OPINIÃO
04/12/2014 18:00 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Uma vez voluntário, sempre voluntário

Entrei para o voluntariado em 2001. Lembro exatamente da primeira vez que estive em uma sala de aula de uma escola municipal na periferia de São Paulo para realizar uma de nossas atividades. Estava certa que sairia de lá deixando muito aprendizado. Para minha surpresa, levei comigo muito mais do que deixei.

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Nesta sexta-feira comemora-se o Dia Internacional do Voluntário, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1985 com o objetivo de promover ações de voluntariado em todas as esferas da sociedade, ao redor do mundo.

Entrei para o voluntariado da Fundação SOS Mata Atlântica em 2001, através de um programa empresarial que durou um ano. Lembro exatamente da primeira vez que estive em uma sala de aula de uma escola municipal na periferia de São Paulo para realizar uma de nossas atividades. Tinha me dedicado tanto à preparação do material, que estava certa que sairia de lá deixando muito aprendizado. Para minha surpresa, levei comigo muito mais do que deixei e voltei para casa com vontade de fazer parte da mudança para um planeta melhor.

Quando o programa acabou, um vazio se instalou em mim. Então procurei a Fundação e continuei como voluntária até 2007, quando fui convidada para auxiliar o então coordenador do programa. Desses anos como voluntária na área de educação ambiental, só posso dizer uma coisa: esse trabalho foi um divisor de águas na minha vida, sobretudo pelas experiências e realidades que apenas o voluntariado permite. Quem já realizou algum serviço voluntário, sabe bem do que estou falando. Quem ainda não, vale experimentar.

Ao escolher uma atividade voluntária, é fundamental que seja algo para com a qual o interessado tenha empatia, assim essa será sempre uma ação prazerosa e gratificante, por mais árdua que seja. Para os com menos tempo, há ainda a opção de realizar atividades sem sair de casa, graças às inovações tecnológicas.

Atualmente, têm se falado muito em voluntariado digital como uma nova forma de atuação em rede, facilitando a mobilização de pessoas e promovendo o ativismo. Muitas plataformas estão sendo criadas, possibilitando às pessoas que queiram realizar um trabalho voluntário a oportunidade de se conectarem com instituições de acordo com seu perfil e campo de atuação. Por meio dessas plataformas, é possível realizar um serviço voluntário on-line, como gravar um livro para deficientes visuais, digitalizar notas fiscais para instituições e preparar aulas, além de atividades de tradução, design e consultoria em geral, entre outros. Um uso interessante da tecnologia, mas que não exclui o voluntariado presencial.

A grande maioria das pessoas que procura a Fundação SOS Mata Atlântica para ser voluntário, por exemplo, vem porque quer colocar a "mão na massa". São ativistas digitais, têm capacidade de mobilização, mas também querem contribuir pessoalmente com seus talentos e habilidades. Portanto, aqui fica uma dica para as instituições: sempre que possível, tenha em sua programação iniciativas que possam proporcionar encontros entre seus voluntários.

Na SOS Mata Atlântica, o voluntariado começou desde sua criação, com engajamento de fundadores, conselheiros, pessoas que apoiam as inúmeras atividades e projetos institucionais. Um programa mais estruturado começou em 1994 e por meio de iniciativas como o Plantando Cidadania, Mãos à Obra, Voluntariado Empresarial, dentre outros, milhares de pessoas participaram das ações nas escolas e nas comunidades, formando uma grande rede em prol da conservação da Mata Atlântica e de um mundo mais sadio e uma qualidade de vida melhor para todos nós.

Nesse dia de comemoração, quero aproveitar para parabenizar a todos os voluntários da SOS Mata Atlântica e de todas as causas sociais e ambientais do Brasil. Que sejamos uma grande rede mobilizadora e transformadora de pessoas em prol de boas histórias. Assim como toda forma de amar vale a pena, toda forma de se voluntariar também vale! Afinal, é por meio da atitude individual de cada um que iremos construir um mundo melhor.

*Romilda Roncatti é coordenadora de Voluntariado da Fundação SOS Mata Atlântica.

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