OPINIÃO
20/03/2014 15:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Faça suas próprias descobertas musicais

Seu amigo pode até ser uma enciclopédia musical ambulante, ou você pode 'apelar' para aplicativos, mas a verdade é que nunca foi tão fácil descobrir novas músicas que podem ser as queridinhas dos seus fones de ouvido.

"Qual o nome daquela música que toca no comercial da cerveja?". Vai dizer que você nunca se fez uma pergunta desse tipo? A música do comercial, a trilha que fechou o último episódio do seu seriado favorito, aquele som que tocou na festa, você amou, mas desconhece a autoria. Todos casos bem comuns! Nessas horas, sempre aparece aquele amigo que tem a resposta na ponta da língua, com o nome do artista, o título da música e o álbum ao qual a faixa pertence.

Seu amigo pode até ser uma enciclopédia musical ambulante, ou você pode "apelar" para aplicativos que identificam a faixa em questão, mas a verdade é que nunca foi tão fácil descobrir novas músicas e artistas que, em pouco tempo (e dependendo da qualidade do material), podem se tornar os novos queridinhos dos seus fones de ouvido. Além dos meios de divulgação tradicionais, como sites e blogs voltados para o universo da música independente, que possibilita a descoberta de artistas ainda no começo de carreira, as redes sociais e plataformas de compartilhamento de música têm feito com que aquela bandinha do interior da Nova Zelândia conquiste mais fãs do que os próprios integrantes poderiam imaginar.

Mas, se as opções de "descobertas musicais" são inúmeras, a chance de você se embolar e não aproveitar todas elas também é grande. Até o comodismo pode ser um problema: você encontra uma plataforma legal de compartilhamento de música e, acaba acessando apenas ela, limitando seu próprio potencial de descoberta em outros lugares.

Como expandir, então, a forma como consumimos música e, assim, conhecermos além do que estamos acostumados a ouvir?

Não quero acabar com seus sonhos, mas existem duas palavras-chave nesse processo: procurar e compartilhar. Aliás, essas são palavras que praticamente definem os últimos anos em qualquer segmento. Primeiramente, como já foi dito no post anterior, é preciso sair de sua bolha musical. Deixar de lado os discos de sempre, dos artistas de sempre, daquele único gênero que você ouve.

Obviamente você vai continuar a curtir esse material, mas se você quer descobrir coisas novas, é preciso "esquecer" as velhas. Isso significa que, ao entrar no Youtube, você não vai digitar "Beatles" (desculpem o sacrilégio de usar esse exemplo, mas é pra você entender que precisa mesmo variar o que ouve). Experimente digitar algo como "turkish indie band". Foi assim que eu descobri a Sapan, uma banda de Instanbul, que faz um Rock/Pop alternativo cantando em turco, inglês e francês. Você pode não se apaixonar pelo som e voltar a ouvir The Killers no dia seguinte, mas é, no mínimo, interessante notar que a faixa Coldwave, dos turcos, tem guitarras que nos lembram a música Descontrolada, dos brasileiros da extinta Sabonetes.

Legal também é quando um amigo indica uma banda/músico que te surpreende completamente. Isso aconteceu comigo quando fui apresentada aos alemães da AnnenMayKantereit. A qualidade do som e, principalmente, o vocal de Henning me fizeram não só ir atrás de todo o material da banda (que ainda se resume a apenas um álbum), como também os entrevistei e, olha só, descobri que eles curtem o som do brasileiro Silva. Afinal, se a gente está buscando coisas novas para ouvir daqui, de lá e de qualquer canto do mundo, as pessoas fazem o mesmo.

Também é válido ficarmos ligados em rádios e playlists de sites como Youtube, Rdio, Deezer ou Facebook. Mas o lance é sempre ir além daquilo que já lhe é dado. Ou seja, não se prenda às listas e opções de artistas semelhantes. Vá além, ou você não sairá da maldita bolha musical nunca.