OPINIÃO
13/06/2014 09:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Na era "pré-black blocs", a estreia no pior dos protestos em SP

"Sem violência! Sem violência!" Talvez eu nunca me esquecerei do coral de vozes que não se cansou de gritar, em uma só voz, essa breve frase no primeiro protesto que cobri in loco nas ruas de São Paulo.

Felipe Paiva/Frame/Estadão Conteúdo

"Sem violência! Sem violência!" Talvez eu nunca me esquecerei do coral de vozes que não se cansou de gritar, em uma só voz, essa breve frase no primeiro protesto que cobri in loco nas ruas de São Paulo.

O jornalismo tem mesmo dessas. Quando você não 'caça' a pauta, ela é quem 'caça' você. Ou simplesmente você recebe a missão do seu editor. Não me recordo o que veio antes, mas o fato é que o quarto ato contra o aumento da tarifa do transporte público em SP foi a minha primeira experiência nesse hoje conhecido turbilhão coletivo que clama por seus direitos.

Na ocasião, me lembro do frio na barriga e de esperar alguma confusão, até por ter viva na memória a lembrança de colegas que tinham sido espancados por policiais militares alguns dias antes, no ato anterior, também organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL). Só não esperava testemunhar aquele que seria tão emblemático, e que daria nova dimensão ao que viria a seguir.

É bom lembrar aqui que esse ato do dia 13 de junho de 2013 pode ser parcialmente considerado um daqueles da era "pré-black bloc". Não que não houvesse quem se inspirasse na anarquia dos black blocs originais, fossem aqueles alemães dos anos 80 ou os que barbarizaram Seattle no fim dos anos 90. Mas naquele ato, especificamente, cobrir o rosto tinha muito mais a ver com a tentativa de manter o gás lacrimogêneo longe das próprias vias aéreas.

Não usarei esse breve depoimento em primeira pessoa para pintar mocinhos e bandidos. Estive em outros protestos na sequência, podendo formar minha própria opinião - e sugiro que participem aqueles que, por ventura, sejam curiosos sobre como é uma manifestação popular. Mas nesse do dia 13 de junho do ano passado, tudo era pacífico até uma ação da Tropa de Choque da Polícia Militar.

E quando você fala em centenas ou milhares de pessoas, é evidente que um ato de repressão desencadeará uma atitude do outro lado - não difere muito do princípio ação x reação.

Nesse dia, acompanhei o ato do início ao fim, percorri alguns quilômetros pelo centro de São Paulo, por vezes acompanhando pequenos grupos, sozinho em outras situações, mas procurando registrar e guardar o máximo de informações. Algumas delas eu consegui captar em vídeo. Aliás, são dois. Ao invés de um texto reluzente e cheio de adjetivações, creio que tais materiais possam interessar.

Mesmo nos trechos em que a tremedeira - ocasionada pela corrida no sentido contrário da Tropa de Choque e suas bombas de efeito moral - dão uma boa mostra do que foi aquele dia.

Ironicamente, esse ato no que diz respeito à violência não chegou a ser o mais intenso que testemunhei. Mas esse a gente deixa para uma próxima postagem. Até lá.

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