OPINIÃO
30/04/2014 13:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:28 -02

Volta Lula e boatos até setembro

Lula nega. Dilma nega. Oficialmente o PT nega. A oposição se agita, os mercados compram e vendem ações, e partidos da base aliada se aproveitam para pressionar a presidente. O mais provável é que essa novela se arraste.

Getty Images
Former Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva (L) and Brazilian President Dilma Rousseff take part in the Congress of the Workers Party (PT) in Brasilia on December 12, 2013. Rousseff must run for reelection next year. AFP PHOTO / Evaristo Sa (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

O mundo político e o jornalismo que gravita em torno dele vivem de boatos, especulações, balões de ensaio.

Até o mês passado, a questão era a entrada ou não de Joaquim Barbosa na corrida presidencial. O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) tinha até 5 de abril para se desincompatibilizar do cargo se quisesse tentar chegar ao Planalto.

Muitos diziam que ele queria, e as múltiplas negativas de Barbosa de nada adiantavam. Até que abril chegou, ele continuou onde estava e as especulações foram enterradas.

Agora é o movimento "volta Lula". Com a presidente Dilma Rousseff em queda nas pesquisas, um site chegou a noticiar que Lula já definiu que será ele o candidato em outubro. Dilma, sua criatura, seria escanteada.

Lula nega. Dilma nega. Oficialmente o PT nega. A oposição se agita, os mercados compram e vendem ações, e partidos da base aliada se aproveitam para pressionar a presidente.

O mais provável é que essa novela se arraste. Eis as razões:

Como todo partido, o PT quer se eternizar no poder. Para isso, fará qualquer coisa, até sacrificar alguém que não tem raízes históricas na agremiação, como Dilma.

Por enquanto, a presidente continua competitiva (está à frente dos demais candidatos e venceria todos num eventual segundo turno). Nesse cenário, o melhor para Lula é ficar de fora. Não correria o risco de voltar numa situação não favorável como a atual e arriscar sua popularidade.

Em seu círculo próximo, sempre lembram do exemplo de Michael Schumacher, corredor de F1 que ganhava tudo, se aposentou no auge e depois voltou para nunca mais obter um êxito.

Além disso, se não concorrer agora, Lula continua a ser uma opção para 2018 e reeleição em 2022. Isso daria ao PT 24 anos de Presidência.

Mas o ano projeta uma série de fatores que podem prejudicar a presidente e sua reeleição:

  1. Que outros escândalos surgirão além dos ligados à Petrobras, a doleiros, deputados e ex-ministros? Dilma herdará o "efeito teflon" de seu criador e passará ao largo dos escândalos?
  2. A inflação dará novo repique? Até que ponto o governo conseguirá segurar os preços administrados? Há cartas na manga a lançar para melhorar o cenário econômico em tão pouco tempo?
  3. A criação de vagas tem caído, o desemprego não cresce porque há menos pessoas procurando emprego. Ainda sobrará o discurso do pleno emprego para a candidata?
  4. Como será o desempenho do Brasil na Copa? E se cair diante de Espanha ou Holanda nas oitavas de final? O descontentamento com os gastos abusivos para a Copa explodiria sem o Brasil na final.
  5. A onda de protesto contra a Copa e contra tudo, que atingiu a popularidade da presidente em junho do ano passado, voltará com força?

Se um ou mais desses elementos colocarem em sério risco a reeleição de Dilma, o PT tem até 20 dias antes do pleito para trocar de candidato. É, segundo o ministro Dias Toffoli, que presidirá o Tribunal Superior Eleitoral, o tempo "de mudar a foto e o nome do candidato na urna eletrônica". Isso significa dia 15 de setembro.

Não há outro nome forte além de Lula. O mais provável é que só em setembro saibamos se o "volta Lula" é fato ou boato.