OPINIÃO
19/05/2014 16:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Façamos!

Ela mantém os cabelos compridos porque acha mais sedutor. E usa batom vermelho, pernas de fora e não tá nem aí quando comentam que determinada roupa "não condiz com uma senhora". E vai-se embora pro baile, dançar a noite inteira. Beijo no ombro.

Tenho uma amiga muito querida de uns 74, 75 anos que me disse com firmeza da última vez que nos vimos: "Eu gosto de sexo!" Como se isso fosse novidade pra mim. Uma das conversas mais divertidas que tive na vida foi com ela, quando passamos bem uns 40 minutos falando sobre sexo oral. Praticamente um sex and the city intergeracional.

E, no meio da conversa, ela me oferece uma cerveja longneck dizendo: "Toma, linda. Perigueti, que nem nós!" E eu adoro. Adoro que possamos falar de sacanagem com humor e cumplicidade, sem juízo de valor sobre a sexualidade feminina. Celebrando-a. Brindando-a com nossas garrafinhas. Adoro sabê-la assim, tão vibrante, sensual e que proclama com alegria o seu gosto pelo prazer.

Passou por alguns perrengues ao longo da vida, mas sua resiliência me impressiona. E me impressiona também sua capacidade de descer até o chão enquanto canta, debochada que só ela:

O chamego dá prazer.

O chamego faz sofrer.

O chamego às vezes doi.

Às vezes não.

O chamego às vezes roi

o coração!

Morro de inveja. Eu, que acho que nunca na vida tive joelho pra isso!

Aliás, diz a lenda que ela teria cantado essa música (com a mesma coreografia) num programa de calouros lá pelos anos 50 e foi sucesso! Quando estava prestes a assinar contrato, optou pelo casamento. E parou de se apresentar em público. Era comum na época, né? Infelizmente, nem sempre estas duas coisas cabiam na mesma vida. Especialmente, na vida de uma mulher. E ela estava muito apaixonada, escolheu se casar e apaixonada se manteve por mais de 40 anos. Até que enviuvou.

O mundo deixou de conhecer uma cantora super talentosa e muito histriônica, posso confirmar. Quer dizer, vocês deixaram. Porque ainda convivo muito com suas apresentações que, em privado, ela nunca deixou de fazer. Tenho pena docês que não podem assisti-la. ;-)

Como dá pra imaginar, nem sempre sua animação é compreendida. Alguns a acham meio doidinha, o que talvez seja verdade e não deixa de ser um elogio. Somos todas doidinhas! Mas dolorosa mesmo é essa sensação de que, para muitos, seu tesão parece inadequado. "Na idade dela!", pensam. "Seja mais discreta", dizem.

A patrulha é pesada. Afinal, como se fosse pouco uma mulher megafonear que gosta de sexo, ainda tem a. idade. dela. É sexo, gente! Libélulas em bambus fazem. Ela gosta. Ela namora. Ela fica. Ela é livre! E vive e expressa o seu desejo.

E mantém os cabelos compridos porque acha mais sedutor. E usa batom vermelho, pernas de fora e não tá nem aí quando comentam que determinada roupa "não condiz com uma senhora". E vai-se embora pro baile, dançar a noite inteira. Beijo no ombro.

Desse jeitinho mesmo. Na idade dela. Por acaso existe prazo de validade para o gozo?

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