OPINIÃO
29/06/2015 09:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

O que o casamento gay nos EUA e as fotos coloridas no Facebook significam para o Brasil em 2018

Há voz nas fotos coloridas. Agora é preciso organização para fotos virarem votos, dando mais voz aos que hoje são minoria na Casa onde se decidem os rumos do Brasil.

Montagem/Reprodução Facebook

A validade do casamento gay em todos os 50 Estados dos EUA, decidida pela Suprema Corte daquele país, provocou uma 'enxurrada' de mensagens em favor da igualdade de direitos não só na terra do Tio Sam, mas em outras partes do mundo.

Mark Zuckerberg e o Facebook, que de bobos não têm nada, pegaram carona em um dia celebrado pelos defensores dos direitos humanos e ofereceram a chance de cada usuário da rede social em estampar as cores da bandeira LGBT na foto de identificação.

Independente do que você pensa sobre o casamento gay, é certo que viu fotos coloridas e mensagens a favor da igualdade de direitos a todos os gêneros. Em comum, surgiu a pergunta: e daí que aprovaram o casamento gay? Foi nos EUA, o que isso tem a ver conosco?

No Brasil, uma decisão do Superior Tribunal Federal (STF), em 2011, e uma medida complementar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2013, permitem que casais formados por pessoas do mesmo sexo possam se casar no País, tendo os mesmos direitos de uma união heterossexual.

Há um projeto de lei da senadora Marta Suplicy (sem partido-SP), de 2011, que quer sacramentar no âmbito legislativo a questão, transformando união estável entre pessoas do mesmo sexo em casamento. A proposta está parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Dito tudo isso, o mais importante sobre as manifestações coloridas no Facebook não está em 2015, mas em 2018.

Dentro de três anos teremos novas eleições para presidente e para deputados federais e senadores no Brasil. Aqueles que apoiaram a nova determinação nos EUA usaram a bandeira LGBT em suas redes não apenas para apoiar os gays da América do Norte, mas também para protestar quanto ao atual cenário político do Congresso Nacional, cuja maioria vai exatamente na contramão de medidas progressistas, de maior inclusão das minorias.

Nas redes, a maioria que adotou a bandeira LGBT para celebrar na última sexta-feira (26) precisa ter em mente que é preciso se organizar. Os movimentos que defendem minorias e os direitos humanos estão hoje fragmentados e necessitam de maior articulação, pelo menos se quiserem uma melhor representação na próxima legislatura.

Com o indicativo do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de trabalhar pelo Parlamentarismo a partir de 2019, segundo disse ao jornal Folha de S. Paulo, tal voto para o Legislativo federal ganhou ainda mais força.

Sim, amigos. Há voz nas fotos coloridas. Agora é preciso organização para fotos virarem votos, dando mais voz aos que hoje são minoria na Casa onde se decidem os rumos do Brasil.

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