OPINIÃO
23/05/2014 10:00 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Mesa para um: por que às vezes é melhor sair sozinha

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Este post apareceu originalmente em Unwritten.

Acho muito saudável passar algum tempo sozinho. Você precisa saber estar só e não ser definido por outra pessoa. -- Oscar Wilde

Ao longo de todas as eras e culturas, uma história comum encontra seu caminho pela vida de todos nós.

Estamos sós. Apaixonamo-nos. Desapaixonamo-nos. Estamos sós.

Quase todas as pessoas vão experimentar esse ciclo familiar ao longo de suas vidas, possivelmente muitas vezes. Nos momentos de namoro apaixonado, abrimos espaço em nossas vidas, em nossos corações e até em nossos quartos para outra pessoa. E é compreensível que, quando essa pessoa sai, sentimos um buraco em nossas vidas. O "Buraco" pode ser doloroso, solitário, triste, desconfortável e digno de um surto de chocolates.

Como introvertida, eu não previa que sentiria a força do "Buraco" de forma tão poderosa. Eu superestimei a força da minha introversão. Literalmente me sentia cada vez mais disposta a me transformar em alguém que eu não era, esperando encontrar alguém rapidamente para preencher o "Buraco". Era como um vício. A necessidade de preencher o vazio. A percepção de que eu estava fazendo isso tornou-se um sinal de neon piscando: "Perigo à frente". De repente percebi que o "Buraco" estava só na minha cabeça. O "Buraco" é uma mentira. Sou uma pessoa íntegra. Não sou vazia. Já estou cheia. Eu apenas tive uma amnésia momentânea devido ao êxtase do amor e à perda subsequente desse êxtase.

O filme "Jerry McGuire" prestou um desserviço à humanidade durante quase duas décadas, com a famosa frase "Você me completa". Essa frase perpetua a mentira do "Buraco". Ninguém nos completa. Já somos completos. Eu já sou completa.

Embora seja extremamente importante contar com amigos e parentes durante o período pós-ruptura, é igualmente importante alimentar, cultivar e adotar relacionamentos com si próprio. Se não fizermos uma pausa para redescobrirmos quem somos, do que gostamos e o que nos faz agir, nós solteiros devastados vamos correr inevitavelmente para mais um relacionamento para preencher a feia mentira do "Buraco".

Então eu decidi namorar comigo. O namoro é uma instituição criada para se conhecer uma pessoa, aprender o que a faz rir e o que a faz chorar, descobrir sua personalidade assim como do que ela gosta ou não gosta, e era exatamente isso que eu precisava fazer comigo. Além disso, um namoro fornece algo para se esperar. No tédio da pós-ruptura, pode haver algo excitante à espera no fim do dia de trabalho ou de estudo.

Eu queria fazer duas coisas: comprar roupas novas para a primavera e experimentar um restaurante indiano local, mas tinha criado muitas desculpas. Estava "ocupada demais", "cansada demais" ou "solteira demais". Finalmente, decidi jogar fora as desculpas e sair comigo mesma em um encontro. Primeira parada, o shopping; segunda parada, o restaurante indiano.

Passei um tempo enorme experimentando as novas modas de primavera. Visitei vagarosamente as lindas seções de joias. Fiquei parada admirando todos os sapatos, um a um. Fiz compras do jeito que gosto. Desfrutei cada segundo de minha aventura consumista, sem ninguém a me perturbar.

Quando cheguei ao restaurante indiano, o dono, muito gentil, ficou surpreso pelo fato de eu querer uma mesa para uma pessoa. "Só você?", ele perguntou, não de maneira recriminadora, mas totalmente confuso. Eu lembrei ao homem mais velho e tradicional que a mesa era realmente só para um. O garçom, mais jovem, se aproximou e quando percebeu que eu era sua única habitante perguntou com uma expressão atônita: "Só você?" Só eu. Devorei grandes quantidades da melhor comida indiana que já tocou minha boca. Não era bonita, mas deliciosa. Apreciei minha companhia imensamente. Eu era uma namorada muito divertida, se posso dizer isso para mim mesma. Descobri que podia facilmente sentar-me sozinha a uma mesa de restaurante. Lembrei a mim mesma de que sou íntegra.

Por isso, todas vocês que estão na fossa da pós-ruptura, vão ao teatro ou vejam o filme que querem ver, passeiem pelo parque e apreciem as flores, vão pintar ou esquiar ou subir em rochas. Namore a si mesma; reconecte-se consigo. Redescubra quem você é e o que alegra seu coração. Lembre-se de que o "Buraco" é uma mentira. Ouse dizer com confiança: "Mesa para uma".

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