiz faculdade de jornalismo num tempo em que isso ainda fazia algum sentido e até tento viver de escrever, mas ainda estou longe de ser a escritora que jurava que seria quando chegasse aos 40.

O que houve com a segurança que eu sempre senti? Em que momento passei a ser tão crítica comigo mesma, fazendo com que a gaveta e a memória do computador virassem muitas vezes o destino final da minha escrita?

Em que momento a minha autocrítica começou a me sabotar? Em que momento meninas auto-suficientes e alegres se transformam em mulheres inseguras e medrosas?

Padeceria eu da síndrome de impostor, talvez? Sabe aquela incapacidade de internalizar nossos sucessos ou competências, como se o reconhecimento recebido não nos fosse devido de verdade? Como se não fizéssemos jus à nossa própria trajetória ou talento e nosso (possível) êxito fosse obra do acaso? Como se fôssemos uma espécie de Forrest Gump da nossa própria vida, casualmente estando no lugar certo, na hora certa, protagonizando quando deveríamos fazer figuração? E pelo que andei lendo, a síndrome acomete mais justamente as mulheres.

Por que? Que momento é esse em que nos desempoderamos de algo que já nos parecia tão definitivo? E como nos reempoderamos?

Nem é tão difícil encontrar algumas respostas, né? E é pra falar sobre isso que me juntei ao movimento #KDMulheres, criado na Casa de Lua, que, ao questionar a visibilidade das mulheres na cultura, especialmente na literatura, levanta estas e muitas outras questões. Questionamos o mercado, questionamos o papel das editoras na carência de mais títulos produzidos por mulheres, nos questionamos e questionamos, especialmente, essa cultura a qual estamos imersas e da qual nem sempre conseguimos escapar que nos exige nada menos que a perfeição.

Quantos talentos temos entocados dentro do armário, também eles se auto sabotando em patamares aparentemente inalcançáveis? Como podemos contribuir e nos apoiar mutuamente para que esses talentos floresçam?

A partir desta quarta-feira, 30, eu e mais umas outras mulheres incríveis, super talentosas e criativas, estaremos na Flip perguntando em praça pública:

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PS: Estamos levando um zine lindo e tchanrã... tem um conto meu publicado nele! \o/

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