OPINIÃO
16/07/2014 11:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Um plano pós-Copa das Copas

Imagino uma histórica gestão pós-Copa capaz de mostrar ao mundo que somos uma nação de inovadores, assegurando interesse e respeito pelo Brasil. O ambiente é favorável. Temos a perspectiva das Olímpiadas, aprendemos com os erros da organização desta Copa e vivemos um momento em que o mundo todo coloca em xeque o capitalismo do jeito que ele é.

Pool via Getty Images
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JULY 13: Dancers perform during the opening ceremony prior to 2014 FIFA World Cup Brazil Final match between Germany and Argentina at Maracana on July 13, 2014 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Pool/Getty Images)

Com o mundo inteiro ainda de olho em nós, temos a chance única de transformar o "dia seguinte" desta Copa no mais inovador programa de trabalho pós-Copa já visto. Encerrado o torneio, e frente a frente com o "pibinho", com a inflação e com a deterioração da imagem do Brasil, precisamos mais do que nunca dessa guinada de atitude.

O pós-Copa do Japão e da Coreia do Sul em 2002 deixou um saldo de estádios inativos. No entanto, o investimento em tecnologias necessárias para construí-los gerou avanços e ganhos indiretos para os dois países. Na Alemanha, em 2006, os estádios erguidos para a Copa se mostraram úteis no país com as maiores médias de público de futebol do mundo. Já os sul-africanos, anfitriões de 2010, convivem com estádios sem uso, gerando prejuízos aos cofres públicos devido aos altos custos de manutenção.

No Brasil, não podemos permitir que as arenas da Copa se transformem em palcos silenciosos e degradados - não num país que já teve escolas de lata e que precisa de ações em massa para superar suas diferenças. Imagino uma histórica gestão pós-Copa capaz de mostrar ao mundo que somos uma nação de inovadores, assegurando interesse e respeito pelo Brasil. O ambiente é favorável. Temos a perspectiva das Olímpiadas, aprendemos com os erros da organização desta Copa e vivemos um momento em que o mundo todo coloca em xeque o capitalismo do jeito que ele é.

Temos que agir e achar saídas criativas, inéditas.

Precisamos de cabeças boas aplicando efetivamente as ferramentas de inovação e fazendo acontecer. Empresários, consultores, educadores, médicos e gestores públicos terão de trabalhar juntos em prol do país, talvez em um grupo especialmente organizado com esse objetivo, elaborando um plano estruturado de gestão do pós-Copa. Que tal transformar os estádios em centros de difusão da educação? Vale relembrar que a Faculdade de Educação Física da USP funcionou no Ginásio do Ibirapuera até a inauguração de seu prédio na Cidade Universitária, em meados dos anos 1970. Nossos estádios abririam seus portões para oferecer ensino formal aos estudantes (as arenas têm muitos espaços para isso!) e também para dar a eles e a seus pais acesso à arte, à música, às artes cênicas, à fotografia, a cursos de artesanato com potencial para "turbinar" a economia criativa. Temos enorme potencial para ela no Brasil, neste mundo novo no qual a Inglaterra fatura hoje mais com música do que com a indústria, segundo o site UK Music.

Pense em palestras, feiras e exposições. Em mutirões de médicos que poderiam coordenar "campos de bem-estar" atendendo a multidões. Que tal criar "Domingos da Seleção", quando milhares de candidatos a vagas de trabalho seriam recebidos em campo por grandes empregadores, para contratações em massa?

Os custos disso? Bem menores do que as despesas para realizar a Copa. O dinheiro viria, quem sabe, de uma fração da diferença entre os juros praticados no Brasil e a média dos juros em vigor nas dez maiores economias do mundo.

O governo alocaria as pessoas. No que se refere à segurança, as várias polícias e o exército, que ultimamente tiveram que se aproximar, montariam operações especiais, monitoradas pela população, para reprimir e combater o crime.

Ou, ainda, que tal pensar nos estádios como grandes Polos de Inovação? Neles haveria portais para acolher ideias e sugestões dos cidadãos em grandes rodadas de interação com o público. As melhores seriam selecionadas e implantadas, quem sabe, em tempo real, como já ocorre nas empresas mais inovadoras do mundo.

Tudo isso é sonho? Pode ser... Mas, afinal, Copa não é momento para sonhar?

A hora de fazer mudanças não é agora, com as eleições à vista?

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