OPINIÃO
27/10/2018 02:43 -03 | Atualizado 27/10/2018 02:45 -03

'Homens de todo o Brasil, uni-vos': Ensaio sobre crise da masculinidade

O candidato líder das pesquisas vem como uma figura paterna severa, porém necessária, para recompor a ordem original da casa.

Articulista reflete sobre adesão à retórica agressiva do candidato Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas do 2º turno.
Marcelo Camargo/ABr
Articulista reflete sobre adesão à retórica agressiva do candidato Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas do 2º turno.

"Se liga, macho, presta muita atenção, senta e observa a tua destruição". Esse é um dos primeiros versos da letra de Bixa Preta, da cantora negra e ativista trans Linn Da Quebrada. Já Karol Conká, cantora curitibana também negra, diz "Enquanto mamacita fala, vagabundo senta" na letra de Tombei.

Na última década temos visto tanto nas artes como nos meios de comunicação e nas redes sociais uma maior inserção do discurso ativista, seja ele feminista, LGBTQI+, negro ou gordo. Tudo isso graças ao tom combativo de quem se vê como ativista e usa da própria voz, da própria imagem e do próprio espaço para conscientizar os que estão ao seu redor.

É compreensível que depois de centenas de anos de opressão naturalizada, a denúncia de tal violência venha de forma assertiva. A força e a paixão do discurso ativista acabam protegendo e empoderando os oprimidos e falando pelos que ainda não desenvolveram voz própria.

Quando Linn da Quebrada e Karol Conká cantam tais versos, ao mesmo tempo em que empoderam todas as pessoas que se identificam com a imagem das duas, elas também assustam e paralisam aqueles aos quais as letras se dirigem, trazendo à tona uma cena muito corriqueira construída socialmente no nosso imaginário de família: a mulher, mãe solteira e responsável pela educação do filho, que dá bronca e explica o que deve ser feito. O filho, ciente do seu mau comportamento, espera quieto o fim do sermão, passivo. Apesar da provável boa intenção da mãe, é imaginável que a criança não compreenda perfeitamente a mensagem e, ainda que agora entenda que seu comportamento é passível de repressão, vá repetir a travessura, consciente ou inconscientemente. É esperado que o "vagabundo" ou o "macho" ao qual as cantoras se referem escutem passivos à letra, mas dificilmente se tornem mais propositivos depois de ouvi-la. Criamos meninos filhos de mães solteiras que carecem de modelos paternos para se espelhar. Criamos homens que desde cedo ficam prostrados diante de um sermão e elaboram pouca consciência depois dele.

Criamos homens que desde cedo ficam prostrados diante de um sermão e elaboram pouca consciência depois dele.

A masculinidade tóxica

Somado a essa escuta passiva, essas pessoas estão assistindo a uma simbólica tomada de espaço por parte desses grupos antes fragilizados. Para quem não participa desse movimento de autodescoberta e nem sabe por onde começá-lo ou por que fazê-lo, essa cena incomoda muito.

Estamos falando de homens que historicamente cresceram sob os moldes de uma masculinidade tóxica: foram ensinados que sempre é necessário demonstrar força, autoconfiança, capacidade física e poder de luta; é sempre necessário demonstrar coragem, ser aventureiro, se colocar em situações de risco, ser autossuficiente e não buscar ajuda; é sempre necessário ser dominante sobre o outro, seja física ou sexualmente; é sempre necessário ser promíscuo no sexo e estar disponível para fazê-lo.

Foram incentivados a serem gananciosos, a darem alta importância para o trabalho, a procurarem status, sucesso e dinheiro. Foram ensinados a se definirem pelo que fazem, não pelo que são ou pelo que sentem. Foram ensinados que demonstrar sentimentos e chorar são fraquezas a serem suprimidas, que delicadeza e vulnerabilidade são coisas a serem evitadas. Segundo Frank Pittman, psiquiatra norte-americano, a masculinidade tóxica está relacionada a homens que foram criados por mulheres sem terem um modelo masculino (Dowd, 2000).

