OPINIÃO
16/04/2015 18:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

A Escola Inovadora do Futuro precisa começar já

Escolas para a Inovação, Escolas com Inovação, Escolas da Inovação: qual é a que estamos construindo?

Shutterstock / Olesya Feketa

Há alguns dias, assim que comecei uma palestra sobre Inovação e Educação para um grupo de educadores, uma senhora logo me interrompeu: "O que é para o senhor uma escola inovadora, afinal?".

Fechou a pergunta com essa palavrinha traiçoeira que sempre denota objeção e intenção de conflitar mais do que de aprender. Olhei para ela e, não sei por que, lembrei-me da força do trabalho e da paciência dos Jesuítas, esses condutores de educação e inovação do passado.

Transcorreram séculos, mas a luta para convencer pessoas a aderir às grandes mudanças ainda é aguerrida. Os jesuítas muitas vezes respondiam às perguntas e às objeções com outras perguntas. Dizem até que, certa vez, perguntaram a um deles:

-- Padre, por que vocês respondem sempre com outras perguntas?

-- Por que não?, teria respondido o Jesuíta.

Bem, mas voltando à senhora em questão, respondi à moda dos jesuítas:

-- A senhora se refere a Escolas para a Inovação, Escolas com Inovação ou Escolas da Inovação?

Ela fitou-me com raiva e disse:

-- As três.

O tema é complexo e mudanças significativas exigirão abordagens sistêmicas. Vamos lá:

As Escolas para a Inovação são, a meu ver, aquelas que introduzem inovação em sua grade de disciplinas e até de láureas. Há algumas décadas, antes da incorporação por um grupo estrangeiro, a Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, percebeu antes das outras que estava se ampliando rapidamente a demanda por profissionais de áreas novas. Passou então a oferecer cursos de Gastronomia, Alta Costura, Turismo e outras profissões. Inovou na gama de formações.

As Escolas com Inovação colocam-se na vanguarda ao focalizar a forma de transmitir conhecimentos. Muitas usam hoje o poder da web e do conhecimento nela disponível para fazer isso. O Insper, em São Paulo, referência em ensino em administração e economia, é um exemplo.

As Escolas da Inovação miram a ciência. Buscam a produção de conhecimento que assegurará avanço tecnológico e econômico. Esse terceiro conjunto de escolas tem poderosos centros de pesquisa e laboratórios nos quais se desenvolve pesquisa básica e aplicada que leva o País adiante. O desafio reside aqui em aproximar essas instituições da indústria e do mundo dos negócios. Não é fácil, mas é um componente-chave na Revolução da Inovação. No Politecnico di Milano, tradicional instituição de pesquisa na Itália, por exemplo, praticamente não existe desenvolvimento sem um grupo de empresas interessadas patrocinando professores e alunos. O Senai e sua rede de institutos filiados busca fazer o mesmo por aqui.

Já deu para entender quão complexa é a dúvida da senhora perguntadora...

Todos nós reconhecemos que a inovação se faz com pessoas e que as pessoas precisam de conhecimento. A Revolução da Inovação requererá, portanto, profundas mudanças nas escolas, do jardim da infância à universidade. Exigirá corajosa reestruturação nos conteúdos, introdução de disciplinas novas e miscigenação de outras. Fará nascerem centenas de diferentes profissões que ainda não existem hoje, mas existirão quando esses jovens terminarem seus ciclos de aprendizado.

Esses conteúdos terão que ser vividos pelos alunos. Um aprendizado eficaz deve respeitar o princípio do 70/20/10. Ou seja, de tudo o que aprendemos, 70% foi experimentando; 20% foi interagindo com outras pessoas que sabiam mais do que nós; e apenas 10% foi assistindo a aulas tradicionais.

As escolas e, pior, as empresas investem pesadamente nos 10% achando que conseguirão profissionais melhores e mais inovadores... Pensem em quantos jovens estão sentados em salas de aula neste exato momento. Muitas vezes os vejo tarde da noite nos pontos de ônibus, com mochilas e cadernos embaixo dos braços, exaustos, voltando para casa sem nada terem efetivamente aprendido. Que brutal desperdício de tempo e dinheiro bem diante de nossos narizes!

Por fim, a Revolução da Inovação no campo da Educação criará uma realidade na qual todo esse aprendizado será canalizado para descobertas que gerem melhoria da vida das pessoas, do ambiente, do mundo em que vivemos. A indústria, em comunhão com essas escolas do futuro, alimentará o desenvolvimento científico com desafios; ao mesmo tempo, oferecerá suporte e infraestrutura para pesquisas.

Não será fácil aceitar e incorporar mudanças tão profundas. A única alternativa é que os jovens, bem como os empregadores que admitirão esses profissionais, demandem tais transformações.

Que haja espaço para modelos alternativos de escolas como as que mencionei acima. Quem sabe uma escola que acompanhe pessoas de 4 a 50 anos, provendo conhecimento e experiências construtivas e capacitadoras de aprendizado que apoiem profissionais brasileiros no caminho para se tornarem verdadeiros campeões do mundo.

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