OPINIÃO
03/12/2014 12:49 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:01 -02

'Agora que eu tenho uma nova chance, é este o tipo de mãe que eu quero ser'

Faltando pouco para eu completar 21, eu dei à luz uma menina, que foi adotada ao nascer por um casal incrível. Lembro-me de estar no hospital, segurando-a em meus braços, enquanto eu lhe explicava suavemente, através de minhas lágrimas, que a amava muito, muito mesmo, e que essas pessoas iriam lhe proporcionar o tipo de vida que eu não poderia - o tipo de vida que eu sabia que ela merecia.

Compassionate Eye Foundation/Three Images via Getty Images

Ouço muito essa pergunta, seja de estranhos ou no consultório: "É seu primeiro?"

A resposta é complicada, porque sim, é, mas não, não é. Eu tenho uma filha. Bem, mais ou menos.

Faltando pouco para eu completar 21, eu dei à luz uma menina, que foi adotada ao nascer por um casal incrível. Lembro-me de estar no hospital, segurando-a em meus braços, enquanto eu lhe explicava suavemente, através de minhas lágrimas, que a amava muito, muito mesmo, e que essas pessoas iriam lhe proporcionar o tipo de vida que eu não poderia - o tipo de vida que eu sabia que ela merecia.

Com o coração cheio de amor e sem sentir um arrependimento sequer, mas com uma tristeza que até hoje eu não consigo explicar bem, eu a deixei com seus adoráveis pais adotivos. Eu sabia, no fundo do meu coração, que a vida dela seria exatamente do jeito que teria que ser. E eu tinha razão.

Eu decidi compartilhar esta história por dois motivos. Um, eu sou um livro aberto, e já que eu fui uma criança adotada e mãe biológica, eu tenho uma convicção muito forte sobre este tema e gosto de discuti-lo em qualquer oportunidade razoável.

Dois, porque quando eu digo que eu pensei muito sobre o tipo de mãe que eu quero ser, eu quero que você entenda a profundidade desta declaração. Eu tenho pensado sobre isso e esperado por este momento há mais de 17 anos. O fato de eu ter outra chance para ser mãe - e mais, ser mãe de uma menina - me sobrecarrega, às vezes. Eu preciso fazer isso direito.

Dito isso, que tipo de mãe eu quero ser?

Eu quero ser legal, sem ser aquela triste "mãe legal" que se esforça demais e acaba passando vergonha. Pois isso é patético.

Eu quero ser uma amiga para a minha filha, para que ela possa confiar em mim e, ao mesmo tempo, quero manter a autoridade e os limites dos pais para que ela se sinta segura e estável.

Eu quero estar presente na vida da minha filha, nas suas atividades escolares, nos passeios e encontros com as amiguinhas, para incentivar e ajudá-la a descobrir seus talentos, sonhos e objetivos - sem sufocá-la ou ser autoritária.

Eu quero manter o meu senso de humor e, portanto, a minha sanidade. Se ela for como eu, ela vai me deixar louquinha, regularmente.

Eu quero manter a minha identidade e ensinar a minha filha que é importante saber quem ela é - e que não importa o que ninguém pensa sobre ela, se ela for feliz sendo quem ela é.

Eu quero ser o tipo de mãe que mostrará à sua filha, através do meu exemplo, que ela pode ser forte, e ao mesmo tempo gentil, e que ela pode ter esperanças, mesmo mantendo seus olhos abertos.

Eu quero ser o tipo de mãe que vai incentivar a inteligência e a criatividade da minha filha, não importa qual a forma que tomarem.

Há muito mais.

Acima de tudo, eu quero ser o tipo de mãe que trouxe ao mundo, há quase 17 anos, uma garota que é o ser humano incrível que ela é agora. Eu quero ser o tipo de mãe que ela terá orgulho.

Espero que eu consiga fazer isso.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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