OPINIÃO
10/04/2014 12:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

O que significam as pesquisas eleitorais

Isso significa que Dilma será reeleita? Não. Significa que será a candidata do PT não importa o que aconteça? Também não. Significa que os investidores estão malucos e vendo coisas que os mortais não vêm? Também não.

EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian President Dilma Rousseff looks on during the swearing-in ceremony of new ministers, at Planalto Palace in Brasilia on April 1, 2014. The new ministers are replacing those who left to run in the October elections. AFP PHOTO / Evaristo Sa (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

As últimas pesquisas eleitorais causaram frisson nos meios políticos e nos mercados. A queda na intenção de votos da presidente Dilma deu esperança aos oposicionistas, e a Bolsa subiu, impulsionada pelas ações de estatais. Segundo uma leitura apressada, os investidores gostariam da saída de cena da petista e de seu modelo intervencionista.

A julgar por alguns blogs, o movimento "volta Lula" ganhou as ruas, e Dilma seria apenas um cadáver insepulto à espera de deixar a corrida presidencial para dar lugar a seu criador.

Mas há razão para tanto entusiasmo? Ao levar em conta apenas os números, não. Tomemos os dados do Datafolha. Dilma de fato caiu. Na pesquisa anterior, de fevereiro, tinha 44% dos votos num cenário em que enfrentasse Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). Agora tem 38%.

É o bastante para ganhar a eleição no primeiro turno, uma vez a soma dos concorrentes é menor.

Em abril de 2006, a situação de Lula, que também tentava a reeleição era parecida. Como Dilma hoje, o então presidente estava rodeado de escândalos - a denúncia do mensalão tinha menos de um ano, e Antonio Palocci, seu homem-forte da economia, havia caído com a crise da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costas.

Lula tinha naquele levantamento 40% das intenções de voto. Geraldo Alckmin (PSDB) vinha em segundo, com 20%, à frente de Anthony Garotinho (PMDB), que alcançava 15%.

O resultado das eleições daquele ano todos sabem. Garotinho nem concorreu (seu partido apoiou Lula), e o petista bateu Alckmin no segundo turno com uma diferença de mais de 20 milhões de votos.

Quatro anos antes, em 2002, Lula apresentava em abril situação ainda pior. Segundo o Datafolha, ele tinha 31% das intenções de voto. Atrás vinham José Serra (PSDB), com 19%, e o mesmo Garotinho, com 15%. Na hora da escolha para valer, o petista foi eleito com 19 milhões de votos a mais que Serra, no segundo turno.

Isso significa que Dilma será reeleita? Não. Significa que será a candidata do PT não importa o que aconteça? Também não. Significa que os investidores estão malucos e vendo coisas que os mortais não vêm? Também não. O mercado vive de apostas e projeções. É assim que se faz e se destrói fortunas.

Significa apenas que ainda é muito cedo para prever o que vai acontecer em outubro. É claro que existe uma grande insatisfação com Dilma (63% dizem que ela fez pelo país menos do que esperavam ,e 72% afirmam querer que as ações do próximo governante sejam diferentes das dela), mas a oposição, por enquanto, não tem conseguido se mostrar como alternativa.

Até outubro, ainda teremos muita notícia, boato, torcida e, claro, pesquisas para animar ou desanimar políticos e o mercado.