Com tantos imperativos, é natural pensar que daí surjam a homofobia, a misoginia, o racismo e o machismo. É natural pensar que daí surja a expectativa de vida 7 anos inferior à das mulheres no Brasil (IBGE, 2016), à taxa de suicídio 4 vezes maior do que a feminina (Mapa da Violência Flasco Brasil), à taxa de morte por violência 10 vezes maior do que a das mulheres (IPEA, Atlas da Violência, 2017), aos 80% das vítimas mortas em acidentes de trânsito (Ministério da Saúde).

O que o ativismo social tem mostrado é que é necessário elaborar uma nova masculinidade condizente com a discussão que os outros grupos têm proposto.

O candidato líder das pesquisas vem como uma figura paterna severa, porém necessária, para recompor a ordem original da casa. Para pessoas que cresceram em moldes de muita castração, a violência física é a única solução possível.

O conservadorismo e a religião como consequência

É compreensível então que estejamos lidando com grupos socialmente dominantes enfrentando uma perda de poder e uma consequente necessidade de organização política para essa manutenção. É quase esperada a onda de conservadorismo que tomou conta das eleições, das redes sociais e das ruas.

A explicação psicanalítica, segundo Maria Homem, pesquisadora e doutora pela FFLCH-USP, é que diante do desmantelamento do cenário de privilégio, muitos tentam restaurar o sentimento de um passado seguro, conhecido e estável. O "retrocesso" é visto como algo vantajoso e reconfortante, pois remete aos tempos infantis desses eleitores, onde os fatos e as verdades vinham, muitas vezes, do ambiente familiar, da escola e dos princípios morais da Igreja Católica.

O candidato líder das pesquisas vem então como uma figura paterna severa, porém necessária, para recompor a ordem original da casa. Para pessoas que cresceram em moldes de muita castração, a violência física é a única solução possível.

É nesse cenário simbolicamente familiar que temos a figura do "Pai", como um Deus que castiga os pecadores. Esse pai vem como o salvador no momento de caos, pregando os valores morais que outrora regiam tudo e todos.

Trechos bíblicos ganham duplas interpretações e validam pensamentos machistas, homofóbicos e violentos. Além disso, quando a mesma emissora de TV é capaz de transmitir perseguições policiais em tempo real - a possíveis criminosos majoritariamente pobres, negros e passíveis de uma truculência contestável - e cultos evangélicos - onde a religião deveria pregar o amor ao próximo -, a leitura do telespectador fica deturpada e a violência se mistura com a religião, o bem se mistura com o mal, e dessa confusão nasce um discurso racista, classista e baseado em falsos moralismos, onde o amor não é tido como uma solução universal, mas como uma verdade que apenas um dos lados conhece.

A partir daí perdemos a noção de quem é o oprimido e quem é o opressor e digladiamo-nos uns contra os outros, em julgamentos carregados de ódio.

Internet, analfabetismo emocional e debate político

Como desenvolve em artigo recente, Amália Safatle explica que, no cenário político brasileiro, a esquerda ocupa mais espaço nos principais meios tradicionais de formação de opinião: parcela considerável da mídia, as artes, as escolas e as universidades. Sem uma elite acadêmica de direita bem organizada, como ocorre nos EUA, é através da internet que os pensamentos mais conservadores ganham espaço, ignorando as estruturas tradicionais de política, debate e representatividade.

E se por um lado a internet possibilitou e democratizou o avanço da terceira (ou quarta) onda do feminismo, conectando diversas realidades sociais, por outro ela consagrou o espaço do anonimato, onde opiniões e fatos infundados tem o mesmo peso do conteúdo da imprensa séria — que traz os fatos — e dos críticos e estudiosos — que elaboram as opiniões sobre os fatos.

Nesse contexto nasce a autoverdade, analisada também em artigo recente por Eliane Brum. Não falamos apenas em fake news, falamos em um discurso que preza mais pela estética, pelo jeito que é apresentado, do que pelo seu conteúdo em si.

