OPINIÃO
17/11/2015 10:57 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Paris x Mariana: Quais vidas valem mais?

Não consigo me comover com a França enquanto vejo a nossa presidente -- que também é mineira -- apenas sobrevoando os locais atingidos, sem dar nenhuma forma de apoio às famílias, no intervalo de uma semana depois do ocorrido... Porém, não demorou nem uma hora para enviar suas condolências à França.

EUGENIO MORAES/HOJE EM DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Frente às tragédias ocorridas em Minas Gerais, chegando a alcançar o Espírito Santo, e na França, eu jamais diria não me sentir comovido com as pessoas mortas em Paris... Sinto-me... Óbvio. Porém, não estou mudando meu avatar pelo da bandeira francesa por alguns simples motivos:

1. Enquanto muitos apenas olham para a França e mudam suas fotos de perfil, muitas famílias ainda se encontram desamparadas, vítimas do rompimento das barragens que atingiu não somente o distrito de Bento Rodrigues, mas também vários outros como Paracatu de Baixo, Camargos, Gesteira, bem como municípios do estado do Espírito Santo;

2. Eu não consigo me comover tanto com o ocorrido na França, enquanto vejo aqui uma página chamada "Somos Todos Samarco", contando com mais de 3.000 adesões, buscando "apoiar a Samarco neste momento tão difícil";

3. Não consigo me comover com a França enquanto vejo a nossa presidenta -- que também é mineira -- apenas sobrevoando os locais atingidos, sem dar nenhuma forma de apoio às famílias, parando somente em Governador Valadares, e isso em um intervalo de uma semana depois do ocorrido... Porém, não demorou nem uma hora para enviar suas condolências à França.

De fato, a minha solidariedade neste momento tem sido muito seletiva, pois não tenho conseguido me comover com todo esse "Je Suis", enquanto por aqui ainda leio nos jornais coisas como:

"Os lavradores José Horta, de 50, e Raimundo Gonçalves, de 48, enfrentaram as rachaduras nas casas para recuperar pelo menos suas ferramentas de trabalho. Mas, mesmo quando conseguiram vencer a lama, improvisando passarelas com pedaços de pau, a decepção foi grande: 'Desenterrei a motosserra e a moto. Mas nenhuma das duas funciona mais. Estou sem saber como fazer, porque eram meu ganha pão. Como vou conseguir serviço e ter dinheiro para minha família comer?', indagava José Horta à reportagem do Jornal Estado de Minas."

Em depoimento ao Estado de Minas, outro morador desabafou:

"Pedro de Oliveira, de 26, conta que o medo de que outra barragem se rompa ressurge a cada chuva. 'A gente mal dorme. Fiquei com a tragédia na cabeça. Ainda me lembro do rio sendo tomado, da lama vindo e todo mundo correndo para o alto. As crianças choravam, as mulheres berravam, os velhos pediam socorro. Teve até quem dormisse no cemitério.'"

Então, me desculpem -- ou não -- se não consigo me solidarizar e colocar minha foto de perfil colorida, pois ela encontra-se manchada pela lama.

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