OPINIÃO
23/06/2015 15:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

As 5 maiores coisas em que minha prática como mãe foi diferente do meu discurso

Todos nós, como pais de primeira viagem, tendemos a pregar sermões de vez em quando, dando aula de moral a outras pessoas sobre como criar seus filhos. Eu, pessoalmente, achava que sabia tudo. Veja cinco coisas que me deixaram de cara no chão, obrigando-me a perceber que na realidade eu não sabia de nada.

Todos nós, como pais de primeira viagem, tendemos a pregar sermões de vez em quando, dando aula de moral a outras pessoas sobre como criar seus filhos. Eu, pessoalmente, achava que sabia tudo. Veja a seguir cinco coisas que me deixaram de cara no chão, obrigando-me a perceber que na realidade eu não sabia de nada.

1. Dieta na gravidez Eu não via a hora de engravidar para poder mostrar a todo mundo como deve ser a alimentação de uma gestante: rigidamente orgânica, com grandes porções de frutas e verduras; açúcar refinado apenas de vez em quando e em pequenas quantidades. Eu não entendia como alguém poderia saber que estava gestando um filho e ainda assim escolher comer alguma coisa que não fosse a mais saudável possível.

Quando estava grávida de seis semanas, mais ou menos, acordei às 3h da manhã sentindo desejo urgente de devorar um cheeseburguer, fritas, milkshake, balas azedas e refrigerante. Virei um animal faminto. Quando percebi, já estava no carro, indo buscar meu banquete. Consegui me convencer de que "se estou sentindo desejo disso, é porque meu corpo está precisando".

2. Parto natural Eu lia todos os relatos de partos que encontrava pela frente. Quando assistia a vídeos de cesáreas e partos com anestesia, meu sangue fervia. "Nossos corpos foram feitos para dar à luz!", eu dizia a quem quisesse ouvir. "Não entendo como alguém pode optar por se encher de remédios nessa hora sagrada. É uma lástima."

Depois de 36 horas de trabalho de parto sem anestesia, eu estava deitada no chão, gritando de dor. O pouquinho de energia que ainda me restava eu estava usando para tentar calcular quanto teria que andar para chegar até o centro da cidade, onde eu poderia roubar as drogas de algum traficante. Quarenta e cinco minutos mais tarde, depois de ser levada de ambulância, quase chorei de alívio ao sentir aquela anestesia mágica penetrando em minha espinha.

3. Amamentação Quando me perguntavam se a ideia de amamentar me deixava nervosa, eu dizia: "Sinto a maior confiança". Eu não entendia como alguém poderia querer optar por não dividir essa experiência maravilhosa com seu bebê. Passei um tempo absurdo lendo e me informando sobre o assunto; cheguei a me considerar especialista. Aprendi técnicas e posições, pesquisei potenciais complicações e soluções e assisti a inúmeros vídeos mostrando mães amamentando seus filhos. Eu estava apaixonada pela história toda; não via a hora de ter a experiência concreta.

Minha filha pegou o seio assim que a puseram nos meus braços. Nos dois primeiros dias, tudo estava às mil maravilhas entre ela e eu. Então a dor começou. Passei dez semanas com os bicos dos seios rachando, criando bolhas, sangrando. Consultei diversos especialistas em lactação. Todos me disseram que o modo como minha filha sugava era ótimo - o problema era apenas que minha pele era muito delicada. Minha filha odiava a mamadeira.

Quando ela chorava para me avisar que estava com fome, eu chorava também. Eu andava de um lado a outro do quarto no meio da noite, pensando em desistir. Nos dois primeiros meses minha nenê mamava o dia todo; raramente passava mais de 30 minutos durante o dia sem ir para o peito. Eu me sentia uma vaca leiteira. Uma vaca leiteira com muita dor. A partir do momento em que meu corpo se adaptou, foi imensamente recompensador. Mas hoje eu entendo perfeitamente quem tira o leite com bombinha ou alimenta seu bebê com leite em pó na mamadeira.

4. Dividir o quarto com minha bebê e ensiná-la a dormir sozinha Quando planejei minha grande aventura de maternagem natureba, parecia lógico que a bebê dividiria o quarto comigo. Eu nem sequer conseguia imaginar a ideia de ensinar minha filha a dormir no quarto dela. Achava que dormir conosco quando recém-nascida regularia sua fisiologia, que ela não choraria tanto, não acordaria com tanta frequência e que isso facilitaria a mão-de-obra de amamentá-la à noite.

Desde o nascimento, ela parecia ter necessidade de dormir pouco ou nada. Quando dormia, queria ficar no peito quase o tempo todo. Mudar de posição era uma verdadeira roleta russa. Minhas costas ardiam de dor por dormir nas posições incômodas em que eu ficava congelada a cada vez que ela se mexia. Entre os 4 e os 10 meses de idade, ela acordava a cada 45 minutos à noite. Eu me sentia um zumbi. Quando ela chegou aos 10 meses, resolvi treiná-la a dormir em seu próprio quarto. Foi a melhor decisão que podia ter tomado.

Depois de passar só duas noites rangendo os dentes enquanto minha filha se "adaptava", ela passou a dormir cinco horas seguidas em acordar. Não me arrependo nem um pouco. Ensiná-la a dormir em seu próprio quarto salvou minha sanidade mental.

5. Televisão Eu jurava de pés juntos que minha filha não encararia uma tela de TV antes dos 2 anos de idade, conforme recomenda a Associação Americana de Pediatras. Quando visitávamos pessoas da família, eu pedia que desligassem a televisão e então ficava sentindo a energia incômoda que tinha gerado na sala. Tudo bem - valeria a pena quando minha filha mostrasse ter QI elevado.

Com 13 meses de idade, minha filha se alternava entre dois registros: ou se jogava em atividades exaustivas e constantes, como se estivesse fazendo parkour, que me obrigavam a limpar sujeiras intermináveis, ou ficava tentando me convencer que deixaria de existir se eu não a pegasse no colo naquele exato instante. Um dia quando eu não estava aguentando mais, eu a pus no cadeirão, lhe dei seu lanche e liguei a TV no meio de um episódio de "Vila Sésamo". Quando olhei minha casa limpa, meia hora mais tarde, senti que um milagre tinha acontecido. Desnecessário dizer que desde então já recorri várias vezes a essa tábua de salvação.

Acho que de tudo que já vivi e vou viver na vida, criar uma filha é o que mais me terá feito sentir humildade e rever minhas posições. Fico feliz porque o primeiro ano como mãe me ensinou tanto, e agora posso levar adiante a aventura de mãe, já tendo acumulado alguma sabedoria real.

Cada um de nós vem de uma origem diferente, e cada um de nossos filhos é único e singular. Aprendi que não tenho moral nenhuma para julgar as decisões que outros pais tomam para eles mesmos e seus filhos. Por mais que isso possa soar como lugar-comum, todos nós só estamos tentando fazer o que o coração nos diz que é o melhor por nossos filhos.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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