OPINIÃO
12/03/2014 17:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Um canal para produção de reportagens via financiamento coletivo

O Sujeito é uma plataforma de crowdfunding que coloca nas mãos do leitor a escolha do conteúdo que quer ajudar a produzir, favorecendo um relacionamento de mão dupla, pela primeira vez de forma consistente.

Divulgação

As possibilidades criadas pela internet e as mudanças que elas trazem ao modelo de negócios das empresas de comunicação estão levando ao surgimento de novas soluções para a produção e distribuição de conteúdo. A mais nova chama-se O Sujeito, um canal de financiamento coletivo de conteúdo jornalístico independente, cujo lançamento é nesta quarta, 12.

O mecanismo é simples: o autor apresenta suas ideias de pautas e como pretende desenvolvê-las. Diz qual será o custo e o prazo de produção e as pessoas que se interessarem apoiam diretamente o projeto. O Sujeito nasce como um canal especial do Catarse, a maior plataforma de financiamento coletivo do Brasil.

Qualquer pessoa poderá apresentar projetos de reportagens, não será preciso ser jornalista diplomado. As propostas passarão pela curadoria técnica dos gestores do canal e, caso sejam aprovadas, ficarão online por um prazo que varia entre 20 e 40 dias para receber apoio financeiro direto dos internautas. Esta lógica coloca também nas mãos do leitor a escolha do tipo de conteúdo que quer ajudar a produzir, favorecendo um relacionamento de mão dupla, pela primeira vez de forma consistente.

Desde que o jornalismo nasceu, empresas de mídia são as principais responsáveis pela produção de conteúdo. Este é um modelo estabelecido e que ajudou a fundamentar o papel da imprensa como pilar da sociedade por décadas e décadas. Mas agora a internet mudou este jogo. De uma hora para outra, o indivíduo passou a ser publicador também. Emergiram blogs e perfis nas redes sociais que começaram a fazer, em parte, o papel da imprensa, de divulgar notícias. A própria imprensa tradicional buscou maneiras de se reinventar e aposta cada vez mais no digital.

Com o fortalecimento da troca de conteúdos pela internet, as verbas publicitárias que sempre financiaram jornais e revistas começaram a migrar em um movimento global cuja tendência é favorecer a interação digital no lugar do impresso. Com receitas em queda, as redações começaram a se adaptar, eliminando edições impressas e consequentemente postos de trabalho para jornalistas. As redações hoje têm muito menos jornalistas ao mesmo tempo em que é necessário produzir conteúdo tanto para o meio impresso quanto também para o digital.

O financiamento coletivo já é uma realidade. Um dos principais expoentes desta forma de viabilizar a economia criativa, o Kickstarter, arrecadou mais de US$ 1 bilhão para cerca de 57 mil projetos, desde que foi criado. Em abril de 2012, com base no diretório do Crowdsourcing.org, o mais completo banco de dados de sites de crowdfunding, havia 452 plataformas de financiamento coletivo ativas no mundo, movimentando quase US$ 2,2 bilhões e financiando mais de um milhão de campanhas em 2011. No Brasil, o Catarse movimentou R$ 14 milhões para viabilizar 930 projetos desde que foi criado em 2011.

A qualidade do conteúdo será garantida pela equipe curadora do canal O Sujeito, formada por profissionais com passagem pela grande imprensa.

Quem faz O Sujeito:

Mais informações: contato@osujeito.com.br

Twitter: @osujeito_