OPINIÃO
11/12/2015 13:08 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Bola pra frente!

Em períodos de mudanças, as pessoas precisam de mais informações. Querem ouvir e se unir em torno de preocupações comuns. Podemos e devemos nos comunicar mais e melhor. Com comunicação positiva. Com articulação. Partilhando pontos comuns. Apenas mandar filminho da Presidenta Gerenta não é comunicação. É reclamação.

Holly Wilmeth via Getty Images
Woman rock climbing in Vinales, Cuba.

Vivemos um excitante momento de mudanças. Apesar disso, a maioria de nós está desanimada, pensando apenas em como salvar a própria pele.

Calma! Este não é mais um artigo falando de crise neste Brasil de um só assunto.

Ele traz um extrato do que aprendemos ao longo de mais de 20 anos atuando em Gestão de Mudanças nas organizações. Acreditamos que muitos desses aprendizados sejam aplicáveis ao Brasil de hoje, fazendo, talvez, que nos engajemos mais e aceleremos essa transição...

A primeira mensagem é que nós, seres humanos, não fomos "projetados" para mudanças.

Pelo contrário, gostamos de estabilidade e previsibilidade. Quando o horizonte se turva, vêm desconforto e medo.

Li certa vez que o medo é a mais poderosa entre as sensações humanas. E o medo mais comum é o medo do desconhecido.

Mudanças sempre trazem "pepininhos", mas nem por isso são ruins. Cuidado! Tendemos a julgá-las assim baseando-nos em alguns efeitos colaterais negativos, e não nas mudanças em si. E erramos...

A segunda lição é que qualquer mudança, mesmo a mais esperada e desejada, embute uma sensação de perda.

Pense em quando chega o primeiro filho, ou em quando se ingressa em uma nova etapa da vida, como o casamento; sempre há coisas que temos que deixar para trás.

Essa sensação de subtração, clássica dos períodos de mudança, se combina muitas vezes com outro poderoso -- no mau sentido -- ingrediente: a ambiguidade.

Em períodos de transformação, a realidade vira um terreno pantanoso, cheio de perguntas sem respostas.

Somos tomados por uma vontade louca de saber logo, e com clareza, como tudo vai acabar.

Essa mistura de ambiguidade e sensação de perda exacerba em nós o instinto de autopreservação.

Perdemos o foco no que tem que ser feito. As pessoas se fecham em copas.

Até aqui, refiro-me, de forma genérica, à teoria clássica de gestão de mudanças. Mas voltemos à nossa realidade. Ao Brasil, ano 2015...

Sensação de perda. Alguém não está sentindo isso? Perdemos nossa liberdade, por medo da violência que assola nossas cidades. Negócios cambaleiam e muita gente está sem trabalho. Nossa moeda vale menos a cada dia, enquanto os roubos já identificados de dinheiro público chegam a 45 bilhões, aproximadamente.

De outro lado, a ambiguidade nos confunde: como tudo isso irá terminar? Como ficarão os negócios e os empregos? Quem nos governará e, principalmente, quando virá essa definição? Antes do recesso? Depois? 2016? 2017?

Na tentativa de nos livrarmos desta turbulência, deixamos de lado o interesse pela política e pela nossa representatividade. Buscamos atalhos.

Prova disso é o número de pessoas de nossos círculos de amizades discutindo alternativas para deixar o País definitivamente. Notícias ruins, como o desastre de Mariana e o surto de microcefalia, agravam a situação.

Essas reações são, até certo ponto, naturais. Mas o Brasil precisa que façamos a coisa certa, não a natural.

A minha geração viveu outras crises. Na verdade, sempre estivemos meio céticos diante do Brasil dos últimos 12 anos.

Sabemos que temos que arregaçar as mangas e seguir trabalhando. Interajo, no entanto, com muitos jovens profissionais de 25 a 35 anos que nunca viram nada parecido antes.

Alguns inevitavelmente experimentarão o mais amargo sabor da carreira de um profissional: o desligamento.

Mas o que é fazer a coisa certa? Há três estratégias que funcionam e que teríamos que imediatamente adotar.

1. Comunicar-se efetivamente mais.

Em períodos de mudanças, as pessoas precisam de mais informações. Querem ouvir e se unir em torno de preocupações comuns. Podemos e devemos nos comunicar mais e melhor. Com comunicação positiva. Com articulação. Partilhando pontos comuns. Apenas mandar filminho da Presidenta Gerenta não é comunicação. É reclamação.

2. Avançar.

Deixar de lado o "como era bom" e focar no que pode ser feito no curto prazo. Que ações concretas podem minimizar os efeitos da crise que vivemos? Que negócios estão crescendo? O que está realmente ao nosso alcance para minimizar as perdas?

3. Focar no essencial.

Não adianta entrar em batalhas perdidas. Não faremos o dólar recuar. Chega de resmungar e criticar. Isso tudo é energia valiosa desperdiçada. Temos que centrar fogo no que faz a diferença. Planejar as ações da próxima semana, no máximo do próximo mês. No que devemos realmente trabalhar? Quem são as pessoas e os profissionais em volta de nós que podem nos ajudar no agora?

Adotando essas estratégias e agindo com energia e cabeça no lugar, seremos capazes de "desparalisar" o País. De fazer as coisas andarem. De nos movermos concretamente e unidos na direção do Brasil melhor que merecemos.

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