Num país onde os portais de notícia mais reconhecidos se tornaram restritos a assinantes e as operadoras de telefonia cederam espaço para o WhatsApp, garantindo a utilização gratuita do aplicativo em planos pré-pagos, criou-se uma realidade paralela. Para muitos, o WhatsApp se tornou a própria internet. Se antes o fato e a opinião andavam separados, no aplicativo os dois andam juntos, no corpo da mesma mensagem, de maneira muito mais tendenciosa.

E se falamos de homens que desde sempre foram castrados emocionalmente, falamos de homens que não foram incentivados a desenvolver a comunicação e o posicionamento crítico diante de um embate de ideias. Quando o debate não se faz possível, parte-se para a violência. Ou para o WhatsApp. E se uma imagem vale mais do que mil palavras, ao final, meu texto não teria valido mais do que 3.

Quando o debate não se faz possível, parte-se para a violência. Ou para o Whatsapp. E se uma imagem vale mais do que mil palavras, ao final, meu texto não teria valido mais do que três.

À essa altura, não é difícil desmistificar o dito popular de que homens são criaturas simples e mulheres, complexas. A nós foi dado o respaldo emocional para elaborarmos em cima do que sentíamos desde cedo. O choro, a tristeza, o amor, a angústia nos foram apresentados como ferramentas possíveis, contra as armas de plástico, os desenhos animados sobre super-heróis e a bola de futebol.

Conversando com amigas mulheres em relações heterossexuais, é possível perceber que existe um abismo imenso de comunicação e elaboração de sentimentos entre os casais. O que o feminismo nos instrumentalizou em termos de discurso e assertividade, nos distanciou de relações amorosas heterossexuais profundas. E esse analfabetismo emocional já ganhou até nome: alexitimia. O alexitímico tem dificuldade em colocar em palavras suas emoções e sentimentos, recorrendo por vezes a sensações físicas para explicar o que sente.

Consciência corporal como resistência política

Além da emancipação emocional, os grupos oprimidos descobriram também a emancipação corporal e por meio dela passaram a fazer política. Todas as formas de controle sobre os corpos têm sido sistematicamente debatidas e desconstruídas: dos padrões de beleza até a forma como nos alimentamos ou como consumimos roupas. E quando falamos em corpos, falamos em prazer e sexo: o empoderamento sexual tem tido um papel central nessa mudança de postura, como diz a MC Dani Nega na letra de Papo Reto: "Imaginem só o que pode acontecer quando uma mulher fortalecida resolve reagir contra toda a opressão? Gozar na vida me torna uma preta muito perigosa". É ainda Karol Conká que, em Lalá, não poupa críticas ao desempenho do sexo oral praticado pelos homens: "Falam demais, fingem que faz, chega a ser hilário. Mal sabe a diferença de um clitóris pra um ovário, dedilham ao contrário. Egoístas, criando um orgasmo imaginário".

Se por um lado temos pessoas empoderadas e livres das amarras que as prendiam, por outro lado vemos pessoas ainda presas às tais amarras, desconfortáveis, mas apavoradas com a perda de representatividade do seu grupo, temendo o momento em que elas mesmas precisarão desatar os próprios nós. São pessoas construídas em cima de diversas castrações — emocionais e sexuais, muitas vezes — que não entendem como o corpo pode ser essa ferramenta de transformação, de resistência, de proposição e de luta.

A elas foi ensinado que o corpo não tem voz própria, mas que precisa ecoar os sinais que recebe — padrões de beleza e estilos de vida — e reproduzi-los fielmente. Vivemos em uma sociedade que lucra em cima de corpos inseguros, sejam eles nascidos com o órgão reprodutor que seja, na cor de pele e classe social que seja. Identificar as amarras é um processo longo — para alguns historicamente mais longo do que para outros —, individual e também coletivo.

Vivemos em uma sociedade que lucra em cima de corpos inseguros, sejam eles nascidos com o órgão reprodutor que seja, na cor de pele e classe social que seja.

