OPINIÃO
21/04/2015 12:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Os muitos níveis de aprendizado e a educação que transforma

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Se no passado a escola era a única porta de entrada para a educação, agora existem muitos formatos possíveis e, ainda bem, muito mais acessíveis para um maior número de pessoas. Estou cada vez mais encantada com a possibilidade de estudar assuntos variados em formatos diferentes. Tenho experimentado alguns deles para sentir, na pele, o que faz sentido para mim. Uma coisa que aprendi é que existem alguns níveis de aprendizado e que nem todos podem ser considerados como um processo de educação. Educação precisa ter efeito de longo prazo, trazer autonomia, transformar.

Um primeiro nível é o que os especialistas em pedagogia chamam de sensibilização. É possível sensibilizar pessoas em palestras ao vivo ou on line, em cursos curtos, em workshops. As pessoas entram em contato com um tema, conseguem prestar atenção, direcionar seu foco mas, se não têm nenhuma continuidade se transforma em algo que se ouviu falar mas não dá para reproduzir. Um segundo estágio é o da ampliação. São cursos rápidos, que aprofundam determinados temas, traz conceitos e metodologias, mas não chega a experiências práticas. Quando se pensa em educação para adultos é complicado pensar em consolidação de conteúdos sem alguma atividade prática. Não é à toa que muitos programas para executivos se baseiam em cases para trazer reflexões baseadas em situações reais ou, no mínimo, factíveis.

Quando pensamos no terceiro estágio, chamado de praticagem, acredito que já estamos falando de educação. Cursos que oferecem algum tipo de mentoria ou feedbacks para que os alunos possam avaliar sua evolução, fazer correções de rota e testar os aprendizados ficam mais guardados na memória e vão se introjetando no nosso jeito de fazer. Por fim, o que se chama de aprendizado é aquele formato que promove um conhecimento que transforma: conceitos, comportamentos, hábitos. É algo que se sustenta no tempo, do qual a gente se apodera. Já li algumas teorias que dizem que a gente precisa passar nove vezes pelos conteúdos que queremos, de fato, dominar, virar especialistas.

Em um mundo de alta velocidade, efemeridade e soluções de curto prazo precisamos estar atentos aos que se dizem especialistas em algum assunto mas, no fundo, não têm fundamentos sólidos e experiência para transformar informação em conhecimento. Algumas coisas, como diz uma amiga, não ficam prontas no microondas. É preciso deixar de molho para pegar os temperos, passar por algumas etapas de cozimento, ser feitas com receita e mão boa e experiente para chegar a um resultado sublime e inesquecível. Educação deveria ser assim: aquela que amplia nossa visão de mundo, se transforma em valor e comportamento, enriquece, transforma.