OPINIÃO
30/10/2014 09:02 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

11 coisas que só entende quem tem filhos meninos

O que fazer com essas criaturas fedidas e barulhentas? Essas coisas que não param quietas? Parecia uma tarefa impossível, mas estou aqui para dizer que, depois de 11 anos criando meus filhos, aprendi uma ou outra coisa. Tenho certeza que quem tem filhos meninos vai entender.

Shannon Ralph

Anos atrás, quando minhas crianças não eram nada além de um brilho insuspeito nos meus olhos, tive uma visão do que seria a maternidade. Nessa visão havia chás da tarde e vestidos de bailarina. Horas tranquilas lendo juntas no sofá. Princesas da Disney e Dora, a Exploradora. Vestidinhos listrados e leggings de bolinha. Tranças e rabos-de-cavalo. Compras e risadinhas. Paz, amor, felicidade e... paz.

E então eu tive meninos.

Parece exagero dizer que minha visão da maternidade foi direto para o inferno, mas... Bem, minha visão da maternidade foi direto para o inferno.

O que fazer com essas criaturas fedidas e barulhentas? Essas coisas que não param quietas? E escalam coisas. E gritam. E se atracam. Como eu - mulher e lésbica, ainda por cima - poderia sequer entender essas criaturas uivantes capazes de fazer xixi nas próprias cabeças?

Parecia uma tarefa impossível, mas estou aqui para dizer que, depois de 11 anos criando meus filhos, aprendi uma ou outra coisa. Tenho certeza que quem tem meninos vai entender.

1. Guerra nas Estrelas é uma religião. Não quero saber se você era fã de George Lucas antes de ter seus meninos. Garanto que você vai aprender a diferença entre Darth Vader e Darth Maul. Vai se apaixonar por Hans Solo (ou pela Princesa Leia). Vai até mesmo, para sua surpresa, referir-se ao seu filho como seu "pequeno aprendiz Padawan" em algum ponto da infância dele. Essa obsessão com tudo o que diz respeito a Star Wars vem cedo e vem forte. Tipo uma praga. Ela infecta a população masculina, e a doença não tem vacina nem cura à vista. Não está nem mesmo no radar da Organização Mundial da Saúde. Então faça um favor a você mesmo: aceite.

2. Odiar e agradecer ao mesmo tempo o privilégio que seu filho terá por ser um homem adulto. Essa é difícil. Todos queremos que nossos filhos sejam bem-sucedidos, e, sejamos sinceras, homens - particularmente homens brancos - têm vantagem no mundo em que vivemos hoje. É mais fácil para eles. Não gostamos dessa situação. Lutamos para mudá-la. Reclamamos com todas as fibras do nosso ser feminino. Mas no fundo, ainda que com certo desconforto, respiramos aliviadas por saber que as coisas não vão ser tão difíceis para nossos meninos. Nos odiamos por pensar assim, mas pensamos mesmo assim.

3. Meninos dão os melhores abraços. E beijos. E apertões. Quando você é abraçada pelo seu filho, nada mais importa. Não há nada escondido. Ele não está tramando nada. A afeição dos meninos é simples. Você nunca vai encontrar nada mais puro neste mundo, garanto.

4. Puns são engraçados. Pelo menos seus filhos vão achá-los a coisa mais engraçada do mundo. Vão cultivar o talento de soltar puns desde cedo. Quanto mais alto melhor. Sua casa vai ser preenchida por uma sinfonia de liberação de gases. Um dia, exausta de correr atrás deles, você vai rir junto. E neste dia vai hastear a bandeira branca. A batalha acabou. Você perdeu.

5. Tudo vai ficar coberto de xixi. É sério. Tudo. O banheiro. O chão. O tapete do banheiro (que será trocado não menos que 156 vezes durante a infância do seu filho). A lateral da banheira. A parede. Às vezes, até mesmo a janela do banheiro (como assim?). Aparentemente, acertar a privada é muito mais difícil do que sugerem as leis da física e da gravidade.

