OPINIÃO
29/05/2015 17:49 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:19 -02

Por mais mulheres na política

Senado Federal/Flickr
Café da manhã das bancadas femininas do Senado e da Câmara dos Deputados, realizado no gabinete da senadora Maria do Carmo (DEM-SE), para discutir as propostas das senadoras para a reforma política em 2015. Participam: deputada Rejane Dias (PT-PI); deputada Benedita da Silva (PT-RJ); senadora Sandra Braga (PMDB-AM); senadora Maria do Carmo (DEM-SE); senadora Marta Suplicy (PT-SP); deputada Soraya Santos (PMDB-RJ); senadora Simone Tebet (PMDB-MS); deputada Rosangela Gomes (PRB-RJ); deputada Flávia Morais (PDT-GO); deputada Josi Nenes (PMDB-TO); deputada Leandre (PV-PR); deputada Moema Gramacho (PT-BA); Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Dos atuais 513 deputados que ocupam as cadeiras da Câmara Federal temos apenas 51 mulheres. Isso representa 10% do total de parlamentares.

Segundo dados da ONU Mulheres, países como o Zimbábue, o Afeganistão e o Iraque estão à nossa frente em participação feminina no parlamento. Eles têm, respectivamente, 31%, 17% e 25% de mulheres em suas casas legislativas. Nem é preciso ir tão longe, nossos vizinhos sul-americanos Argentina (36%), Bolívia (50%) e Equador (41%) também estão à nossa frente neste índice.

Como pode o Brasil, que tem juízas, cientistas, médicas, advogadas, artistas, jornalistas, donas de casa e todo tipo de mulheres tão produtivas em suas áreas ter um Congresso tão abaixo dessa imagem? Somos 52% da população brasileira. Deste total, 40% são chefes de família.

Precisamos aproveitar este momento de Reforma Eleitoral para mudarmos este quadro que tanto nos envergonha. O consagrado jurista brasileiro Celso Bandeira de Mello defende o princípio da igualdade, onde temos que desenvolver ferramentas que possibilitem tratarmos igualmente homens e mulheres.

O item 6 da Reforma fala da política afirmativa de cadeiras como forma de inclusão das mulheres no parlamento pelas próximas três legislaturas. Precisamos dar ao Brasil esta chance. O olhar feminino se faz necessário no Congresso para que o país tenha avanços em áreas importantes. A vivência da mulher nos diferentes aspectos tão debatidos nesta casa é tão importante quanto a masculina. E, na tomada de decisões, este olhar precisa estar presente, ser considerado.

Esse é o caminho para podermos aumentar a participação das mulheres de tal forma que, um dia, nenhuma política afirmativa seja necessária. Vale lembrar que é preciso fortalecer a formação, a capacitação e a inclusão das mulheres em seus partidos, com fomento político, financeiro e participativo.

É questão de tempo para termos um Congresso mais igualitário e justo.