Por isso, convencer um eleitor da extrema direita conservadora a mudar seu voto a partir do apelo emocional para o direito das "minorias" — reforço aqui o significado não quantitativo da palavra, mas "grupo em situação de desvantagem social" — é muitas vezes desastroso.

Em primeiro lugar porque é exatamente para combater essa recente insurgência ameaçadora à masculinidade que esse eleitor escolhe, talvez até de forma inconsciente, um candidato que reproduz discursos de ódio.

Em segundo lugar, porque ele não entende pela própria vivência a diferença entre "direito" e "privilégio". Ao usar de argumento o respeito às minorias, corremos o risco de colocar em pé de igualdade duas coisas com pesos bem diferentes: "manutenção de privilégios sociais" e a "conquista de direitos humanos".

O caminho do meio, o único possível

Se à esta altura já concluímos que o homem como construção social ainda está blindado à mudança, resta-nos pensar em alternativas conjuntas.

É necessário que o movimento comece de dentro, do que eu chamaria de "homem do meio".

Não é e nem será papel do feminismo construir e ensinar essa nova masculinidade, em primeiro lugar porque as mulheres não têm a vivência de um homem para embasar debates e proposições e, em segundo lugar, porque já temos trabalho suficiente construindo novas propostas de mulheres possíveis.

É necessário que o movimento comece de dentro, do que eu chamaria de "homem do meio". Esse homem, apesar de ser tão construído socialmente quanto qualquer outro e tão opressor quanto qualquer outro, devido à recente proximidade com o discurso feminista, negro, LGBTQI+ ou gordo, tem se questionado e se atentado mais aos próprios comportamentos.

Que tipo de homem vamos ajudar a construir? Que tipo de homem precisamos combater? Quais estratégias usar? Que caminho evitar?

Por já ter desenvolvido essa atenção, é capaz de acessar homens próximos a eles e mais distantes do discurso ativista, iniciando um movimento espelhado ao feminismo, de igual desconstrução. Individualmente é possível notar que muitos homens já estão conscientes dessa necessidade de movimento e já começaram a agir. A única coisa que posso adiantar é que o caminho é longo, o movimento constante é necessário, e tropeços fazem parte do trajeto.

Então o que trago é uma proposta de trabalho a longuíssimo prazo. Venho por meio deste texto plantar uma semente nos leitores homens que me permitirem tanto. Que reflitam sua falta de proatividade e que daqui para frente se questionem mais sobre como podem intervir no cenário atual. Que tipo de homem vamos ajudar a construir? Que tipo de homem precisamos combater? Quais estratégias usar? Que caminho evitar?

Existem muitos assuntos a serem aprofundados na construção social masculina. Talvez seja mais fácil começar abordando temas relacionados a memórias infantis, admitindo fragilidades e mostrando uns aos outros que existem semelhanças entre as histórias de vida. Começam a vir à tona cenas de bullying entre os coleguinhas nos primeiros anos de escola, além de frases e comportamentos dentro do ambiente familiar que podem ter reprimido a criança no âmbito emocional, físico ou profissional.

A partir daí fica mais claro entender alguns comportamentos dentro dos relacionamentos amorosos e das amizades, como a repulsa por se mostrar vulnerável e inseguro e a dificuldade na comunicação.

Questionando a insegurança masculina, adentra-se assuntos como a necessidade de afirmar a virilidade perante o grupo de amigos, assim como o ciúme, a possessividade, as chantagens emocionais e o abuso psicológico praticado pelos homens contra as parceiras.

Na comunicação, problematizam-se os modos, os trejeitos, as gírias e os xingamentos, quebrando alguns estigmas e alguns estereótipos inconscientemente mantidos. Ao repensar a forma como a comunicação se dá, quebra-se então a barreira do homem como o ser racional e prático, transformando-o também num sujeito emocional e comunicativo.

Com isso, entende-se também a construção social a partir do ato sexual — atualmente usado como ferramenta de dominação do corpo feminino e não de conexão entre dois corpos — e a inerente dificuldade em conhecer o próprio corpo e descobri-lo em suas formas, diferenças, traumas e vontades, assim como seu movimento, fluidez e delicadeza.

