OPINIÃO
04/09/2015 14:11 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Entre a morte certa e a chance de sobreviver, o que você escolheria?

Quem se arrisca sabe o que está fazendo. Contudo, o que é melhor: ficar para a morte certa, ou buscar talvez a única chance de sobreviver? Se ponha no lugar dessas pessoas. Não será difícil chegar à resposta.

Osman Orsal

Ninguém sofreu tanto no mundo todo quanto Abdullah Kurdi. Lá estava, nas capas de todos os jornais, sites, TVs de todo o planeta, a foto do seu filho, Aylan Kurdi, sem vida em uma praia da Turquia. Era o fim daquilo que deveria ser a sua única chance de sobrevivência.

Mais do que aproximarmos do trágico tema das migrações do Oriente Médio e da África em direção à Europa, muitos de nós ainda nos deparamos com matérias como a de um candidato europeu que culpou "os pais gananciosos" pela morte de Aylan.

Menos ofensiva pode ser aquela pessoa ao lado, às vezes um amigo ou familiar mesmo, que não se cansa de indagar:

"Faz sentido arriscar a sua vida e dos seus filhos em uma travessia dessas?".

Olha, se não deu para entender, vamos escrever em caixa alta: FAZ TODO O SENTIDO.

Para Abdullan Kurdi, sua mulher e seus dois filhos (além de Aylan, a esposa e a outra criança de 5 anos também morreram na tentativa do 'sonho europeu'), arriscar a vida rumo a uma chance de sobreviver era melhor do que fica na Síria, seu país natal, destruído por uma interminável guerra.

Para outros migrantes, se não são as guerras, é a pobreza e a fome que os fazem aderir aos fluxos lucrativos apenas a 'coiotes', os criminosos que lucram muito com a promessa de que o 'Eldorado europeu' é logo ali. Sim, "embarque neste barco com 10 vezes a sua capacidade, vai na fé".

Quem se arrisca sabe o que está fazendo. Contudo, o que é melhor diante do apocalipse apresentado em seus países de origem: ficar para a morte certa, ou buscar talvez a única chance de sobreviver? Se ponha no lugar dessas pessoas. Não será difícil chegar à resposta.

Para nós, brasileiros, o drama está diante dos nossos olhos. Podia falar dos haitianos e senegaleses que chegaram em massa nos últimos meses. Muita gente não sabe, mas recebemos mais sírios como Abdullah e Aylan até mais do que os países europeus.

Assim como pai e filho, um vivo e outro morto, muitos de nós só estamos aqui, vivos para poder testemunhar essa vergonha mundial (alô, políticos, é com vocês que eu falo), porque um dia, há décadas, um antepassado nosso, avô, bisavô ou ainda anterior a eles, resolveu fazer uma travessia dessas, seja vindo da Europa, Ásia, África ou América. Como sírios, africanos e outros: em busca de uma vida melhor.

Não é hora de julgar. É hora de ajudar (veja como aqui).

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