OPINIÃO
10/12/2014 17:07 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Perdi minhas pernas, mas aprendi o que queria fazer na vida

Divulgação

Em 2 de março de 2012, um tornado destruiu minha casa no sul de Indiana - fato que mudaria minha vida para sempre. Como tenho dois filhos, fiz o que qualquer mãe ou pai responsável faria e me abriguei no porão para esperar a tempestade passar. Mal eu sabia que aquela não era uma tempestade comum, mas um super tornado que rumava diretamente para nossa casa.

A casa foi arrasada, aniquilada. Nenhum pedaço de madeira compensada ficou preso à fundação. Como em um filme que passa repetidamente por minha cabeça, eu vejo a tempestade dirigindo-se para nossa casa. Posso localizar o momento exato em que eu soube que íamos morrer quando o porão começou a desmoronar à nossa volta. Agarrei uma colcha, enrolei meus dois filhos em um cobertor e lhes disse que os amava e que se deitassem. Eu acreditava plenamente que fosse morrer, mas, milagrosamente, todos sobrevivemos. Considerando tudo, meus filhos estavam bem. Mas eu não tive tanta sorte.

Enquanto eu protegia meus filhos da tempestade, vi que uma viga de aço estava caindo e tive de tomar uma decisão rápida. Deveria deixar meus filhos para remover os destroços de cima do meu corpo, ou apenas deixar a viga cair e continuar protegendo as crianças? A resposta foi simples. Tinha de salvar meus filhos, ou pelo menos morrer tentando. Aquela viga acabou decepando minhas duas pernas, mas também salvou minha vida porque impediu que eu sangrasse até morrer antes que chegasse a ajuda.

Por meio de pura determinação, vontade de viver e o desejo de ver meus filhos crescerem, se casarem e irem para a faculdade, eu lutei. Lutei como nunca antes em minha vida. Eu era, e sou, uma atleta, e uma vida de atletismo me ensinou a ser perseverante e a combater a dor para conseguir o que se deseja. A dor dos meus ferimentos era terrível, e eu só queria dormir para esquecê-la. Mas não dormi. Em vez de fechar os olhos, olhava para o céu e pedia ajuda. Eu disse: "Se houver alguém aí em cima, preciso de você. Estou perto do limite e tenho muita coisa para viver ainda. Sei que você está tentando me dizer algo e sei que há um objetivo real na minha vida. Apenas deixe-me viver e eu descobrirei qual é esse objetivo".

E eu vivi. Sobrevivi por 2,5 horas à luta mais difícil da minha vida. Agora eu tinha de descobrir meu objetivo. Feliz por estar viva e agradecida porque minha família foi poupada, decidi que usaria minha segunda chance para retribuir. Assim nasceu a Fundação Stephanie Decker.

Todo o país pareceu se interessar por minha história de salvar Dominic (8) e Reese (5), e eu percebi que havia ganhado uma plataforma e uma voz. Sim, sobrevivi a uma experiência terrível e sofri um ferimento que modificou minha vida, mas também entendi que eu não era a única pessoa que precisava de ajuda. Como atleta e com dois filhos praticantes de esportes, pensei nas crianças amputadas que talvez não tenham a capacidade de participar e entendi que queria ajudá-las.

Nesta era de tecnologia, é incrível ver o que homens, mulheres e crianças podem fazer com próteses. Fiquei surpresa. Começamos a procurar e descobrimos que havia poucas oportunidades para crianças com próteses participarem de esportes, esportes para corpos sãos. A maioria das crianças simplesmente quer se encaixar, participar de um time e ser aceitas pelo que elas são, e não pelo que não têm. As crianças querem brincar, ter amigos e experimentar a camaradagem de vencer e perder como um time. Todas as crianças merecem ter essa sensação de pertencer, e é isso que a Fundação Stephanie Decker pretende oferecer. Acreditamos que essas crianças, mesmo que não tenham um braço ou uma perna, são dignas e queremos que o mundo saiba que elas são dignas.

Temos de nos levantar e fazer uma diferença para essas crianças. Precisamos lutar para que o seguro pague por essa tecnologia, para que crianças e adultos possam recuperar suas vidas. Nossa fundação continua promovendo leis e lutando para aperfeiçoar a tecnologia. É algo pelo qual sou apaixonada, porque sem essa tecnologia eu não conseguiria surfar no oceano, correr com meus filhos, persegui-los na parede de escalada ou nadar com eles no parque aquático.

Minha vida mudou para sempre em 2 de março de 2012. Eu perdi minhas pernas, mas também descobri finalmente o que queria ser quando crescesse. Agora estou lhe dizendo que, não importa qual seja sua idade, ainda há muitas lições para você aprender na vida. A vida é curta e você nunca sabe o que vai lhe acontecer. Não espere pela sua segunda chance, faça alguma coisa agora.

Esta postagem foi oferecida por L'Oréal Paris Women of Worth, uma iniciativa criada em 2005 que homenageia dez voluntárias destacadas no combate à doença, pobreza, tráfico sexual e dependência de drogas com bolsas de US$ 10 mil por ano. Visite WomenofWorth.com para ler suas histórias.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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