OPINIÃO
27/04/2015 18:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:17 -02

Amor de escolha

Giuseppe Milo/500px
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Tenho ouvido e lido bastante sobre ser e estar só. Não sei se é apenas a organização dos meus feeds e timelines, mas parece ser um dos assuntos do momento. Questões como "A importância de estar bem e só", "a importância de estar inteiro", "a importância de gostar de si, de estar bem consigo mesmo". E em boa parte com o reforço da noção (e em admitir essa noção) de que nós, pessoas, somos e estamos invariavelmente sozinhas. Como indivíduos, somos solitári@s existenciais. Ok.

Apesar de parecer trágico, existe sim lado importante nisso. Acredito que solidão é um momento de crescimento e auto compreensão sobre quem se é, para onde se vai, como as coisas estão fluindo. É, entre outras coisas, aquele momento - quase meditativo - no qual você ouve aquelas vozes internas que te falam sempre (mesmo quando você tenta não escuta-las) e às vezes até gritam. É importante, nesse mundo no qual indivíduo se torna fonte de existência plena, saber ou entender a importância da solidão.

Agora, isso é bem diferente de isolamento. Isolamento é quando não temos conexão com nós mesmos, e isso pode ocorrer de duas maneiras (talvez até mais): com outros ou sozinho. Sabe aquele momento no qual estamos todos numa mesa de bar conectados em nossos telefones, sem necessariamente estar presentes ali, para uma conversa ou olhar. Bom, esse ponto é um tanto polêmico - muitas vezes até tratado de forma romântica, afinal a desatenção ao outro não foi inventada com iPhone e muito menos com Facebook - e não vou caminhar por ele. Prefiro me ater aqui sobre isolamento do solitário.

Estar sozinho, sem entender a dinâmica da importância da solidão, pode levar a alguns equívocos sobre estar sozinho. É aquele ser sozinho por ser sozinho. Muitas vezes como escolha de caminho para se evitar o sofrimento ou a frustração de lidar com o externo, justamente por no externo não temos controle. Ou seja, é a escolha de um caminho de isolamento dentro de si mesmo. A solidão é boa, quando trabalhamos com tudo que externo nos propõe, e encontramos elos e conexões que nos movimentam - seja para mudar, reforçar, repensar, retroceder ou avançar. Fechar-se para esses estímulos externos, criando uma casca ao mesmo tempo que acredita (ou tenta acreditar) que "estar sozinho por si só é a melhor forma de se conhecer" não me parece o real caminho de conhecimento. É preciso conexão com o que está fora de si para também se conectar com o que está dentro. É preciso amor.

Amor? Sim, não falo do amor romântico ou meloso, presente nas canções e livros. Não falo do amor de metades ou da "tampa da panela perfeita". Penso no amor como conexão com outro. Acredito que amor é uma escolha de abertura, assim como empatia é uma escolha de vulnerabilidade. Escolha de um caminho no qual nos abrimos, recebendo estímulos (bons, ruins, estranhos, de toda natureza) e trabalhamos com isso. Conosco mesmo. Crescendo. Aprendendo. Crescendo (de novo). Toda forma de amor nos conecta com algum estímulo que nos ensina, nos evolui. Amor de amig@s, amor de companheir@, amor de família, amor pelo outro a partir de uma causa social ou política. Amor.

Sabemos que estar só é uma condição existencial. Somos sozinhos, isso é irremediável. Ok. Porém, há caminhos e escolhas. Isolamento é um. Amor é outro. Prefiro o do amor. É, talvez, o caminho para tornar nossa existência mais conectada conosco e com o que está fora. Tornar nossa vida com mais sentido, com mais concretude. Inclusive para os momento de solidão.