Opinião

A realidade vista do céu

Que imagem passam nossas organizações, nosso bairro, a rotina que criamos para nós mesmos?
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Destroços são rastreados por satélites localizados a milhares de quilômetros de distância; balões da Google fotografam ruas e cidades pelo mundo; drones filmam tudo - de esportes radicais a casamentos. A proliferação desses aparelhos incríveis - há drones movidos a energia solar que podem voar por até cinco anos sem voltar a terra - nos leva a pensar no momento curioso que estamos vivendo. De novas perspectivas e de um redimensionamento do olhar.

E nós, como será que somos vistos do céu? Que imagem passam nossas organizações, nosso bairro, a rotina que criamos para nós mesmos?

Se nosso ponto de observação se deslocou para o alto, talvez tenha chegado finalmente a hora de abandonar uma visão míope e autocentrada da realidade, tão comum em nossos dias, e adotar um novo ponto de vista, mais abrangente e sistêmico. Tempo de jogar luz na força da coletividade e deixar de escanteio o habitual perder ou ganhar individual.

Será que, vistos do alto, somos melhores, mais conscientes? Quem sabe a distância não tenha o poder de atenuar nossos defeitos? Um pequeno exemplo do cotidiano: nós, moradores de São Paulo, sabemos que é preciso economizar água, já que a cidade sofre com a maior seca em oito décadas. Mas, enclausurados em edifícios nos quais o consumo não é medido por apartamento, poderíamos ter a sensação de que não é conosco. Será que é assim que queremos ser vistos lá do alto - como pessoas tão envolvidas no próprio dia a dia que se esquecem de que fazem parte de um coletivo?

É possível extrapolar esse raciocínio do individual para as empresas onde trabalhamos. Que imagem transmitimos a quem nos olha do alto - de unidades isoladas ou de uma teia de conexões inteligentes, interessantes, que não visam apenas o imediato? Será que pensaríamos menos em orçamentos e mais em nos conectarmos em todas as direções? Talvez nos tornássemos mais atentos aos efeitos de nossas atitudes. Espiados o tempo todo, não seria mais possível que, às escondidas, na calada da noite, indústrias descarregassem nos rios a poluição das grandes cidades.

Vistos do céu, gostaríamos de ser redes colaborativas, geradoras de inovação responsável e valor. A tecnologia vem ampliando vertiginosamente as interações entre empresas, fornecedores e clientes. Pense, por exemplo, na produção de um veículo open source. Cada carro é montado a gosto do freguês, em projetos desenvolvidos por profissionais de áreas diferentes, empenhados em manter a rede operando em nome da sustentabilidade de suas ideias.

Já estão mudando as relações entre as empresas, os governos e as universidades. Projetos gerenciados por professores, atuando dentro de universidades, são realizados por equipes com profissionais de diferentes empresas e geridos por governos empenhados no desenvolvimento de tecnologias que interessam ao país.

As redes colaborativas de inovação não servirão apenas para bens e serviços. Servirão, também, para encontrar soluções para a nossa felicidade e a preservação do planeta. Os drones, por exemplo, poderão monitorar desmatamentos. As câmeras de segurança, que hoje são poderosa ferramenta contra o crime, passariam a voar por toda a parte registrando ocorrências e promovendo ações policiais, em vez de ficar fixadas aos postes.

Poderíamos até dizer que o avanço tecnológico desses robôs voadores evocam nossas raízes religiosas e mitológicas, de deuses astronautas que nos observam o tempo todo e de cima.

Como será a sua imagem vista do céu?