OPINIÃO
11/02/2015 13:14 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

Priscila de João

João Carlos acordou mais cedo naquele Sábado de sol. Precisava encontrar Priscila na padaria da esquina.

Levantou disposto e colocou uma roupa bonita: botas, calça jeans e camisa vermelha de manga longa com listras brancas no punho. Infelizmente, Priscila não dissera o horário, apenas: pela

Seu sorriso estava de um lado ao outro do rosto. Seu peito sentia uma energia diferente, não sabia explicar. Uma vontade de rir sozinho; Sempre que sabia dela ficava assim.

João chegou à padaria e ficou esperando em pé, batendo-os lentamente no chão. As pontas dos dedos estavam geladas. Sentou. Pediu um suco. Bebeu em goles rápidos e curtos. Olhou para o relógio. Estava muito ansioso.

De repente, ele olhou para a mesa de trás e viu a imagem que fez seu coração praticamente parar: Priscila estava de costas com uma xícara de café na mão e um rapaz moreno ao lado.

João levantou e, respirando fundo, ele foi até o outro lado da mesa, em passos curtos. Olhou rapidamente o rosto da moça sentada e definitivamente concluiu que não era Priscila. Foi o maior alívio de sua vida. Sorriu. Sentou-se novamente. Pediu um pão.

Almoçou, lanchou e Priscila não chegou. Deve ter tido algum problema. Foi embora para casa junto com o sol. Deitou-se. Mais um dia sem Priscila.

O domingo chegou e passou como um dia pesado. Almoçou sozinho, mas o prato de Priscila estava lá, talvez aparecesse para o almoço. Mas ela não apareceu. João tomou remédios para dormir. Sonhou bastante, estava agitado.

O dia de segunda-feira começou frenético como sempre. Era ainda início da manhã para a padaria e as ruas já estavam cheias de pessoas apressadas. O sol já brilhava intensamente atrás de uma nuvem alva e em forma de pluma.

João fumava seu primeiro cigarro do dia e admirava o horizonte. E o horizonte se tornava cada vez mais amarelado.

Enxergava no céu o rosto de Priscila como uma miragem. Carlos tomou um banho frio, refrescando-se para o dia que já começava quente.

Saiu do banheiro respirando fundo e olhou sua imagem no espelho velho. Sorriu. Penteou o cabelo e, apesar do calor, colocou suas botas, calças jeans e a camisa vermelha de manga longa com listras brancas no punho. Saiu de casa.

Olhava atentamente os rostos das pessoas que passavam, estava em busca da face de Priscila. Não conseguiu identificá-la pelo bairro. Decidiu ir ao seu trabalho. Tinha uma vaga lembrança do lugar. Ansiava saber o que havia acontecido com Priscila.

João pegou o primeiro ônibus para o centro da cidade. Se tivesse sorte, encontraria Priscila já no ônibus. Mas não teve. Desceu em um ponto cheio. Na verdade, eram vários; um ao lado do outro, uma estação de transbordo. Desceu lentamente. Sua cabeça não parava de girar. Rostos de milhares de pessoas se confundiam num mosaico psicodélico e sujo.

Priscila atravessava a rua correndo, ele viu. João colocou o pé direito na frente do esquerdo bem rápido e correu. Correu tanto que, ao descer da calçada, um ônibus não o viu e o jogou do outro lado da rua, ao lado da mulher.

Que não era Priscila.

Foi assim que João Carlos morreu sem saber que Priscila jamais deixou de ser a mulher dos seus sonhos.

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