OPINIÃO
23/09/2015 09:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Aprendendo Pelas Ruas

Shutterstock / Menna

Uma caminhada de duas quadras. Parece tão pouco, não? Mas, será que é assim mesmo? Como uma criança pequena vê esse breve passeio? O que e como pode aprender nesse percurso?

Andar por duas quadras para chegar à casa da avó. Esse é o trajeto diário que o pequeno Valentim percorre. Esse caminho, que aos olhos adultos pode parecer tão curto e até monótono -- afinal, o que se vê é sempre muito parecido -- ganha outra perspectiva na visão desse garoto. E ele mesmo nos mostra tudo o que explora, vivencia e aprende.

O trajeto trilhado por Valentim ultrapassa, e muito, as duas quadras. Ele interage com pessoas diferentes, que lhe ensinam sobre a gentileza, por exemplo, e que retribuem seu olhar, seu "chamado", que o instigam a se relacionar com o outro. São seus amigos da rua, com certeza, que o veem mais crescido a cada dia.

O garoto também explora o próprio caminho: o chão que se diferencia a cada passo; as pedrinhas que nem sempre se encaixam; os cuidados necessários, como ao atravessar as ruas; as árvores; as possíveis poças d'água que venha a encontrar.

Numa época de tantas inovações e interações tecnológicas, em que impera o espaço virtual, inclusive no cotidiano de muitas crianças, a relação delas com o espaço físico e métrico oferecido por um passeio pelas ruas dá oportunidade a infinitas aprendizagens.

Valentim ensina a sua mãe todo o valor desse passeio e nos ensina também "sobre os caminhos, e que o tempo é senhor de delicadezas, desafios e novidades constantes e intermináveis".

E se é assim, que tal andarmos e aprendermos mais pelas ruas com as crianças?

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