OPINIÃO
02/10/2014 15:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

Amemos

GABRIELA BILÓ/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

"Você pode pensar o que quiser, porque o pensamento é seu, livre. Mas falar já é uma outra coisa." Me lembro de quando era criança e, por xingar um coleguinha, minha mãe me advertiu dizendo isso.

Naquele dia, aprendi duas coisas, a primeira é que, se não poderia falar, deveria repensar, pois de alguma forma estaria errada. E segundo, tudo o que eu falasse, mais tarde, poderia até mesmo ser usado contra mim. Pois bem, cá estamos nós, século XXI, informação e conhecimento fazem parte de nossas vidas e ainda assim temos pessoas que não aprenderam a lição de casa.

A julgar pelo que foi visto no último debate dos presidenciáveis, Levy Fidélix não só externa um pensamento que infelizmente permeia uma grande parcela da população como, também, demonstra total descontrole emocional.

Declarar que "o aparelho excretor não reproduz" diz não só respeito aos homossexuais, mas às milhões de famílias não tradicionais, como tios que criam seus sobrinhos, ou avós que criam seus netos. Não importa de onde vem, pois no fim das contas, é amor. Será que para ele é tão difícil entender isso?

E quando uma pessoa opta por não ter filhos, deveria ser julgada por não contribuir com a sociedade? Será mesmo que Chico Xavier não contribuiu em nada para o mundo em que vivemos? Ou o casal Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir?

Sendo gay ou hétero, o conceito de família pouco diz respeito ao que se é ou faz, mas a capacidade que se tem de viver em harmonia. Conheço muitos heterossexuais que vivem juntos, mas jamais foram uma. Sem amor ou harmonia, o que existe é o peso de uma certidão.

Dizer que um semelhante não pode ter nossos direitos como civil, ou até mesmo instigar aos outros para que "combatam essa minoria" é uma agressão gravíssima. Concordo que a Igreja tem seus dogmas e não é obrigada a aceitar nada que não esteja em suas convenções. Mas, como um país livre e laico, o mínimo que devemos fazer é assegurar o direito do outro, fazer com que isso seja cumprido e propagar a mensagem de liberdade.

Se a questão se tornou um problema para ele, sejamos a solução. Amemos, independente da cor, sexo, religião ou preferência musical. Amemos uns aos outros, pois como já dizia o poeta, é só o amor que conhece o que é verdade, é só o amor.

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