OPINIÃO
30/12/2017 02:10 -02 | Atualizado 30/12/2017 02:10 -02

Não é a empresa onde você trabalha, mas sim qual chefe você segue

Um bom líder é aquele que não só delega, atribui e dá as ordens, mas também escuta atentamente a sua equipe, sabe dar e ouvir feedback.

A liderança que possuímos nos nossos empregos realmente impacta em nossas atitudes.
Divulgação/Netflix
A liderança que possuímos nos nossos empregos realmente impacta em nossas atitudes.

Essas foram as palavras de Jack Ma quando perguntaram a ele que conselho ele daria para um jovem profissional no começo da carreira. Para mim, é sem dúvidas uma das recomendações mais lúcidas que já ouvi para os millennials de hoje.

Para quem nunca ouviu falar de Jack Ma, ele é um empreendedor nato que fundou e chefia o Alibaba, o e-commerce chinês mais bem-sucedido até o momento. Mais do que isso, ele é um homem extraordinário de palavras simples, mas com uma história inspiradora de persistência, dedicação e trabalho árduo. Eu particularmente gosto de assistir às entrevistas com ele na internet exatamente por isso.

Alguns dias atrás, estava assistindo a uma palestra dele no Youtube quando um jovem lhe perguntou o que ele faria se tivesse 25 anos de novo.

Após uma breve reflexão, Jack Ma aconselhou o seguinte a todos: "antes dos 20 anos, seja um bom aluno. Só tente conseguir um pouco de experiência", ele disse.

Mas antes de completar 30 anos, siga alguém. [...] Não é a empresa onde você trabalha, mas sim qual chefe você segue. Um bom chefe te ensina de maneira diferente.

A afirmação dele grudou na minha cabeça nos dias seguintes. E me fez refletir e pensar como a liderança que possuímos nos nossos empregos realmente impacta não só nas nossas competências, mas também em nossas atitudes, capacidade de resiliência e nossos objetivos de carreira a longo prazo.

O que te motiva no seu trabalho?

De certa forma, é relativamente simples listar o que faz uma oferta de trabalho ser atrativa: nome e reputação do empregador, salários e benefícios, flexibilidade de horário, plano de carreira...

A pergunta desafiadora, na verdade, é o que te motiva e te faz continuar em um emprego depois de um certo tempo.

Pode ser que os incentivos que foram atraentes no início não sejam mais os fatores decisivos de felicidade e satisfação profissional. Em vez disso, o ambiente de trabalho, a cultura e formas de reconhecimento, o time com quem você trabalha e, especialmente, a liderança se tornam os pontos-chave de motivação, produtividade e inspiração.

Seguindo esta lógica, a afirmação de que "pessoas deixam chefes, não empresas" faz todo sentido, como este artigo da Forbes pondera. Lembro-me de um chefe que me falou bem francamente, antes de partir para uma outra oportunidade: "não há nada pior que ter um chefe ruim. Se seu próximo gerente for assim, saia logo. Não perca seu tempo".

Um chefe não faz um líder

Não há dúvidas de que a pessoa que for seu chefe/gerente vai ter um impacto significante na sua vida, queira você ou não. Esse relacionamento se torna ainda mais importante se você for jovem no começo da carreira. Neste estágio, é comum procurar por alguém a quem admirar e se espelhar, e muitas vezes essa pessoa é o chefe direto.

A verdade é que qualquer um pode ser chefe, mas nem todo chefe é um líder de fato. Aliás, um estudo da instituição Gallup revela que 50% de 7.272 adultos norte-americanos já deixaram um emprego devido ao chefe para melhorar a qualidade de vida em algum ponto de suas carreiras.

Não é à toa que um chefe "ruim" consegue ser, muitas vezes, a causa de distorções na autoestima, desequilíbrio na vida pessoal e até problemas de saúde.

Por outro lado, um bom relacionamento com o superior tem um poder impressionante na melhoria da postura profissional, dos "soft skills" (as competências sociais e não-técnicas) e na aceleração do desenvolvimento de carreira.

No meu caso, tive bastante sorte de ter tido profissionais muito bons como meus superiores ao longo da minha vida profissional. O mais bacana é que todos têm personalidades e histórias totalmente diferentes, o que me fez aprender mais ainda a trabalhar com pessoas com comportamentos muito distintos dos meus.

Apesar das diferenças, todos tinham consigo uma série de qualidades de liderança admiráveis, as quais, a meu ver, não são inatas, mas sim desenvolvidas com muito trabalho, altos e baixos, sangue e suor. Para ser mais específica, essas qualidades se resumiriam em três características: habilidade de ouvir, empatia e espírito de equipe.

Ouvir, sentir e compartilhar

Sempre parto do princípio de que se você ouve, você aprende e melhora, ou reitera.

Um bom líder é aquele que não só delega, atribui e dá as ordens, mas também ouve atentamente a sua equipe, sabe dar e ouvir feedback construtivo e traça uma solução para resolver problemas em conjunto.

Segundo, a empatia é a habilidade humana de se colocar no lugar do outro. Um chefe que trata seus subordinados da mesma forma como ele gostaria de ser tratado, com respeito, compreensão e confiança, vai cultivar os mesmos sentimentos pela equipe por ele. Aqui se encaixaria perfeitamente aquele ditado de que "pessoas vão esquecer do que você falou e do que você fez, mas não de como você as fez sentir".

Isso acaba se correlacionando ao espírito de equipe, que é a terceira qualidade. Apesar do papel de gerente do grupo, um chefe exemplar age como parte do time também, e não apenas como o superior deles. A partir do momento em que o líder estimula a cooperação entre os membros da equipe e não a competição, o gosto da vitória nas conquistas é celebrado verdadeiramente por todos. Vence, assim, o time, e não só uma pessoa.

Concluindo, compartilho da mesma ideia (do Jack Ma) de que a escolha do chefe faz uma diferença tremenda para a carreira. Se não fosse pelos chefes que tive ao longo da minha junto com todos os conselhos, orientações e mentoria que recebi, dificilmente teria chegado até onde estou agora. É um bom sentimento de gratidão! :)

E para você? O que faz de um chefe um líder na sua opinião?

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade

Os surpreendentes primeiros empregos de 9 empresários e CEOs