OPINIÃO
18/11/2015 15:01 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Um brinde contra as forças da caretice

Sempre teremos Paris. Será? A cidade, é claro, não deve desaparecer do mapa como gostaria o Estado Islâmico.

Bistrôs e bares de Paris convocam todos, na cidade e no resto do mundo, a saírem às ruas para tomar umas e celebrar o prazer. Vamos nessa?

Sempre teremos Paris. Será? A cidade, é claro, não deve desaparecer do mapa como gostaria o Estado Islâmico. Precisa bem mais do que meia dúzia de homens-bombas para destruir uma metrópole daquele tamanho. Mas o que está em risco não são os prédios, é o modo de vida. Sem dúvida alguma, o EI atacou a política intervencionista de François Hollande, que se mete a paladino do deserto. Porém, mirou em cheio naquilo que considera antros de perdição. A fanáticos infelizes, o prazer incomoda. Amigos enchendo a cara num café sexta-feira à noite incomodam. Uma moçada ouvindo música e se pegando no escurinho de uma balada incomoda mais ainda. Isso é Paris, um delicioso antro de perdição, onde há tantas tentações que você não sabe para onde olhar, o que beber ou o que comer. O melhor de todo o Ocidente. Isso está em risco.

Ainda mais porque, internamente, também não faltam estraga-prazeres. Diante dos ataques da sexta-feira 13, o que Hollande fez? Ameaçou com guerra, decretou Estado de Emergência, pediu para as pessoas não saírem de casa. Conservadores, por sua vez, encontraram a oportunidade que procuravam para acabar com essa bandalheira de refugiados. Se pudessem, mandavam de volta no mesmo bote de borracha também os ex-colonos.

Mas, graças a Deus (Dionísio, certamente), há resistência. Ao lado de donos de bares e bistrôs, críticos de gastronomia, Le Guide Fooding convidou todos os parisienses a saírem para beber na terça-feira (17). Por meio das redes sociais, o chamado valeu para todas cidades do mundo. Bastava sair, comer, dar risada, beber todas e usar o hashtag ‪#‎TousAuBistrot‬. E os cafés da cidade ficaram cheios de gente. Achei lindo, um grande porre para mandar o pretenso califado pentear macaco.

A festa deve seguir por mais alguns dias. Nas redes sociais, continua rolando o #TousAuBistrot e também um "cartaz" que diz "Je suis en terrasse" acompanhado da hashtag #occupyterrasse. O parisiense é festeiro e mexeram com o que ele mais presa. Eles estão se referindo às varandas dos cafés parisienses, é claro. Contudo, se quiser participar, pode fazer seu taçaço da varanda de seu apartamento mesmo, nem precisa ser gourmet. Basta reunir les enfants e abrir algumas garrafas. Abaixo algumas sugestões de vinhos franceses não tão caros que tomei recentemente e recomendo. E, não esqueça, tome uma cachacinha por Minas Gerais, que também merece.

Nada representa mais o joie de vivre francês que um champanhe. O problema é que eles são muito caros. Este que é vendido pela Wine, é o mais barato que eu encontrei no mercado, R$ 140.

Savoie é uma pequena região na fronteira com a Suiça, uma região fria e montanhosa. De lá vem este delicioso branco da uva local Jacquère. Na De la Croix, por R$ 78

Jean-Luc Colombo é tido como o enfant terrible do Rhône. Seus vinhos são modernos e inovadores. Este orgânico branco, com aromas de frutas fresca, está por R$ 85 na Decanter.

Os rosés da Provence são famosos pela sua qualidade. Este é um grand cru. Ou seja, ainda mais especial. Está em promoção na World Wine, de R$ 151 por R$ 121

Os vinhos de Saint-Chinian, apelação de origem dentro do Languedoc-Roussillon, têm mais personalidade e elegância do que a maioria da produção regional. Este não te nada daquela fruta super madura. É mineral, com aromas de pimenta preta. Custa R$ 79 na De la Croix.

Adoro os malbecs franceses. Não têm tanto aroma floral quanto os argentinos. Este, em especial, está muito redondo, sem deixar de ser elegante. Sai por R$ 109, na Vinos & Vinos

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