OPINIÃO
08/03/2016 19:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

O que comemoramos hoje?

Convido-vos a parar de negar o óbvio! A parar de comparar o que uma mulher sofre apenas por ser mulher à obrigatoriedade do serviço militar e ao fato de nos aposentarmos 5 anos antes! Convido-vos a parar de dizer que é mimimi achar uma "cantada" algo ofensivo e abusivo. Você não sabe o que é sentir MEDO simplesmente por estar andando de shorts em um dia de calor. Você simplesmente não sabe!No fundo, o convite é para refletirmos. Para termos empatia e solidariedade e entendermos que um mundo no qual metade da população é tratada de forma desigual não pode ser um mundo justo e próspero!

Alamy

Temos tanto para refletir nesse mês.

Tanto para lamentar, muito para conquistar e tantos e tantas para convencer do quanto o machismo continua presente em nossas vidas.

Ainda falta muito.

E é disso que devemos falar, para que não seja apenas mais um dia comercial engordando um pouquinho as contas de floriculturas e marcas que exploram o ano todo a mulher como objeto, que nos fazem sentir péssimas com nossos corpos, que nos incitam a distúrbios alimentares, que nos fazem chorar ao subirmos na balança, para hoje virem nos homenagearem por sermos "sensíveis e batalhadoras".

Precisamos falar de aborto e das mulheres que morrem, que são criminalizadas ou ainda das que parem crianças condenadas muito antes de nascerem.

Há que se falar de estupro e da banalização do mesmo, de como é motivo de piada para alguns e tantos acham normal rir das mesmas.

É urgente falar de violência doméstica e de como ela começa com "não vou sair com você vestida assim", com puxadas pelo braço e tons de voz alterados.

Sabemos também como ela termina com mulheres machucadas física e psicologicamente e muitas vezes (muitas mesmo!) mortas por seus companheiros.

Temos urgentemente que falar sobre como a situação no mercado de trabalho continua desvantajosa para nós (ainda que muitos alardeiem como já "alcançamos igualdade") e de que neste ritmo chegaremos à igualdade somente em 2095.

Os problemas são inúmeros e claramente não há espaço para abordá-los em apenas um post e muito menos poderei eu ou você, um único ser humano falível e limitado resolvê-los sozinhos nessa vida.

Então, tomarei a liberdade de fazer um convite.

Um convite à reflexão e não à comemoração.

Ao invés de apenas dar uma rosa ou enviar uma mensagem, convido-vos a parar por 5 minutos e a refletir com profunda honestidade sobre o quanto você contribui para o machismo.

Sobre o quanto julga mulheres apenas por serem mulheres (bonita demais, magra demais, gorda demais, dada demais, frígida ou mal comida...). Sobre o quanto inconscientemente alimenta a mesma realidade que critica em outra esfera.

Convido a todos a refletir sobre as mil formas de sexismo presentes diariamente nas nossas vidas moldando a nossa autoestima, o nosso senso de pertencimento e visão de mundo. A refletir como o machismo, a desigualdade social, o racismo e a homofobia dentre tantas outras formas de descriminação estão interligadas e são a verdadeira raiz para tantos dos problemas sobre os quais adoramos reclamar no Facebook (como a violência no Brasil, impunidade, corrupção e etc.)

Convido vocês a parar de negar o óbvio!

A parar de comparar o que uma mulher sofre apenas por ser mulher à obrigatoriedade do serviço militar e ao fato de nos aposentarmos 5 anos antes.

Convido a parar de dizer que é mimimi achar uma "cantada" algo ofensivo e abusivo. Você não sabe o que é sentir medo simplesmente por estar andando de shorts em um dia de calor. Você simplesmente não sabe!

No fundo, o convite é para refletirmos. Para termos empatia e solidariedade e entendermos que um mundo no qual metade da população é tratada de forma desigual não pode ser um mundo justo e próspero!

LEIA MAIS:

- Je sui inquiet

- Brigar com todos os amigos e familiares ou mudar o mundo?

Também no HuffPost Brasil: