OPINIÃO
17/02/2014 11:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Motorola, Google e Lenovo: alguma coisa muda?

A notícia mais quente dos últimos dias no mundo da tecnologia é a recente compra da Motorola pela chinesa Lenovo. A compra, estimada em US$ 2,91 bilhões, foi feita juntamente com a Google, que havia comprado a empresa americana em 2011, por US$ 12,5 bilhões.

A princípio, parece que só vemos problemas no caso. Uma empresa chinesa comprou da Google a mais tradicional das marcas de celulares norte americana, pioneira no mercado móvel, inventora do aparelho em questão. Os aparelhos lançados pela parceria Motorola e Google, Moto X e Moto G, respectivamente, agradaram o público e estão conquistando mercado.

Então, por que isso aconteceu? A verdade é que a Google adquiriu a Motorola, essencialmente, pelo grande pacote de patentes que vinha junto da negociação. Para evoluir e manter seu sistema operacional móvel Android com a maioria do mercado, é necessário possuir quantas patentes tecnológicas sobre o assunto forem possíveis.

A Microsoft, em 2013, adquiriu a unidade de smartphones da Nokia, outra grande empresa tradicional cheia de patentes. A empresa de Bill Gates se deu bem, pois pegou uma marca que tem qualidade, aceitação de público e potencial para se desenvolver, e vem colhendo frutos e crescendo sua fatia no mercado móvel desde então.

Assim, o objetivo principal da Google eram as tais das patentes. Junto, vieram linhas de produção, fábricas e aparelhos, e mais um monte de funcionários. E isso, na ponta do lápis, não era uma ideia tão boa assim para a Google. Desde que foi comprada, a Motorola só trouxe números vermelhos para a gigante da internet.

Outro porém está no próprio Android. Se a Google começa a produzir ela mesma grandes e bons aparelhos com seu sistema, pode desagradar suas parceiras, empresas grandes como Samsung, LG, Sony, HTC e outras. Perder essas parcerias seria como decretar o fim do Android. Por isso, fica mais político e educado não fabricar seus próprios aparelhos.

No final, tanto para a Google como para a Lenovo, só vieram vantagens. A Google se livrou dos prejuízos, ficou de bem com suas parceiras, manteve as patentes e ganha dinheiro as licenciando para a Lenovo. A chinesa, por suas vez, já é a maior fabricante de PCs do mundo (e a única no ramo que mostra expansão, e não retração no mercado), pagou uma bagatela na Motorola e pode ganhar o difícil coração dos norte americanos.

Nos Estados Unidos, a população não costuma aceitar bem empresas estrangeiras no mercado de smartphones, e justamente por isso a finlandesa Nokia teve problemas e a japonesa Sony recentemente oficializou sua desistência de entrar nesse mercado. Com a empresa tradicionalmente americana, terceira mais importante no país, a chinesa Lenovo pode entrar em um gordo mercado com melhor aceitação e inserir, de quebra, seus PCs nesse país.

Para o consumidor, o que muda? Muita coisa, creio eu. Sob a tutela da Google, os aparelhos da Motorola estavam vindo com inovações interessantes, sistema quase puro e updates bem velozes de sistema. Acho que a Lenovo não manterá esse mesmo ritmo. Fico na espera de inovações, pois a Lenovo pode fazer isso, e se tornar grande concorrente da gigante coreana Samsung.

Entretanto, o sistema Android mais puro e as atualizações mais velozes devem ficar para trás. Para o consumidor de entrada, leigo, isso não deve fazer muita diferença. Para o mais especializado, é triste. Fiquemos de olho também nos preços, pois a Google, no melhor esquema de prejuízo digna da Amazon, apresentou ótimos e competitivos valores para o Moto X e o Moto G. Vamos esperar.