OPINIÃO
03/02/2015 17:23 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:17 -02

O poder da empatia revisitado

O que gostaria de propor é que começássemos a (tentar) colocar em prática a empatia como processo real, concreto, de interação com o outro. Nesse processo ouvimos, escutamos para aprender, e sentimos, no máximo, a dor (ou problema) colocado pelo outro. E não julgamos ou (como tem sido frequente nas questões de desigualdade como raça, gênero e sexualidade) contra-atacamos, se dizendo "vítimas de algo contra-que-não-existe".

Zenfolio, or look me up on Google+." data-caption="Explore - 10.07.13This shot was taken at a 30th birthday and the only light source where some large candles on the table, so my camera settings where pushed to the limit to shoot without having to use the camera flash...I know this might not be the best shot in the world because it does have a lot of noise etc, but sometimes the content of the shot means more than the technical aspect of it... Check out my photoblog on Zenfolio, or look me up on Google+." data-credit="Peter Ras/Flickr">

Um tema ou assunto que costumo ouvir e ver muito nos meios na atualidade é empatia. Sim, a coisa, grosso modo falando, de se conectar com o outro. Entender a dor do outro, sentir e estar em conexão. Conexão. Tudo que fazemos hoje, #sóquenão!

Cada vez mais as pessoas estão desconectadas acerca do que estão falando. Isso tem a ver (tudo grosso modo...as coisas são bem mais complexas né...) com o ímpeto e o desejo de falarmos somente sobre nós mesmos para nós mesmos, e de acordo com nós mesmos. Isso não é de todo ruim, se pensarmos que algumas pessoas poderiam ganhar visibilidade, poderiam estar "finalmente" no spot: sendo ouvida, reconhecida, compreendida. Hummm.. Not.

O que vemos é uma sucessão de palcos do eu-isolado, que, conforme sua história, suas vontades e suas regras, liga o megafone (potencializado lindamente nas redes sociais) e desliga o fone de ouvido para não ouvir o que não é eu. O "outro"? Que "outro" que não minha audiência?

Nesse processo perdemos muito com algo bem sério: o outro, de fato. Vozes minoritárias, historicamente negadas de privilégio e prestígio, de lugar e reconhecimento, são silenciadas nessa verve por apenas falar e ouvir o que nós queremos.

"- Ué, mas não tem acesso?" Do que adianta acesso a voz sem ninguém está realmente escutando?

Nesse sentido, um pensamento surge: por que não fazemos o exercício de aplicação da empatia? Por que não tomamos esse conceito em sua real aplicação e não apenas como uma dica abstrata em manuais de auto ajuda?

Em uma breve fala, a pesquisadora norte-americana Brene Brown nos ensina sobre empatia, e como ela seria diferente (e mais interessante) do que é simpatia. Simpatia é não conseguir ver a dor do alheia, tentando tornar positivo (e forçar a barra) sobre problemas que nem estamos tentando compreender. Empatia, por outro lado, se refere ao processo de se conectar com o outro, envolvendo basicamente 4 processos de aproximação: (a) entendimento de perspectiva, (b) reconhecimento da perspectiva do outro como verdade, (c) não julga-las, e (d) reconhecer emoção em outras pessoas, comunicando isso.

O que gostaria de propor é que começássemos a (tentar) colocar em prática a empatia como processo real, concreto, de interação com o outro. Nesse processo ouvimos, escutamos para aprender, e sentimos, no máximo, a dor (ou problema) colocado pelo outro. E não julgamos ou (como tem sido frequente nas questões de desigualdade como raça, gênero e sexualidade) contra-atacamos, se dizendo "vítimas de algo contra-que-não-existe".

Ouvir, escutar. Reconhecer a dor do outro, e a verdade colocada naquela dor, no que outro está sentindo. El@ está falando. Escute. Escute o que @s negr@s estão falando sobre racismo. Escute o que as mulheres estão falando machismo, e o valor do feminismo para lutar contra. Escute o que gays, lésbicas, transexuais e travestis estão falando sobre homofobia e transfobia. Em suma, escute as vozes que, por anos e anos, foram alijadas de representatividade e reconhecimento. São vozes que representam a luta para superação e quebra de privilégios, de desigualdades.

Não é tarefa fácil e muitas vezes é cheia de dores e ouvimos coisas que não gostaríamos de escutar. Empatia é uma escolha de vulnerabilidade. E, nessa escolha, ouvir e entender o lugar do Outro é revolucionário e transformador a partir do momento em que se demonstra ser um caminho viável para quebra de privilégios e silenciamentos, sem "simpatia" ou visão de pena. Simpatia não quebra privilégios, mas sim (consciente ou inconscientemente) os reproduz.

Com a empatia, estabelecemos uma conexão, que vê no outro (uso repetidas vezes esse termo de propósito) alguém a se considerar, escutar e respeitar. No limite, vê nas questões do outro pontos que tangenciam (e acredite: sempre tangencia!) a sua própria vida, sua própria realidade - e de uma maneira que você nunca teria pensado sobre. E talvez, finalmente, possibilita o que todas as pessoas na atualidade sinalizam "querer fazer": se conectar. Só que de verdade.

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