A partir desse panorama geral de passado e presente, pode-se começar a olhar as expectativas que giram em torno desse homem, repensando a noção de sucesso, carreira, dinheiro, poder, saúde e paternidade. Com o desenvolvimento de toda essa autoanálise, alguns frutos dessas problematizações desconstruirão também os símbolos em torno dessa masculinidade, como por exemplo as armas, o álcool e os carros.

Todos esses itens estão intrinsecamente relacionados às principais causas de morte entre os homens, justamente por serem usados como sinônimos de virilidade.

Seja na internet ou na vida real, espaços de debate exclusivos de gênero são muito acolhedores e seguros, já que convidam à vulnerabilidade emocional e à empatia com o próximo.

Nesse movimento de abertura ao diálogo, alguns passos tomados pelo feminismo podem ser usados como referência para criar as mesmas condições e o mesmo conforto entre os homens. Como já foi dito, muito do alcance e da articulação do feminismo atual se deu nas redes sociais, sendo inclusive esse um fator que separa em termos teóricos a terceira e quarta onda do feminismo nos últimos 30 anos. Por meio do Facebook, foi possível criar grupos especializados nos mais diversos temas, e o anonimato virtual foi um fator crucial para que milhares de mulheres se sentissem à vontade de expor questões extremamente pessoais a outras milhares de mulheres.

Às vezes é mais fácil contar algo para um desconhecido do que para um amigo de longa data. Seja na internet ou na vida real, espaços de debate exclusivos de gênero são muito acolhedores e seguros, já que convidam à vulnerabilidade emocional e à empatia com o próximo. Com um pouco mais de segurança e elaboração do que foi compartilhado nesses momentos, é possível extrapolar as paredes do ambiente segregado e trazer à tona a questão para o resto da sociedade: seja por meio de textos, material gráfico, campanhas, debates, eventos ou movimentos virtuais.

Essa segregação, ainda tão criticada por muitos homens que dizem apoiar o feminismo, é como uma sala de reuniões para debater o que vai acontecer fora dela: necessária tanto em empresas quanto na vida ativista.

Conforme haja um aprofundamento nessa reflexão e o abismo entre as partes diminua, poderemos retomar debates de maneira conjunta: homens, mulheres e todas as variações não-binárias no meio disso. Poderemos, por exemplo, repensar os papéis sociais de todas as partes, a maternidade, a paternidade, as diversas constituições familiares, a dinâmica doméstica, as questões do aborto e da legalização de drogas sem o viés religioso controlador, as diferenças salariais, as relações monogâmicas e não-monogâmicas, a igual oportunidade de acesso à todos os meios de representação e poder, as roupas sem gênero etc. Enquanto isso, o feminismo continuará batendo no teto de vidro dessas discussões sem perspectiva de avanço.

Os homens que discordam dos caminhos autoritários que estamos tomando não podem mais se eximir da responsabilidade, acreditando que o feminismo fará tudo sozinho. Se as mulheres abriram as portas para repensarmos nossa postura enquanto sociedade, aproveitemo-nas abertas para continuar o movimento.

Se Linn da Quebrada é uma entre tantas que estão na linha de frente dessa guerra, aproveitemos não só para invadir como para ocupar e construir algo novo no território que ainda está vazio. Que os homens passem a entender a bronca da mãe solteira como um convite à luta e uma proposta à mudança e não apenas um embate final. Que por meio de uma estratégia lenta, gradual e cheia de empatia e paciência consigamos acessar espaços ainda blindados e conquistar os que discursam hoje contra esse movimento.

Se as mulheres abriram as portas para repensarmos nossa postura enquanto sociedade, aproveitemo-nas abertas para continuar o movimento.

A eleição acontece neste fim de semana e representa um primeiro passo rumo à essa conquista do espaço. Já as mudanças estruturais da masculinidade vocês precisarão construir dia após dia, ao longo dos próximos anos.

Homens de todo o Brasil, uni-vos.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.