6. Qualquer coisa pode, e vai, virar uma arma. Pode tentar instilar um espírito pacifista em seus filhos: o fato é que os meninos adoram armas. Você nem precisa comprar revólveres de brinquedo. Eles transformam qualquer coisa numa pistola. Um galho. Um rolo de papel higiênico. Uma banana. Um snorkel. Um dedo. Até mesmo o pênis pode ser uma arma (mas, como escrevi no item anterior, a mira é um problema). Passei anos tentando evitar esse negócio de arma até perceber que não adiantaria nada. Brincar de revólver e de espada (estranhamente fico menos ansiosa com a ideia de que meu filho empale alguém do dê um tiro em alguém) permite que eles explorem relacionamentos, sensos de certo e errado (ou bom e mau) e seus próprios impulsos agressivos. Brincar de arma é normal. Falo com eles sobre os perigos das armas de verdade? Com certeza. Ensino o respeito básico pela vida humana? Com certeza. Grito, enlouqueço, faço terapia quando a embalagem de xampu vira uma arma? Depende do meu humor, mas provavelmente não.

7. Meninos são físicos. Desde o instante em que eles irrompem das nossas vaginas e entram no mundo, os meninos são donos do espaço que habitam. Escalam a mobília. Pulam uns em cima dos outros. Trocam socos sem nenhum motivo aparente. Um abraço inocente entre irmãos vira uma jogada de futebol americano em segundos. Perdi a conta anos atrás de quantas vezes tive de dizer a frase: "Sem brincadeira de mão". Apesar de todos os colecionáveis quebrados da minha casa afirmarem o contrário, esse vigor físico é normal. É como os meninos se relacionam com o mundo. Os especialistas dizem até mesmo que isso ajuda a promover os relacionamentos positivos e a inteligência nos meninos. Com base nisso, estou convencida de que os meus vão ser Albert Einstein e Stephen Hawking quando crescerem.

8. Meninos não ouvem. É verdade. Minhas cordas vocais inchadas e minha voz de fumante inveterada são prova do fato de que não adianta nem gritar. Mas veja bem - não é exatamente culpa deles. Estudos mostram que os meninos têm audição menos sensível que as meninas quando nascem, e a diferença só aumenta com a idade. A audição das meninas é mais sensível aos padrões da fala, o que faz com que elas entendam o que lhes é dito com mais facilidade. Os cérebros dos meninos desenvolvem esse talento mais lentamente. O resultado disso é que quando seu filho está espalhando Legos pela sala ele provavelmente não está te ignorando. É claro que isso não te deixa com menos raiva quando você pisa numa das peças, gritando nome dele sem parar. Mas é compreensível.

9. Marvel x DC. Escolha um, e rápido. Seu filho com certeza vai ter uma preferência e vai querer saber sua opinião.

10. Roupas não significam nada. Sim, é muito mais fácil comprar roupas para meninos do que para meninas. Eles não querem saber o que estão vestindo. Por outro lado, eles vão destruir sistematicamente toda e qualquer peça de roupa que você comprar pra ele. Sempre. Todas as calças jeans, moletons e pijamas vão ter buracos nos joelhos. Você vai encontrar manchas de grama. De comida. De barro. De origens inidentificáveis. Você vai ficar de luto pela perda do dinheiro que suou para conseguir. E não há nada a fazer além de aceitar o fato de que mandá-lo pelado para a escola também não é uma opção.

11. Meninos amam incondicionalmente. A obsessiva-compulsiva em mim queria parar a lista em dez itens, um número redondo, mas essa é a coisa mais importante que aprendi sobre meninos. Eles amam incondicionalmente. Amam com seus pequenos corpos inteiros. Filhas batem o pé e pedem para ficar sozinhas. Filhos simplesmente te amam. Quando sua filha pré-adolescente está de cara amarrada, te odiando, seu filho simplesmente te ama. O amor dele é sólido. O amor deles é forte e consistente desde o início. E vai durar para sempre.

Fico deslumbrada com a energia, a sensibilidade, a curiosidade, a inocência e a compaixão dos meus filhos, dia após dia. Minha experiência de maternidade pode não corresponder à visão que tive anos atrás, mas ela foi muito além dos meus sonhos. É por isso que sou grata aos meus dois meninos.

Texto publicado originalmente no The Huffington Post.

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