OPINIÃO
11/03/2016 17:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

À Dilma, aliados e opositores indicam a saída - e não é para a crise

Não é exagero. Não é golpismo. Não é defesa. Em sete sinais claros dados pela realidade brasileira, é nítida a ínfima sustentação que a presidente da República possui. Nem mesmo em casa ela está livre do fogo amigo diário. Não por acaso, já surgem notícias vazadas por interlocutores de que Dilma parece aceitar a maior das catástrofes: não conseguir chegar a 2018.

Antonio Cruz/Agência Brasil

Não é uma questão de golpismo contra quem foi eleita democraticamente pelos brasileiros. Tampouco de proteção a um governo que não tem articulação, eleito com bandeiras à esquerda e com práticas bem mais à direita.

Inegável, porém, é que todos, desde a base aliada, até a mais extrema posição, indicam a saída. Não para a crise política. Nem mesmo para a econômica. A saída sim, mas para a presidente Dilma Rousseff (PT).

Vale aqui enumerar pelo menos 7 aspectos inegáveis:

- A oposição, que trabalha em prol do impeachment em uma frente, e em outra com a cassação da chapa de Dilma na Justiça Eleitoral (um 'plano B');

- Os petistas, ao insistirem que Lula assuma um ministério (Casa Civil é a bola da vez, com Jaques Wagner indo para a Justiça), o que, sem exagero, quase que tornaria Dilma uma 'presença decorativa' até mesmo para os governistas, fiéis seguidores messiânicos do ex-presidente;

- Os 'independentes', ainda que mais de viés esquerdista, que querem discutir temas como um referendo para a continuidade ou saída de Dilma, ou até a convocação de novas eleições já em 2016;

- A Lava Jato, que vai costurando entre as suas até agora 24 fases da operação não só uma série de prisões e condenações, mas também uma imensa relação de provas que pode a levar a outras delações (Marcelo Odebrecht é o próximo? Como os documentos da Andrade Gutierrez vão contribuir?) e, eventualmente, comprovar a ilegalidade de repasses feitos à campanha de Dilma em 2014;

- As ruas, que à esquerda estão revoltadas com a inércia de Dilma em encampar pautas tidas como 'progressistas' e que levem a uma reação favorável aos trabalhadores, e que à direita nem na presidente votaram em 2014, e que não veem condição alguma para ela prosseguir (embora o 'recall' por incompetência não esteja previsto na Constituição brasileira);

- O mercado financeiro, com alta da Bolsa de São Paulo e queda do preço do dólar a cada nova notícia envolvendo complicações para Lula, para o PT e, consequentemente, para Dilma;

- Os aliados, que não sentem mais o menor constrangimentos em participarem de jantares acalorados com caciques da oposição, definindo um discurso de "caminhar juntos contra a crise", às vésperas de uma convenção que pode liberar os parlamentares para 'trair' o governo em votações como a do impeachment de Dilma;

Não é exagero. Não é golpismo. Não é defesa. Em sete sinais claros dados pela realidade brasileira, é nítida a ínfima sustentação que a presidente da República possui. Nem mesmo "em casa" ela está livre do "fogo amigo" diário. Usar o pouco estimado Conselho da República hoje parece perda de tempo. Não por acaso, já surgem notícias vazadas por interlocutores de que Dilma parece aceitar a maior das catástrofes: não conseguir chegar a 2018.

Essa opinião é uma das muitas a dois dias das manifestações do dia 13 de março em todo o País contra Dilma, Lula, PT e tudo o que esse governo representa.

Esses protestos terão centenas de pessoas favoráveis ao impeachment e, em menor número, terá também as 'viúvas da ditadura militar'.

O impacto dos atos, sejam eles maiores ou menores dos testemunhados em 2015, só não mudam uma realidade do presente: à Dilma, todos só mostram um caminho -- a saída. Dela. E isso está longe de resolver a saída que todos mais querem, que é para a crise nacional.

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