OPINIÃO
15/06/2015 15:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Sobre a beleza

Enquanto não chego às medidas definidas pela nutricionista, terei que aprender a preencher e a amar o meu corpo de novo. E de novo. E sempre.

FranUlloa/Flickr

Há algum tempo notei que engordei um pouco. A ponto de certas roupas não servirem e outras não ficarem confortáveis ou bonitas. Foi um baque perceber que não seria tão simples perder os quilinhos a mais, mesmo contando com o auxílio de uma nutricionista e tendo um parque perto de casa. Eu realmente gosto de comer, nem sempre o que é saudável. E tenho a maior preguiça do mundo para esportes.

Fato é que, com ou sem a meta da perda de peso, com os 30 chegando e eu querendo viver pelo menos mais 60, tenho que ficar mais atenta a esses dois pontos. Mas, enquanto não entro no ritmo da queda de calorias e aumento da endorfina, tenho que lidar com as novas curvas e medidas. O que nem sempre é fácil.

Quem me conhece sabe que não sou a mulher mais vaidosa do mundo, ainda assim, gosto de me reconhecer no que vejo no espelho. E rolou um certo descompasso por algum tempo. A ponto de abalar a minha auto-estima - cultivada com carinho -, e me deixar mais fechada em mim, por mais que não quisesse assumir isso, nem tocasse nesse assunto com pessoas próximas.

Foi durante as duas últimas viagens que decidi encarar o problema de frente e aceitar que o processo de emagrecimento será mais lento do que eu gostaria e exigirá bem mais empenho. E que, enquanto não chego às medidas definidas pela nutricionista, terei que aprender a preencher e a amar o meu corpo de novo. E de novo. E sempre.

Porque, vai parecer óbvio e até meio bobo, mas ele sou eu, não aquilo que idealizo. E quando me dei conta disso, fiz escolhas que me deixaram enxergar o melhor dessa fase, ter mais bunda e coxas, por exemplo. É gostoso estar mais gostosa. E não há problema nenhum em dizer isso. É gostoso colocar um vestido e ver ele desenhar uma cintura - que nunca tive -, por conta do quadril um pouco mais largo. E não faz sentido me "esconder" enquanto estou fora do tal padrão. Eu quero é me revelar e descobrir novas possibilidades de beleza, mesmo que fujam do óbvio e sejam passageiras.

E decidi compartilhar esse texto, para além da minha rede de amigos, porque outras tantas mulheres podem estar passando por esse mesmo momento e merecem saber que não estão sozinhas. Nós estamos juntas, caminhando lado a lado, ainda que as pontes entre nós sejam feitas apenas de palavras.