OPINIÃO
09/12/2014 19:07 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Facetas

Muitas vezes a opressão no trabalho, o julgamento dos pais, as convenções sociais podem nos levar a agir de formas muito diferentes nos diversos ambientes em que circulamos.

Mads Perch via Getty Images

Sempre me intriguei por como às vezes pessoas "boas" fazem coisas horríveis e pessoas "más" são capazes de atitudes lindas.

Sempre me frustrou esse conceito de ser uma coisa só (sei que parece autor de novela falando, mas é verdade!) e de ser tachada e rotulada de alguma forma, pois isso gerava muita frustração quando eu que sempre me considerei e considero uma pessoa "boa" já fui capaz de cometer coisas "más". Falar mal de alguém, fazer bullying com alguma menina porque ela "roubou" o menino que eu gostava, mentir para pessoas que amo, falar algo maldoso de propósito apenas para magoar...

Enfim, a culpa dessa duplicidade mal entendida, dessa incoerência, sempre me doeu muito. E também sempre gera julgamentos em relação ao próximo que não são necessários e não ajudam em nada a não ser em deprimir mais ainda alguém que já esta se sentindo culpado e aquebrantado!

Durante meus processos de coaching (como Coach e como Coachee) reforcei ainda mais a necessidade de nos conhecermos intimamente para nos aceitarmos e, consequentemente, nos amarmos! Afinal de contas, não se poder amar aquilo que não se conhece.

AME-SE!!!

Acho interessante quando alguém fala: "fulano(a) é o único(a) que me conhece de verdade..." ou quando vem à baila em alguma conversa o tal do "meu eu verdadeiro". Bem, isso muitas vezes me levou a algumas crises de identidade e até a julgamentos precipitados quanto a esse tal de "verdadeiro eu" e, principalmente de "verdadeiros eles e elas".

E hoje, quase 25 anos depois - partindo do pressuposto que até os 4 eu não fazia esse tipo de reflexão (?) - tirei algumas conclusões sobre o tema.

ATENÇÃO: o texto a seguir reflete opiniões personalíssimas, baseadas meramente em observação, experiências e sensações próprias.

Todo mundo tem sim múltiplas facetas, que inclusive tendem a variar ao longo dos anos e momentos - sem que necessariamente a pessoa deva ser diagnosticada com distúrbio de múltiplas personalidades.

Você pode ser uma amiga super fofa e uma irmã pentelha, ou viver agradando a todos na sua família e ser a "office bitch". As pessoas dificilmente se mostram sempre da mesma forma, pois a natureza humana é de querer ser aceito e o instinto faz com que nos adaptemos a círculos e circunstancias com certa facilidade. Além do mais, muitas vezes a opressão no trabalho, o julgamento dos pais, as convenções sociais podem nos levar a agir de formas muito diferentes nos diversos ambientes em que circulamos.

É aí que vemos aquela "moça de família" sair para a balada e dar para meio mundo enquanto em casa e com as amigas critica a mais nova "periguete" da faculdade, sem que isso na sua cabeça seja intencionalmente incoerente ou soe falso. Ou a mãe que proíbe a filha de fazer isso ou aquilo (que ela fez igual ou pior quando era mais nova) para que seja levada a sério. Tem ainda aquela pessoa que é tipicamente egoísta, mas por vezes capaz de gestos surpreendentemente generosos!

Como pode alguém ser, ao mesmo tempo, machista homofóbico e racista e ainda assim um pai ou mãe dedicado e amado? E como é possível que eu seja tão workaholic e ao mesmo tempo tão preguiçosa? Enfim, as incoerências são infinitas e não estou me referindo aqui à falsidade deliberada ou ao fingimento e hipocrisias conscientes, mas àqueles momentos em que somos inocentemente incoerentes e contraditórios simplesmente porque somos humanos...

Na minha própria busca pela evolução, me parece sensato afirmar a essa altura que a contradição faz parte da condição humana assim como a culpa, e o caminho mais fácil para se superar essa contradição é conhecer-se e aceitar-se para que você possa ter todas as suas facetas em paz com elas mesmas e com aqueles a quem você as apresenta para poder-lhes oferecer o que há de melhor em cada uma delas!

Então vale sim ser super caxias e de vez em quando fazer algo "wild" para sentir o sabor da adrenalina na boca!

Vale ser super sensual e andar vestida como panicat, mas gostar de "papai mamãe" na cama... Assim como a recíproca (que costuma ser bem comum!).

Vale ser egoísta quando é preciso e vale também se perdoar por isso!

Vale se conhecer e se entender, mas de vez em quando também vale fazer algo totalmente inesperado e incompreensível até para você mesmo!

Enfim, tudo vale a pena quando a alma não é pequena, não é?

Essa reflexão toda tem sido o norte que me ajuda a evitar o julgamento... Se vale para mim também vale para você, certo?

Vale tudo. Só não vale dançar homem com homem e nem mulher com mulher... Ihhh pera, isso também vale.

Ou seja...

Post originalmente publicado aqui.

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